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Benguela activa vigilância epidemiológica

António Gonçalves | Benguela

As autoridades sanitárias de Benguela activaram o sistema de vigilância epidemiológica, para a contenção dos casos de febre-amarela e do aumento substancial do número de casos de malária, anunciou sexta-feira o director provincial da Saúde.

Panorâmica da cidade de Benguela onde foram traçadas novas estratégias de prevenção contra a malária e a febre-amarela
Fotografia: Francisco Bernardo

Bernabé Lemos disse igualmente que o sector está a fazer uma busca activa de casos de febre-amarela, para que os doentes possam ser mais rapidamente socorridos pelos técnicos.
Para fazer face à situação, o director avançou que os técnicos foram refrescados em matéria de notificação e sintomas, assim como as direcções dos hospitais estão orientadas a manterem os stocks de testes para o diagnóstico referencial da febre-amarela.
Estas medidas foram tomadas pelo facto de se confundir o diagnóstico da malária com o da dengue e da chicungunya, enfermidades também transmitidas pela picada do mosquito e que se manifestam por febres no doente.
A confirmação laboratorial é feita na base do trabalho da vigilância epidemiológica, através da recolha das amostras e envio a Luanda, onde existe o laboratório nacional. “Por isso, o diagnóstico referencial é necessário, para que se tenha uma percepção do que está a ser tratado”, acrescentou.
O sector tem estado a sensibilizar a população para a observância das medidas de prevenção individual e colectiva, como é o caso do saneamento, dar um destino adequado ao lixo, uma vez que estes têm implicações directas para que a doença se transmita a mais pessoas. Neste momento, dos 20 casos confirmados laboratorialmente na província, oito foram notificados no município do Lobito, enquanto Benguela, Cubal, Ganda e Chongorói registaram cada três doentes.

Cuidados com a malária


Apesar de as pessoas se mostrarem mais preocupadas com a febre-amarela, o director da Saúde em Benguela disse que a malária continua a ser a primeira causa de mortalidade, tendo sido notificados mais de 42.500 casos, que provocaram 105 mortes, entre Janeiro e Fevereiro.
As formas de prevenção da febre-amarela e da malária são as mesmas, uma vez que estão viradas para o combate ao vector que é o mosquito, residindo a diferença no facto de que, para a primeira, existe uma vacina sem tratamento específico, enquanto para o paludismo, o tratamento é sem vacina.
As campanhas massivas de vacinação contra a febre-amarela na Angola Independente têm ocorrido desde 1976 e a vacina de rotina sempre existiu a nível das unidades sanitárias. “O técnico que imuniza sempre esteve no hospital e a vacina desta doença, nalguns casos, tem expirado nas unidades sanitárias porque os pais não levam as crianças”, realçou.

Pressão para a campanha


O médico confirmou que há uma grande pressão das famílias para que se realize a campanha de vacinação contra a febre-amarela, mas actualmente não existem condições para que a mesma seja efectivada, por falta de vacinas suficientes.
Já foi elaborado um plano de contingência onde estão previstos recursos para a campanha nos próximos tempos.
O micro plano está elaborado e as equipas para a vacinação do grupo-alvo já estão identificadas, faltando apenas a realização da formação e a mobilização de recursos para a realização de uma campanha, quando se justificar.
Face ao fluxo de doentes que procuram as unidades hospitalares de referência dos municípios, é necessário o reforço da capacidade de resposta dos hospitais, principalmente em termos de recursos humanos.

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