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Província de Benguela com metade dos óbitos no país

Cerca de 50 por cento dos casos de óbitos por malária registados, o ano passado, em Angola, ocorreram na província de Benguela, revelou, à Angop, o coordenador adjunto do Programa Nacional de Controlo da doença.

Cerca de 50 por cento dos casos de óbitos por malária registados, o ano passado, em Angola, ocorreram na província de Benguela, revelou, à Angop, o coordenador adjunto do Programa Nacional de Controlo da doença.
Milton Saraiva garantiu que Benguela, apesar dos 400 mil casos diagnosticados e dos 221 óbitos, reúne todas as condições para fazer face à doença, motivo porque estes dados deixam indignados os responsáveis pela luta contra a malária no país.
Benguela, sublinhou, tem médicos suficientes para a cobertura da província, pelo que um estudo inter-hospitalar está a decorrer para se apurarem as causas do elevado número de casos.
No ano passado, disse, 67 por cento das pessoas que procuraram cuidados hospitalares, 60 por cento de internamentos e 63 por cento das mortes nos hospitais foram causados ou resultaram da malária. Milton Saraiva alertou os médicos de todas as unidades sanitárias para a necessidade do uso do COARTEM no tratamento simples da malária, “uma orientação técnica nacional, cuja cobertura ronda os 82 por cento no país”.
O médico acrescentou que outras unidades estão a ser criadas para a cobertura ser total.
Em 2009, afirmou, foram notificados 3.726.606 casos de malária. Em 60 por cento foi usada a nova terapia e nos restantes, a antiga, que “faz resistência em muitos angolanos”.
O quinino continua a ser utilizado como terapia de casos graves e complicados da malária, disse, adiantando que as autoridades sanitárias prevêem que cada família tenha, este ano, três mosquiteiros, quando o ideal era que em cada dois angolanos, um, pelo menos, tivesse mosquiteiro. “Por exiguidade de verbas isso ainda não é possível”, esclareceu.

Mosquiteiros necessários

Para cobrir o país eram necessários nove milhões de mosquiteiros, cujos preços ascendem a milhões de dólares, pois cada mosquiteiro custa perto de dez dólares, disse o médico. Com a paz, o número de pessoas atendidas aumentou nos primeiros anos, diminuindo nos tempos subsequentes por as pessoas deixaram de acreditar nos serviços de saúde, que eram débeis, por insuficiência de quadros e de unidades.
A partir de 2007, a situação mudou, registando-se um aumento de casos.  "O aumento significa haver bom trabalho, o que quer dizer que as pessoas estão a procurar os nossos serviços para serem tratados", sublinhou.

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