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Ponte de Cucula liberta o trânsito

Sampaio Júnior | Benguela

Lobito tem desde Fevereiro a ponte de Cucula, construída sobre o mangal. A obra foi feita pelo Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN) e veio dar maior fluidez ao trânsito de automóveis pesados, que antes tinha que efectuar muitas manobras para ter acesso ao Porto Comercial.

A nova ponte permitiu desencravar a área comercial da cidade do Lobito
Fotografia: Sampaio Júnior

Lobito tem desde Fevereiro último nova ponte construída sobre o mangal, que recebeu a designação de Cucula. A obra foi feita pelo Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN) e veio dar maior fluidez ao trânsito automóvel pesado, que antes tinha que efectuar muitas manobras para ter acesso às principais unidades económicas localizadas no centro da cidade.
Cucula, que dá nome à nova ponte, é um crustáceo dos mangais do Lobito. É parecido com a mabanga e existe em abundância na região.  
Com a nova ponte, a cidade do Lobito começa a resgatar o seu estatuto de sala de visitas de Angola e um dos mais importantes pólos de desenvolvimento industrial do Centro e Sul do país.
O imponente empreendimento tem quatro faixas de rodagem e podem circular viaturas de até 40 toneladas de carga. Para a segurança dos peões, a nova ponte, além do passeio nas bermas, está totalmente iluminada, o que proporciona à noite uma vista magnífica do mangal.
A ponte de Cucula deixou para trás os engarrafamentos às horas de ponta. “Os automobilistas respiram de alívio, porque chegou o fim das longas filas e a grande concentração de camiões nas principais artérias do centro da cidade do Lobito”, afirmou o administrador municipal, Amaro Ricardo. Antes o tráfego de viaturas era feito em condições muito adversas, devido às voltas que os veículos pesados tinham de percorrer e o tempo que tinham que aguardar para ter acesso ao recinto portuário.
Por razões técnicas, os veículos com tara acima dos 3.500 quilos foram interditos de circular sobre a ponte Carmona, localizada entre os bairros da Caponte e da zona Comercial. Por isso, tinham que circular pela via da Recovajem/Kassaí e seguiam para o bairro do Compão e zona comercial, vias que permitiam o acesso às unidades económicas sedeadas no centro da cidade e efectuar o movimento de carga e descarga de mercadorias no Porto do Lobito, Sonamet, Angobetumes e estabelecimentos públicos ou privados daquela zona da cidade.
O crescimento do parque automóvel no Lobito tornou o trânsito cada vez mais complicado. A rede viária teve que ser alterada. “Com a nova ponte, a circulação de automóveis é feita sem grandes sobressaltos, as viaturas pesadas têm apenas que cumprir a ordem de chegada para realizar as operações de carga e descarga”, acrescentou Amaro Ricardo.
“Em frente à unidade policial e à entrada principal da Sonamet, foi construído um novo largo e instalado um guindaste, que prestou ao longo de muitos anos serviços de carga e descarga à empresa portuária”, explicou Amaro Ricardo, acrescentando que a colocação da rotunda e do monumento é uma homenagem prestada ao Porto do Lobito, pela Administração Municipal.
A Sonamet auxiliou os técnicos portuários a colocarem o guindaste na rotunda, disponibilizando o seu gigante guindaste DEMAG, de 450 toneladas.

Crescimento da cidade

Zona de mangais e de valas tortuosas, um dia alguém mandou aterrar parte dos mangais, por ter reconhecido as potencialidades naturais da região. Tudo isso começou no longínquo ano de 1902, altura do início da construção do Caminho-de-Ferro de Benguela, que os ingleses levaram até à fronteira do antigo Congo Belga, actual República Democrática do Congo (RDC), região do Katanga. Com os aterros dos pântanos começou a construção daquela que é hoje a cidade do Lobito.
Passados 108 anos, o Lobito continua a somar progressos nos vários domínios da vida económica e social. Várias infra-estruturas foram erguidas, proporcionando empregos a milhares de jovens, com destaque para a Sonamet, ligada ao ramo da indústria pesada, unidade fabril de produção de plataformas marítimas e outros equipamentos para exploração de petróleo em off-shore.
A Angoflex, empresa criada em Março de 2002, vocacionada para a produção de cabos submarinos utilizados na prospecção e exploração de petróleo, também criou centenas de postos de trabalho.
A marcha para o progresso é contínua. Estão em curso projectos para a construção da refinaria e quatro unidades de produção de cimento equipadas com tecnologia de última geração.
O cimento é um dos produtos fundamentais para o processo de reconstrução. Em toda a região Centro-Sul existe apenas uma fábrica de cimento, a Secil Lobito.

Porto do Lobito

De acordo com dados do Governo Provincial de Benguela, o Porto do Lobito está a ser transformado numa estrutura moderna, dotada de segurança e equipamentos de ponta para oferecer melhores serviços aos seus clientes. A empreitada em curso está a cargo da companhia chinesa Harbor Enginering Company. Tudo está a ser feito para que até o final deste ano as obras terminem.
As obras compreendem a reabilitação dos cais norte e sul com 1.122 metros de extensão e os trabalhos passaram pela desmontagem e substituição dos carris, linha de guindastes e pavimentação do recinto portuário. Com o fim destas obras, o sistema de ancoragem fica melhor e mais seguro, durante a carga e descarga de mercadorias.
No âmbito da modernização da unidade portuária, está também prevista a construção de um terminal de contentores, a construção de uma ancoragem para navios de luxo e um clube de iates.  

Encantos naturais

Os mangais do Lobito são o habitat de várias espécies marinhas e de aves de arribação que proporcionam uma rara beleza à cidade, que tem o segundo parque industrial do país, depois de Luanda.
O desenvolvimento promissor que a região conhece, impõe condições adversas aos mangais, à baía do Lobito e nas valas de irrigação da antiga Açucareira da Catumbela, que actualmente servem de canais de transporte de água  para os pequenos campos agrícolas de subsistência familiar, porque os canaviais deixaram de existir e deram lugar ao Pólo de Desenvolvimento Industrial da Catumbela.
A poluição, a caça e a pesca nos mangais contribuíram em larga escala para o progressivo desaparecimento das várias espécies, sobretudo a mascote da cidade do Lobito, o flamingo rosado, cuja presença é cada vez mais rara.

Requalificar para proteger

Um conjunto de condições físicas, químicas e biológicas para fazer prevalecer a vida da espécie vegetal ou animal nos mangais, na baía e nas valas foi recentemente levado a cabo, com a reabilitação das valas de escoamento das águas do Rio Catumbela para o mar.
A seu tempo, outras lagoas vão ter as mesmas acções de benfeitoria, para salvaguardar a nobreza dos mangais e da vida animal e vegetal na região.
O projecto consta do programa de desenvolvimento da cidade, informou o administrador municipal do Lobito, Amaro Ricardo.
De acordo com aquele reponsável, a grande aposta do Governo consiste na criação de condições para um desenvolvimento  sustentável.

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