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Universidade leva progresso ao Centro e Sul

Sampaio Júnior| Benguela

A Universidade Katyavala Bwila, criada no âmbito da extensão e autonomização do sistema de ensino superior no país, vai assegurar o progresso da região de Benguela e do Kwanza-Sul.

O Porto do Lobito e outros sectores económicos têm muito a ganhar com a instalação da Universidade na província
Fotografia: Santos Pedro

 
A Universidade Katyavala Bwila, criada no âmbito da extensão e autonomização do sistema de ensino superior no país, vai assegurar o progresso da região de Benguela e do Kwanza-Sul.

 É com esta convicção que os benguelenses encaram a nova Universidade.
Agostinho Kalupeteka, 17 anos, que terminou o ensino médio no ano lectivo passado, disse, ao Jornal de Angola, que a nova Universidade é um investimento público oportuno e à altura dos desafios da região.
“A Universidade está a promover o optimismo dos que pretendem aumentar o seu nível de conhecimento técnico ou científico, particularmente dos jovens sem recursos para frequentar o ensino superior privado”, afirmou.
“Ficou para trás o tempo em que os encarregados de educação tinham de mandar os filhos para outras províncias, ou mesmo ao exterior do país, para os ver concluir os estudos universitários”, lembrou Esperança Costa, encarregada de educação.
Os responsáveis dos órgãos executivos das várias unidades orgânicas já foram nomeados, por despachos do secretário de Estado para o Ensino Superior, Adão do Nascimento, para um mandato de quatro anos.
Para decano da Faculdade Direito foi nomeado Carlos Pedro Baptista. Solange do Carmo da Costa Teixeira e Sónia Cristina Cardoso dos Santos Silva são vice-decanas para as áreas académica e científica.
A Faculdade de Economia tem como decano João Milando, coadjuvado por Pedro Carmo Pereira Neto, na área académica, e José Nicolau Silvestre, na científica.
Mariana da Cunha Junqueira é a titular da Faculdade de Medicina, tendo como vices Fernando Pedroso Brandão, área académica, e Felisberto Soares de Lima, área científica.
Para os Institutos Superiores de Ciências de Educação (ISCED) de Benguela e Sumbe, Adão do Nascimento nomeou para decanos Carlos Alberto Lopes e Amélia de Jesus de Oliveira Freire Sakongo, tendo como substitutos na área académica Maria José dos Santos Garcia e António Zinga, ao passo que Abílio Sussena e José Nambalo Mulay-Dua são coadjuvantes nas questões científicas. 
Manuel Afonso é o decano do Instituto Superior Politécnico do Lobito, secundado por Joaquim Manuel de Sequeira Neto e Carvalho e Lázaro Emílio Makili nas áreas académica e científica.   

Energia eléctrica

A Empresa Nacional de Electricidade em Benguela conta com novos engenheiros, saídos recentemente da Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto, que se encontram a estagiar. 
O sector da electricidade está a receber investimentos de monta para colmatar o constante e arreliador vaivém do fornecimento de energia eléctrica, tendo começado já a reabilitação da barragem hidroeléctrica do Lomaum, que é a maior unidade de produção de energia eléctrica da província. As obras, a cargo de uma empreiteira afecta ao Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN), decorrem a bom ritmo. O fim dos trabalhos está previsto para daqui a dois anos. 
No sector energético decorrem, também, estudos para regularização do rio Kacongo, com vista a permitir a construção de uma segunda central hidroeléctrica.   
As cidades do litoral da província de Benguela recebem energia eléctrica de fontes térmicas, localizadas nas cidades do Lobito e de Benguela, em cadeia com a central hídrica do Biópio. Este sistema, por razões técnicas ligadas ao transporte e distribuição, propicia alguns cortes no fornecimento ao longo das 24 horas.
Quando a barragem hidroeléctrica do Lumaum entrar em funcionamento, a maioria das centrais térmicas entram em defeso e só são chamadas a intervir em situações de emergência.

Comboio na fronteira

Apesar da ligeira paragem da empreitada de reabilitação do Caminho-de-Ferro de Benguela, verificada no ano passado, a direcção do CFB está confiante que o comboio vai chegar à fronteira em 2012. 
As obras sofreram um certo abrandamento como resultado da crise económica e financeira mundial. Uma fonte assegurou ao Jornal de Angola que “o retorno aos trabalhos vai ser feito à velocidade de cruzeiro e com maior intensidade, para recuperação do tempo perdido”. A reabilitação do CFB está a cargo da empreiteira chinesa China Railway 20 Bureau Group Corporation, estando estimada em 200 milhões de dólares, financiados por um banco chinês. 
Com a reabilitação dos 1.301 quilómetros de linha, em que constam pontes, substituição de travessas, requalificação de estações do Lobito até ao Luau, a conclusão das obras ficou aprazada para 2012, altura em que o comboio vai apitar na fronteira e ligar-se aos países vizinhos da África Austral.
A RDC, Zimbabwe, Zâmbia e Botswana são as nações do continente que primeiro vão beneficiar deste importante marco no processo de reconstrução de Angola.
Basta entrar em funcionamento o corredor ferroviário do Lobito ao Luau, que Porto Comercial do Lobito, outra unidade empresarial de referência na economia angolana, ganha logo outra dinâmica. Por ele vão passar obrigatoriamente o embarque e desembarque de mercadorias dos países encravados da região.
O peso do CFB na balança económica do país é muito importante. Com o comboio, a vida dos empresários e agricultores vai passar a estar mais facilitada, quanto ao transporte de bens e serviços, uma vez que as tarifas são menos onerosas em relação a outros meios.
A população rural é outro extracto social que vai beneficiar da entrada em funcionamento do comboio. As trocas comerciais entre o campo e cidade vão um ritmo mais crescente e os problemas que se põem com o escoamento de bens e serviços do campo podem terminar.
    
