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Lobito decide apostar mais na agropecuária

Jesus Silva| Lobito

O administrador municipal do Lobito, Amaro Ricardo, reconheceu no sábado, na comuna da Canjala, a necessidade das autoridades continuarem a apostar cada vez mais em acções no domínio da agricultura e da pecuária, para resolver os problemas das mulheres que vivem nas povoações e comunas.

Encontros de auscultação à mulher rural têm em vista o aumento da produção agrícola e a melhoria do nível de vida nas comunidades
Fotografia: Jesus Silva

Para tal, o administrador, que falava na cerimónia de auscultação dos problemas que afligem as mulheres rurais, esclareceu que já foram adquiridas 50 cabeças de gado bovino, para fomento e incentivo do repovoamento animal e da produção de leite.
Com o objectivo de aumentar o rendimento dos animais foi recuperada e limpa a vala do Cuvelo (Canjala) e reabilitados três quilómetros da vala de irrigação na povoação do Culango. Está ainda prevista a construção de um reservatório, com capacidade para conservar 16 milhões de litros de água para rega dos campos agrícolas, que vão beneficiar centenas de mulheres camponesas. Este tanque, além de conservar a água para ser aproveitada nos campos na época de estiagem, também vai servir para criar peixes, que posteriormente vão ser consumidos e comercializados por parte das mulheres.
Também está previsto, no âmbito do incentivo agrícola, a construção de mais canais de irrigação para o aumento de áreas para a agricultura no perímetro entre a Canjala e Egipto-Praia, em toda a baixa que circunda o Rio Balombo. Para facilitar a vida das mulheres rurais, principalmente as que se dedicam à actividade agrícola, o administrador considera que se deve fazer chegar a água aos campos sem proprietários e que eles sejam divididos em talhões, para entregar um a cada família, com o objectivo de permitir às mulheres serem donas dos campos de produção agrícola.
Amaro Ricardo frisou que o Executivo tem estado a ensaiar créditos agrícolas, com destaque para os de campanha, utilizado em 2012 e 2013 nas localidades do Culango, Egipto-Praia e Canjala, que beneficiou 284 camponeses, sendo 85 mulheres, além de empréstimos que serviram para a compra de motobombas, mangueiras, fertilizantes, entre outros instrumentos agrícolas.
O Executivo, através do Ministério do Comércio, tem estado a promover o comércio rural, sendo a comuna da Canjala uma das beneficiárias do mercado Agromerca, onde as mães camponesas vendem os produtos directamente ao Governo e, este, por sua vez, encaminha-os para os centros de distribuição de Luanda e Benguela.
O administrador anunciou que, em parceria com a Odebrechet, na povoação da Hanha do Norte está a ser produzido sabão com os restos de óleo vegetal.
Este programa é assegurado maioritariamente por mulheres. Esta experiência está a ter resultados satisfatórios, razão pela qual vai ser alargada ao Culango e a outras localidades do interior do município.

Grande mercado

Os produtos agrícolas que estão a ser produzidos na Hanha do Norte vão ser comprados pelo Sonaref, que, neste momento, está envolvido na primeira fase da construção da Refinaria do Lobito.
O director provincial da Agricultura de Benguela, Fernando Assis, considerou a comuna de Canjala um dos maiores mercados agrícolas do país. O óleo de palma daquela localidade chega a diversas regiões, como Luanda, Cuanza Norte, Cuanza Sul, Malanje, Benguela, Namibe e Huíla, devido à sua qualidade.
“Grande parte da população da Canjala, com particular realce para as mulheres, não conhece Luanda, mas o produto feito por elas chega a quase toda Angola, facto que por si só dispensa comentários e valoriza a qualidade dos seus produtos hortícolas e frutícolas”, sublinhou.
Fernando Assis considerou que as mulheres têm muita força, uma vez que são elas que produzem nos campos e, se estiverem organizadas em cooperativas ou em associações, vai ser mais fácil entregar-lhes charruas, tractores e outros meios agrícolas.
Anunciou, também, que já se está a construir um armazém na comuna do Dombe Grande, onde se prevê, para breve, a instalação de uma fábrica de concentrado de tomate para a conservação de produtos agrícolas não comercializados no mesmo dia.
Para o caso específico da Canjala, é possível que também venha a ser construída uma mini fábrica para a produção de óleo de palma, onde os camponeses vão poder vender o seu dendém, projecto que pode ser estendido à comuna do Monte Belo (Bocoio), onde se produz ananás em grande escala.
Estas fábricas de conserva vão ajudar a valorizar o produto nacional e reduzir as importações, antevê o director provincial da Agricultura, que informou também que na província está a ser feita a multiplicação de palmeiras híbridas cruzadas vindas da Indonésia.
A localidade da Canjala vai ser contemplada com o projecto, para aumentar o dendém e a produção em grande escala do óleo de palma, substituindo as existentes, que possuem mais de 70 anos de serviço.

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