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Politraumatizados passaram a ser tratados no país

Sampaio Júnior| Benguela

O número de pessoas com ferimentos causados por acidentes de viação, imprudência no manuseamento de combustíveis e outras patologias, tem aumentado consideravelmente, exigindo assistência médica e medicamentosa especializada.

Parte dos pacientes que procuram os serviços são vítimas de acidentes de viação
Fotografia: Sampaio Júnior| Benguela

O número de pessoas com ferimentos causados por acidentes de viação, imprudência no manuseamento de combustíveis e outras patologias, tem aumentado consideravelmente, exigindo assistência médica e medicamentosa especializada. Ao tornar-se um importante problema de saúde, o Executivo aproveitou as boas infra-estruturas existentes no Hospital Geral de Benguela, construiu uma área para atender politraumatizados graves e contratou um estrangeiro especialista em cirurgia plástica reconstrutiva, imprescindível para tratar este tipo de patologia.
Com os olhos postos no futuro e com ideais voltados para o progresso, o Executivo está a modernizar toda a rede de saúde da província de Benguela. Nesta acção, teve em conta a complexa situação dos politraumatizados. Enviar centenas de angolanos ao exterior, para serem submetidos a uma cirurgia plástica e reconstrutiva, estava a obrigar o Estado a fazer um esforço económico de vulto, ao mesmo tempo que também os pacientes perdiam o aconchego do apoio familiar.
Para resolver a situação, foi instalada tecnologia moderna no Hospital Geral de Benguela e criado um serviço específico, dirigido pelo médico cirurgião plástico Kodirov Ahad, natural do Uzbequistão, uma das repúblicas que integrava a antiga União Soviética.
Casos como fracturas complexas associadas a extensas perdas cutâneas passaram a ser tratados em tempo útil no Hospital Geral de Benguela, possibilitando que os pacientes regressem mais depressa à sua vida laboral e ao convívio familiar. Kodirov Ahad, cirurgião plástico há mais de 20 anos, acompanha a especialidade e procura talentos na Faculdade de Medicina da Universidade Katiavala Bwila, para reforçar o quadro de profissionais e fazer do centro uma unidade de referência.   
“Queremos fazer deste hospital uma unidade moderna com médicos qualificados, para ajudar a impedir que os pacientes fiquem defeituosos para toda a vida”, explicou.
“Temos muitos casos”, esclarece, “diariamente, são atendidos nos consultórios dos bancos de urgência e consultas externas entre 30 a 40 pacientes, dos quais dois a três são operados”.    
Desde Agosto do ano passado, já foram realizadas 776 cirurgias plásticas reconstrutivas, no Hospital Geral de Benguela. O médico esclareceu que a sua equipa de trabalho está a realizar quatro tipos de cirurgias plásticas reconstrutivas: à mão, queimadura, contractura e estética. />Em geral, os pacientes que procuram os serviços são vítimas de acidentes de viação, domésticos, queimaduras de vários graus e má formação congénita. “Aqui, procuramos devolver a auto-estima aos pacientes para que deixem de ter complexos pela lesão corporal que os atormenta”, referiu o especialista.
As pessoas, realçou o médico, estão conscientes que devem manter a sua aparência agradável, pois ela tornou-se um elemento chave para enfrentar a vida, desde os relacionamentos interpessoais aos de trabalho.     
Kodirov Ahad referiu que as mudanças proporcionadas pela cirurgia plástica não são apenas estéticas, o seu valor é mais profundo no ser humano, pois permite reconquistar a auto-estima e o bem-estar do doente.
“O hospital de Benguela tem as condições necessárias para fazer um bom trabalho e, portanto, o cirurgião plástico tem o dever de corrigir e devolver a característica individual do corpo, proporcional ao paciente”, salientou.
Com este investimento, o Executivo angolano está a devolver a alegria a muitos angolanos que já tinham perdido esperança na vida.    
“O primeiro gesto dos familiares dos pacientes menores, e mesmo adultos, operados por mim, é o de agradecer ao Executivo angolano por ter apostado nesta área da medicina, porque muitos cidadãos não tinham possibilidades de levar os parentes para o exterior para serem assistidos  e acabavam por ficar defeituosos para o resto da vida”, esclareceu o médico cirurgião plástico.
Ao Hospital Geral de Benguela recorrem pacientes de todas as províncias do país, particularmente de Luanda. “Alguns chegam às nossas mãos em estado crítico. Procuram este serviço público e aqui encontram assistência médica e medicamentosa gratuita”, disse Kodirov Ahlad. Fazem parte da equipa vários profissionais angolanos, entre psicólogos, técnicos médios e auxiliares.
O psicólogo tem um trabalho árduo, devido aos aspectos emocionais que têm de ser recuperados.
Depois de assistidas, as pessoas têm de readaptar o seu estilo de vida. “Engana-se quem pensa que a cirurgia plástica só é benéfica para melhorar a aparência do paciente. Ela também influi directamente na auto-estima da pessoa, melhora o seu humor e até mesmo a forma de agir e encarar a vida”, sublinhou o médico.

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