Variante do Cubal

O comboio chegou ao Cubal em Junho de 1908, proveniente do Lobito e continua a ser o percurso. Vamos viajar um pouco sobre a história da Variante Cubal: o terreno acidentado e árido colocava problemas técnicos de difícil solução. Ao quilómetro 54, por exemplo, foi necessário utilizar um complicado sistema de cremalheiras, porque, em dois quilómetros de percurso, o comboio passava da cota 97, no Lengue, para a 236, em São Pedro.
As cremalheiras foram abandonadas em 1948, com a construção da variante do Lengue. Em 1972, foi iniciada a construção de um novo trajecto entre o Lobito e o Cubal, que ficou concluído em Outubro de 1974 – a variante do Cubal.
A distância entre o Lobito e o Cubal passou de 197 para 153 quilómetros. O número de curvas, de 415 para 122 e o raio mínimo, de 100 para 350 metros. Em 31 de Dezembro de 1974 o CFB possuía 103 locomotivas a vapor. Doze anos depois, a 30 de Junho de 1987, só 16 se mantinham operacionais. As primeiras locomotivas diesel foram adquiridas em 1974.
O troço Lobito-Cubal, após muitos anos de interrupção, foi reinaugurado no dia 18 de Dezembro de 2004, mas só arrancou definitivamente em Julho de 2005 devido a obras de manutenção e restauro da ponte sobre o rio Halu, a 79 quilómetros da cidade do Lobito, com cerca de 300 metros de comprimento e 10 de largura. A circulação dos comboios faz-se agora três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas. 

Pólo industrial
da Catumbela 

O Pólo de Desenvolvimento Industrial da Catumbela (PDIC) gerador de novos postos de trabalho, enche de orgulho os que, diariamente, percorrem os 30 quilómetros entre as cidades do Lobito e de Benguela, ao verem o surgimento de novas unidades fabris. Ali, onde antes exista o canavial da antiga açucareira do Kassequel, há, agora, Pólo de Desenvolvimento.
O Pólo de Desenvolvimento Industrial da Catumbela, está a crescer e passa por um dos seus melhores momentos. Já deu emprego a milhares de jovens, graças à entrada em funcionamento de novas unidades fabris e por arrastamento regista elevado interesse de investidores na construção de infra-estruturas ligadas à indústria a transformadora.
As oportunidades de negócios tem estado a registar um dinâmico crescimento que vai ser suportado por empreendedores que já têm unidades de produção, quer no país, quer no estrangeiro e que no quadro da visão de expansão pretendem estender os negócios à Vila da Catumbela. Pensando, também, nos grandes desafios, há os de investidores emergentes, concretamente jovens que pretendem iniciar-se mundo empresarial, com algum “faro” para ramo da indústria transformadora.   
Não existe nenhum processo selectivo para os interessados terem acesso aos terrenos e à constituição do empreendimento no PDIC. É apenas necessário que investidor cumpra com o que está estabelecido pelo regulamento da instituição, que é uma dependência do Ministério da Industrial. 
O Pólo Desenvolvimento Industrial da Catumbela rege-se de politicas de licenciamentos aprovados pelo Governo, que incentivam a iniciativa empresarial, visando promover o desenvolvimento e a modernização da economia angolana, a partir de pequenas e medias empresas com projecções para o combate a fome e à redução da pobreza.
O Pólo Desenvolvimento Industrial da Catumbela, criado no âmbito de uma visão estratégica do Governo, é um projecto tido como instrumento competente para alcançar o desenvolvimento económico na região que vai garantir o crescimento de forma sustentada da economia, a partir das pequenas e medias empresa. Está localizada numa área com 272 hectares, entre as cidades do Lobito e da Vila da Catumbela, limitada a norte pela via expressa Lobito Benguela a e sul, pelo troço do caminho-de-ferro Benguela.

Milhares de mulheres
trabalham no campo

Na província de Benguela, cerca de 180 mil mulheres, de um universo de trezentos mil famílias, estão empenhadas na produção agrícola.
O dia-a-dia da mulher rural tem sido de uma contribuição extraordinária na diminuição da fome e combate à pobreza.
O Ministério da Agricultura, por intermédio das Estações de Desenvolvimento Agrícola (EDA), presta um grande apoio à mulher rural, que conta, ainda, com ajuda de Organizações Não Governamentais. Já existem casos em que as mulheres recorrem ao crédito bancário, para sair da agricultura de subsistência para a semi industrial.
O Banco Sol e o Novo Banco são as duas instituições que mais têm prestado apoio financeiro à mulher rural.                

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