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Mais energia em Benguela

Sampaio Júnior | Benguela

A situação do abastecimento da energia eléctrica à província de Benguela regista melhorias significativas, com o sistema de produção a fornecer 60 megawatts aos consumidores activos, que inclui os da rede domiciliar e industrial. 

A manutenção das máquinas nos centros de produção de electricidade obedecem aos prazos estipulados pelos fornecedores
Fotografia: Sampaio Júnior|Benguela

A situação do abastecimento da energia eléctrica à província de Benguela regista melhorias significativas, com o sistema de produção a fornecer 60 megawatts aos consumidores activos, que inclui os da rede domiciliar e industrial. 
De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Energia (ENE), Fernando Barros, a energia distribuída em Benguela é proveniente de fontes térmicas. “O fornecimento de corrente eléctrica para as principais cidades do litoral da província está a conhecer, nos últimos meses, melhorias significativas no sentido de satisfazerem a população. O real indicador é o facto de assistimos ao registo de novos clientes domésticos e industriais junto dos balcões comerciais”. 
Segundo Fernando Barros, estão a ser montadas novas fontes de produção que vão reforçar o sistema. Paralelamente aos grupos da Empresa Nacional de Electricidade, juntaram-se mais dois ao sistema operacional, adquiridos no âmbito do protocolo existente com o Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN). Os restantes vão começar progressivamente a funcionar.
“Com os grupos geradores adquiridos no quadro do protocolo entre a ENE e o GRN, o gráfico de produção vai sofrer um disparo no aumento, o que certamente vai trazer um outro nível de satisfação aos consumidores, ao mesmo tempo que permitirá uma gestão mais equilibrada das fontes nos períodos de baixo consumo, garantindo a existência de algumas unidades de reserva”, afirmou o PCA da ENE.
 
Lomaum e Gabela/Kileva

A província de Benguela está a notabilizar-se como praça segura de investimentos públicos e privados. Para que os investimentos tenham garantia de retorno é preciso que haja qualidade na prestação dos serviços. E o sector da energia é fundamental para assegurar o sucesso do investimento nos sectores produtivo, comercial e de serviços.
É a pensar nisso que, a partir do primeiro semestre de 2011, entrará em funcionamento a barragem hidroeléctrica do Lomaum. A unidade  vai produzir 50 megawatt. Ainda nos primeiros seis meses de 2011, prevê-se fazer a interligação do sistema Gabela/Kileva com a barragem de Capanda. Com a entrada em funcionamento da barragem hidroeléctrica do Lomaum e a interligação do sistema Gabela/Kileva, a Empresa Nacional de Electricidade augura muito bons tempos para a actividade económica, social e cultural em toda a região centro do país.
Fernando Barros adiantou que o Executivo tem um plano mais vasto de investimento no sector energético, que consiste na interligação dos sistemas norte e sul. As empresas envolvidas no processo, segundo ele, “estão galvanizadas nos trabalhos de instalação dos postes de transporte de energia de alta tensão. Em 2011, será lançada a obra de instalação de postes a partir da Barragem do Lomaum com destino à subestação de Benguela Sul”.
Fernando Barros mostrou-se orgulhoso com as boas perspectivas que se apresentam ao sector e, muito particularmente, para a empresa que dirige. “Como podem ver, são projectos com pernas para andar. A sua execução é imediata. Temos consciência que a energia é um factor determinante para o progresso da economia”, disse.     

