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Tragédia no Lobito

Maximiano Filipe | Lobito

Intensas chuvas na cidade do Lobito causaram a morte de 63 pessoas e provocaram o desalojamento de centenas de famílias. O administrador municipal, Amaro Ricardo, disse que entre os mortos estavam 24 crianças. A fúria das águas também deixou 28 casas totalmente destruídas.

Casas construídas junto às valas de drenagem foram fustigadas pelas enxurradas causadas por chuvas torrenciais na cidade do Lobito
Fotografia: Maximiano Filipe | Lobito

Os bombeiros e técnicos da Protecção Civil continuavam a  procurar vítimas entre o entulho arrastado pelas enxurradas. Há famílias que dão conta da existência de desaparecidos. As equipas de socorro suspeitam que haja vários corpos soterrados na zona de catástrofe.
As chuvas intensificaram-se a partir das 19 horas do dia 11 de Março e cessaram por volta das 23 horas, afectando principalmente as populações residentes nos bairros da Luz, 4 de Fevereiro, zona baixa de Santa Cruz, com habitações construídas em locais de risco.
Moradores das zonas sinistradas contaram à nossa reportagem que todos foram apanhados desprevenidos.
“Nunca choveu tanto no Lobito, desta vez nem tivemos tempo de retirar os nossos bens. As enxurradas chegaram de repente”, disse uma mulher idosa que chorava o desaparecimento de uma vizinha.
Até ao  fecho desta edição as equipas de socorro continuavam a escavar no entulho para tentarem encontrar vítimas soterradas pelas enxurradas.
As populações das zonas de São Pedro, Morro da Quileva, área que se estende até à zona alta da cidade do Lobito, também foram afectadas.
O administrador do Lobito, Amaro Ricardo, disse ontem aos jornalistas: “É uma área onde as populações construíam as casas junto de ravinas e por cima das valas de drenagem, contrariando as disposições e todos os avisos que foram feitos pelas autoridades”, frisou o administrador.
A comissão técnica provincial, coordenada pelo vice-governador para a Esfera Técnica e Infra- estruturas, Victor Moita, continua a trabalhar para a identificação de outras pessoas, que presumivelmente podem estar mortas.
Na sequência dos trabalhos, o governo da província de Benguela disponibilizou bens alimentares aos sinistrados, além de transportes, urnas e diversos tipos de utensílios para realizarem um  funeral condigno das vítimas e apoiar as famílias enlutadas. Os bombeiros e técnicos da Protecção Civil continuavam ontem ao início da noite à procura de vítimas. Os desalojados estão a receber todo o apoio da Protecção Civil e da Administração Municipal do Lobito.

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