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Violência preocupa organizações femininas

António Gonçalves | Benguela

 A violência doméstica e o analfabetismo no seio das mulheres continuam a constituir preocupação das organizações femininas em Benguela.

Mulheres vão deixar de deambular pelas ruas com produtos à cabeça
Fotografia: Francisco Bernardo

 A violência doméstica e o analfabetismo no seio das mulheres continuam a constituir preocupação das organizações femininas em Benguela.
Por isso, a organização feminina do MPLA juntou recentemente num debate radiofónico diversas organizações femininas locais, para abordar estas e outras questões que ainda afligem a mulher, condicionando cada vez mais a sua inserção social.
O apelo às mulheres de todos os estratos sociais para a redução do analfabetismo no seio delas, os casos de violência doméstica e a integração da mulher no mercado de trabalho foram os temas que mereceram maior destaque durante o debate radiofónico, realizado numa das estações de rádio locais.
Durante o debate, inserido na jornada “Março Mulher”, que contou com a participação da organização feminina do MPLA, das associações da mulher empresária, do bem-estar da família, de professoras, das mulheres camponesas, associação das mulheres médicas, das mulheres zungueiras e da direcção provincial da Família e Promoção da Mulher, a directora provincial da Família e Promoção da Mulher, Idalina Carlos, informou terem sido registados no centro de aconselhamento daquela direcção, durante o ano de 2009, 295 casos de violência doméstica, cujo destaque vai para o incumprimento de mesada, fuga à paternidade, espancamentos e a expulsão do lar de mulheres pelos respectivos maridos.
Tendo em conta a má interpretação por algumas famílias relativamente à missão e o objectivo da criação dos centros de aconselhamento, a directora provincial da Família e Promoção da Mulher explicou que a tarefa dessas instituições é a de passar a mensagem da tolerância, de amor e da concórdia no seio da família e tentar resolver os conflitos na base do diálogo, na base do qual assenta o primado pelo código de família, onde os deveres da família e as obrigações das partes devem ser cumpridos na íntegra.

Créditos bancários

Visando inserir as mulheres no trabalho socialmente útil, no âmbito do programa de redução da pobreza, 17.940 mulheres chefes de família beneficiaram, durante o ano de 2009, de créditos no valor de 9.863.280 dólares.
Apesar desses números não fazerem face às reais necessidades das mulheres, uma vez que elas estão cada vez mais presentes no mercado competitivo angolano, a directora provincial da Família e Promoção da Mulher acredita que o governo vai continuar a trabalhar com as agências de financiamento no sentido de continuarem a facilitar o acesso ao crédito para as mulheres, uma vez que continuam a ter ainda dificuldades em competir com os homens.

Direitos sexuais e reprodutivos devem ser observados

Visando melhorar a saúde mental e reprodutiva da família, estão a ser realizadas, desde o último trimestre de 2009, nos municípios de Benguela, Baía Farta, Bocoio e Balombo, palestras sobre as formas de evitar o contágio do HIV/Sida, o planeamento familiar e sobre a violência sexual e no lar, nas quais as famílias, com particularidade para as mulheres, têm reagido positivamente, uma vez que o que necessitam é informação e o objectivo das palestras é informar a mulher sobre as decisões que devem tomar em relação a estes factos importantes das suas vidas.
De acordo com a ginecologista Teresa Canga, os direitos sexuais e reprodutivos da mulher na sociedade angolana são constantemente violados pelos homens, uma vez que a mulher ainda não decide sobre a sua própria sexualidade. “No decorrer dessas palestras temos elucidado as mulheres sobre os seus direitos e que certas atitudes que alguns homens tomam são puníveis perante a lei”, disse.
As palestras têm igualmente servido para sensibilizar as mulheres no sentido de começarem a dar algum espaçamento nos nascimentos, porque quanto mais filhos a mulher tiver menos possibilidades terá de criá-los.
A orientação, de acordo com a especialista em ginecologia, visa educar as mulheres no sentido de começarem a planificar os nascimentos dos seus filhos, porque só com mulheres saudáveis teremos uma sociedade saudável.

Mulher zungueira

Um projecto conjunto que conta com a parceria da Polícia Económica, a Cooperativa da Mulher Empresária, as administrações municipais e a direcção provincial da Família e Promoção da Mulher, vai ser implementado brevemente em Benguela, para enquadrar socialmente a mulher zungueira.
De acordo com a presidente da Associação das Mulheres Empresárias de Benguela, Teresa Borges, o facto de nos últimos tempos se ter verificado um grande número de mulheres deambulando pela cidade, vendendo produtos diversos à cabeça ou vendendo-os em passeios, sem o mínimo de condições de higiene, num autêntico atentado ao código de postura, está na base dessa iniciativa conjunta.
De acordo com Teresa Borges, elas praticam todo o tipo de anarquia, porque não estão organizadas. Não escolhem o local onde praticam a venda dos seus produtos e quando abandonam esses locais deixam-nos com todo o lixo que produzem enquanto lá estiverem e, por isso, a polícia e as administrações tudo fizeram para tirá-las da rua.
Porém, disse Teresa Borges, “como se chegou à conclusão que essa não seria a melhor solução, pois elas precisam de sobreviver e sustentar os seus filhos e as suas famílias, pensamos em organizá-las, dando-lhes paz e tranquilidade, para vender os seus produtos de forma ordeira e organizada”.
“Pretendemos inserir neste projecto um seminário onde vamos orientá-las sobre a forma como vender devidamente os produtos, nomeadamente sobre a necessidade de os terem devidamente embalados e com uma qualidade higiénica melhor apresentável”, acrescentou Teresa Borges.
Numa primeira fase, o projecto vai apenas ser implementado no município de Benguela como experiência piloto. Já foram localizadas áreas para a colocação das vendedoras que vão trabalhar em feiras itinerantes, que vão mudar todos os dias de lugar e, independentemente das vendedoras serem sempre as mesmas, os locais serão sempre diferentes.
Os locais serão indicados pela administração municipal e as vendedoras serão dotadas de todo o tipo de equipamentos para trabalhar, como são os casos de mesas, cadeiras, sombrinhas para a protecção do sol, tambores de lixo, as embalagens plásticas, batas, aventais, para que no local elas tenham boa aparência, para que o seu produto seja vendido.
O projecto vai ser acompanhado e monitorado por todos os intervenientes e a preferência vai para os horto-frutícolas, calçado, vestuário e produtos de beleza.

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