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Lobito em marcha para o progresso

Jesus Silva | Lobito

No decurso dos oito anos de paz, a cidade do Lobito alcançou progressos notáveis no domínio económico e social.

Momento em que o vice-governador Eliseu Epalanga (à esq.) e o administrador Amaro Ricardo apagavam as velas do bolo da cidade
Fotografia: Jesus Silva

No decurso dos oito anos de paz, a cidade do Lobito alcançou progressos notáveis no domínio económico e social. São visíveis as estradas asfaltadas, os novos passeios e lancis, a iluminação pública e outras infra-estruturas típicas de uma urbe moderna. Ao comemorar 97 anos de existência, no dia 2 de Setembro, Lobito assume-se, verdadeiramente, como uma cidade, como diz o seu lema, “em marcha”.

 O chefe da área social da administração municipal do Lobito, Alberto Ngongo, afirmou, ao Jornal de Angola, que, apesar da difícil conjuntura financeira do ano passado, foi possível assegurar o saneamento básico da zona urbana, garantir a iluminação pública, o abastecimento de água potável, reabilitar os passeios e lancis e asfaltar algumas avenidas e ruas secundárias. Foram asfaltadas, designadamente as ruas adjacentes ao mercado informal Mbango-Mbango e a estrada da rotunda do antigo controlo da Bela-Vista até ao bairro do Golfo.
“Como prova de que os ventos económicos estão a mudar neste segundo semestre, o programa nacional de habitação vai ser executado no tempo previsto e esperamos que as reservas fundiárias do Lobito respondam às necessidades do programa”, referiu.
Em Julho, foi apresentado ao público o projecto “Nova Urbanização da Cabaia”, uma parceria público-privada, e colocada a primeira pedra da fábrica de cimento Palanca, na zona alta da cidade. Esses empreendimentos, a par do projecto Sonaref, de construção da refinaria do Lobito, são uma oportunidade de criação de mais empregos para a juventude.
Em reconhecimento pelo espírito de conquista e progresso dos lobitangas, foi transladado, do aeroporto para a rotunda da Bulama, o chamado “monumento do Cavalo”, em cuja base se pode ler: “Aos homens que depois do mar tomado, querem o infinito”. O objectivo da mudança é dar maior visibilidade ao monumento.

Ganhos na Educação e Saúde

O sector da Educação obteve ganhos significativos. Foram construídas várias escolas na sede municipal e nas comunas, com destaque para o Instituto Politécnico, na zona alta da cidade.
Localizado no bairro 27 de Março, o Instituto Politécnico tem capacidade para 800 alunos. Dispõe de 16 salas de aulas, com ambiente climatizado, oito laboratórios, um ginásio, uma enfermaria, campo polivalente e duas oficinas. A sua construção está avaliada em mais de nove milhões de dólares. Na instituição está a ser dada formação profissional média e básica em vários cursos.
O sector da saúde no município está enriquecido com a construção de novos centros e postos de saúde e acções de formação e actualização de quadros.
O resultado está à vista: melhoria e expansão dos serviços de saúde em toda a extensão do município, até mesmo às povoações mais recônditas, que, devido ao conflito armado que assolou o país, não tinham infra-estruturas sanitárias.
No Programa de Oferta e Melhoria dos Serviços Sociais Básicos às Populações estão inscritos vários investimentos para o sector da Saúde, que vão resultar numa prestação de serviços de melhor qualidade.

Uma cidade jovem

Apesar de ter 97 anos, Lobito é uma cidade jovem. A chegada de grandes contingentes de populares fugidos de outras localidades, devido ao conflito armado, elevou a população do município, segundo estimativas oficiais, a cerca de um milhão.
As notícias mais remotas sobre a fixação dos primeiros habitantes na localidade datam do início do século passado. Manteve-se na órbita da Catumbela até 1913, altura em que, pela portaria nº 1005, de 2 de Setembro, o então governador-geral de Angola, Norton de Matos, criou a Câmara Municipal de Lobito, que passou a englobar, na sua área de jurisdição, a vila da Catumbela.
O Caminho-de-ferro de Benguela, cuja “testa” é a cidade do Lobito, está concebido para servir todo o planalto central, o leste de Angola e a República Democrática do Congo e a Zâmbia.
As autoridades garantem que ao longo do primeiro trimestre de 2011 o comboio apita no Huambo. A maior parte dos trabalhos na via-férrea está concluída e os técnicos fazem agora os acabamentos.
Depois das linhas, vão ser concluídas as obras da estação principal do Huambo e de outras ao longo do percurso. Estão em curso os trabalhos de sinalização e a rede de telecomunicações, uma vez que o cabo de fibra óptica já foi lançado ao longo da via.
O funcionamento pleno do CFB vai revitalizar a economia e facilitar as transacções através do porto, o melhor e mais bem apetrechado da África Ocidental.
Ponto irradiante de uma rede de estradas asfaltadas que abarca o país inteiro - 550 quilómetros para Luanda, 198 ao Sumbe, 330 ao Huambo, 400 a Huíla e 30 a Benguela - o Lobito tem todas as condições para a fixação de indústrias transformadoras da matéria-prima proveniente do interior.
Do ponto de vista imobiliário, é uma cidade fervilhante. Na zona da Restinga situa-se um dos aglomerados habitacionais mais caros de Angola. O que valoriza esta zona, para além das habitações em si, são as praias magníficas de areias finas e limpas e as águas geralmente calmas.
A zona comercial, que constitui o eixo da cidade, está livre dos engarrafamentos provocados pelos camiões, que agora passam, obrigatoriamente, pela nova estrada circular, criada, sobretudo, tendo em vista as cargas e descargas de mercadorias do porto. A zona comercial tornou-se num espaço limpo, impecavelmente organizado.
Enquanto se aguarda pelo funcionamento pleno do CFB, os empresários mais avisados procuram colocar-se nas melhores posições do mercado, com investimentos voltados para o futuro. É assim que três grupos empresariais de Angola, Portugal e do Brasil vão investir 430 milhões de dólares na construção da fábrica “Palanca Cimentos”, no Lobito, nos termos de um contrato assinado, recentemente, com a Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP).
O investimento, que junta o grupo angolano Gema, com 40 por cento, a portuguesa Escom e o grupo brasileiro Camargo Corrêa, com 30 por cento cada um, visa construir uma unidade fabril capaz de produzir 1,8 milhões de toneladas de “clinker” e 1,6 milhões de toneladas de cimento por ano, com expectativas de vir a criar 550 postos de trabalho directos.
Os exemplos são muitos e abarcam, praticamente, todos os sectores da actividade económica. A mensagem que fica dos 97 anos da cidade é que o Lobito é, cada vez mais, um bom lugar para viver.
As estradas da cidade são um dos principais testemunhos do esforço do governo para melhorar a vida da população. Praticamente todas elas asfaltadas, proporcionam uma circulação automóvel fácil e confortável.

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