Desenvolver a indústria

O relançamento de grandes empresas, como o CFB e o Porto Comercial do Lobito, com toda a dinâmica económica que isso representa, impõe uma procura de energia que, segundo fontes oficiais, já está equacionada pelas autoridades.
Em termos de investimentos públicos e privados, a região é descrita por fontes conhecedoras dos meandros burocráticos dos investimentos como estando em ebulição. Encontram-se em execução, ou em fase final de aprovação, projectos que vão modernizar a economia e criar milhares de postos de trabalho. São já significativos os passos dados na edificação de infra-estruturas habitacionais e hoteleiras.   
Uma das maiores refinarias da África subsaariana está a ser construída na cidade do Lobito. Avisada em relação às transformações que, não tarda, vão mudar a face de toda a região centro do país, a Administração do Porto Comercial do Lobito reabilitou as instalações portuárias, dando-lhe um rosto moderno, assente num sistema de funcionamento seguro e na instalação de equipamentos de ponta.
Os cais norte e sul foram ampliados e os carris velhos desmontados e substituídos por novos. A linha de guindastes foi renovada, bem como a pavimentação. O sistema de ancoragem está melhor e mais seguro, bem como o processo de carga e descarga de mercadorias, que conta com um novo terminal de contentores. Hoje, o Porto Comercial do Lobito é um gigante industrial sedento de energia que, como é lógico, tem de vir de algum lado. E nada melhor do que ter fontes públicas, comercialmente mais baratas.
Um grupo empresarial privado investiu cerca de 430 milhões de dólares norte-americanos para a construção da fábrica “Palanca Cimento”. O estabelecimento fabril será erguido na comuna da Hanha do Norte, nos arredores da cidade do Lobito. Prevê-se que seja uma das molas impulsionadoras para o desenvolvimento das regiões centro, sul e leste de Angola, numa primeira fase, visto que posteriormente os investidores pensam alargar o volume da produção e projectá-la para exportação, particularmente para os países vizinhos.
As obras do Caminho-de-Ferro do Lobito estão praticamente a terminar. As pessoas mais visionárias de Benguela e do Lobito esfregam as mãos de contentamento. O futuro é promissor. Antevê-se toda uma série de mudanças estruturais, demográficas e sociais que, certamente, vão guindar a região a patamares inéditos de desenvolvimento. Todos os empreendimentos económicos existentes, e os outros que estão por nascer, precisam de corrente eléctrica à altura. 

Recuperação de máquinas

Fernando Barros adiantou que existe um programa de recuperação das máquinas que actualmente se encontram fora de serviço nas centrais térmicas do Biópio e do Lobito, por terem atingido o limite de horas de funcionamento. Mesmo não estando avariadas, tiveram de parar por recomendações técnicas, de modo a serem submetidas a uma revisão geral.
O PCA da ENE, apesar de naturalmente optimista, não se deixa dominar pelo triunfalismo. “Com todas as melhorias que o sector tem vivido nos últimos tempos, não nos envaidecemos, porque sabemos que estamos a trabalhar com máquinas e elas, a qualquer momento, podem apresentar anomalias”, disse.
O responsável reconheceu a existência de alguns constrangimentos no segmento da distribuição da electricidade aos grandes centros urbanos de Benguela. Mas afirmou que, a seu tempo, “serão feitos investimentos para colmatar o défice de avarias provocadas pela caducidade do sistema, que já vem sobrevivendo há mais de 40 anos”.
Em todo o caso, foram feitos grandes investimentos em prol do serviço público de distribuição de electricidade. Em Benguela e Lobito foram colocados novos postos de transformação e as comunidades já não se queixam tanto, como antes, da criminalidade por ausência de energia eléctrica.
Foram recuperados antigos e instalados novos postes de iluminação pública, em avenidas, ruas e ruelas. O mesmo processo foi estendido aos bairros periféricos, o que está a facilitar a actividade policial de combate à criminalidade e a proporcionar às populações uma circulação sem sobressaltos, com iluminação pública. A vida nocturna ganhou outros contornos, com as actividades de lazer a estenderem-se noite fora.
Mas, claro está, nem tudo são rosas. Vivem-se ainda sérios problemas na área da distribuição. Um número significativo de pessoas ainda não está a beneficiar do sistema de fornecimento de electricidade. A aspiração de se beneficiar de electricidade é plenamente legítima. Daí a necessidade de se alargar o leque de investimentos no sector, de modo a satisfazer o crescente desejo das pessoas em terem acesso a tão essencial serviço.
Os oito anos de paz já produzem os seus efeitos no que se refere ao aumento da procura da electricidade nos meios urbanos de Benguela, e não só. “Isto tem a ver com a crescente urbanização e o aumento significativo da população nas cidades do litoral da província”, disse Fernando Barros.
A solução, segundo ele, já está equacionada: “para que não haja reflexos negativos nas novas áreas, procederemos à instalação de novas subestações e ao aumento dos postos de transformação”.

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