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A força da mulher rural nas comunidades do Bié

Delfina Vitorino | Cuito

Camponesas de 56 cooperativas agrícolas e 78 associações estão empenhadas em vários projectos com o objectivo de acabar com a fome e a pobreza nas comunidades rurais da província do Bié.

Camponesas de 56 cooperativas agrícolas e 78 associações estão empenhadas em vários projectos com o objectivo de acabar com a fome e a pobreza nas comunidades rurais da província do Bié.
As mulheres camponesas estão empenhadas em aumentar a produtividade para pagarem os créditos bancários obtidos, alimentarem e educarem os filhos. Esta campanha agrícola está a correr bem e esperam colheitas abundantes.
“A nossa cooperativa conseguiu crédito para esta colheita e temos de trabalhar muito porque é preciso pagar o empréstimo para que outros também sejam ajudados pelo banco”, disse à nossa reportagem Maria Sapalo, uma camponesa que trabalha duas lavras nos    arredores do Cuito.
As camponesas do Bié vão com os filhos às costas para as lavras, tratam das culturas, colhem os produtos e levam-nos à cabeça nos baldes e “banheiras” para os mercados mais próximos. Só regressam para as suas casas quando têm tudo vendido. 
Logo pela manhã, as estradas da província enchem-se de grupos de camponesas com as enxadas ao ombro e sacos. Vão em direcção às lavras e fazendas para mais um longo dia de trabalho. São mulheres mães de filhos, jovens e até crianças já com corpo para trabalhar. Vão cultivar para depois colher o que comem, o que vendem e também o que se estraga, por falta de escoamento das colheitas.  Várias mulheres levam os filhos às costas e bacias na cabeça. Vão em busca do pão de cada dia para sustentar a família.
Arroz, feijão, milho, banana, hortícolas e café são os principais produtos cultivados. Nos campos está a sobrevivência das mulheres do Bié. O município do Chinguar é o maior produtor de bata. Todos os dias chegam ao município dezenas de comerciantes, vindos de todo o país, para comprar às camponesas a excelente batata da região.
“Temos muitos clientes para a nossa produção porque a batata do Chinguar tem muita qualidade e assim temos algum rendimento da terra”, disse Luzia Conceição, associada a uma cooperativa do município que este ano também conseguiu um crédito para aumentar a produção.
As quitandeiras da província do Bié, são ao mesmo tempo camponesas. Elas vendem o que cultivam e ainda lhes sobra tempo para cuidar da família e educar os filhos.
Na cidade do Cuito, as vendedoras ambulantes comercializam desde vestuário, aos produtos da terra e materiais de cozinha. As camponesas, depois de semearem e colherem, levam os produtos aos mercados para fazerem a venda a retalho.
Expõem as mercadorias ao ar livre, no chão, ou em bancadas.
Começando pelas mulheres vendedoras da zona rural, que expõem as suas mercadorias nas beiras das estradas esperando os viajantes que circulam dentro e fora da província para a compra dos seus produtos.
 
Parteiras tradicionais
 
Muitas camponesas também são parteiras tradicionais e têm contribuído para a realização de partos com segurança nas localidades rurais. Tendo em conta o seu papel humanitário, sem nenhuma remuneração, o Governo Provincial tem distribuído pelas parteiras tradicionais instrumentos de trabalho, baldes, bacias, panos, sal e frescos para a ajuda alimentar.
Na província estão registadas 1.878 parteiras tradicionais na Direcção da Família e Promoção da Mulher. Deste número, 363 já têm formação como parteiras mas está prevista a formação de 15 mil.

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