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Alunos em municípios querem ensino superior

José Chaves | Cuito

Finalistas de diversos cursos do ensino médio e candidatos ao ensino superior nos municípios do Andulo, Nharêa, Cuemba e Camacupa  solicitam ao Executivo a extensão do ensino superior nas referidas localidades da província do Bié.

Extensão de núcleos do ensino superior poderia ajudar a travar a fuga de quadros
Fotografia: Edson Fabrízio | Cuito | Edições Novembro

O pedido deve-se ao facto de a província do Bié contar apenas, na cidade do Cuito, com a Universidade “José Eduardo dos Santos”, afecta à IV Região Académica, que abrange também as províncias do Moxico e do Huambo.
Para os candidatos ao ensino superior, a falta de núcleos universitários tem criado muitos constrangimentos sobretudo aos jovens que vivem nos municípios do Andulo, Nharêa, Cuemba, Camacupa, Catabola, Chitembo e Chinguar que pretendem dar sequência aos estudos, para melhor contribuírem para o desenvolvimento do país.
Actualmente, os estudantes residentes no interior da província têm de se deslocar à cidade do Cuito ou para outras províncias quando pretendem concluir a sua formação universitária.
Rosa Naviqueia, de 18 anos, finalista da Escola de Formação de Professores da Nharêa, disse que a falta de um núcleo do ensino superior no seu município ou no Andulo está a fazer com que muitos jovens não consigam dar sequência aos estudos.
Artur Vitunganhala, professor do I Ciclo do ensino secundário no Cuemba, tem a intenção de ingressar numa universidade, mas a falta de um núcleo no município está a inviabilizar os seus sonhos. O docente assegurou que não tem outra alternativa para prosseguir os estudos senão inscrever-se no Cuito ou na vizinha província do Huambo.
Odeth Maria, 20 anos, terminou o ensino médio no ano passado e agora vai deixar a vila do Andulo para frequentar uma universidade em Luanda.
Mauro Sapalo, finalista da Escola de Formação de Professores no Andulo, defende a instalação urgente de um núcleo do ensino superior na região norte da província, para evitar que os quadros se desloquem para outras áreas do país.
O professor pede ao governo provincial a instalação de um núcleo no município para evitar a fuga de quadros nos diversos sectores. No Bié funcionam a Escola Superior Pedagógica, a Escola Superior Politécnica, pertencente à Universidade José Eduardo dos Santos, e o Instituto Superior Politécnico do Cuito, este último de carácter privado.
O ensino superior no Bié foi retomado em 2005, depois de uma paralisação de cerca de 16 anos.
O vice-governador do Bié para a área Política e Social reafirmou o contínuo apoio do Governo às instituições do ensino superior, visando a melhoria da qualidade do ensino.
Carlos Ulombe da Silva assegurou ainda que as entidades governamentais, em parceria com o Ministério do Ensino Superior, prevêem, para os próximos tempos, expandir a formação universitária aos municípios de Camacupa (para atender as regiões de Catabola e Cuemba) e do Andulo (a fim de capacitar quadros da Nharêa e Cunhinga.

Fuga de quadros

A falta de um núcleo do ensino superior está a propiciar a fuga de quadros do município da Nharêa, na província do Bié, situação que está a fragilizar o funcionamento das instituições públicas locais, disse a administradora municipal, Maria Lúcia Chicapa.
De acordo com a responsável, todos os anos o número de estudantes candidatos ao ensino superior aumenta consideravelmente, mas, por falta de um núcleo universitário, muitos munícipes preferem abandonar a zona.
Esta situação, segundo a administradora da Nharêa, pode colocar em risco o projecto do Executivo angolano que visa o desenvolvimento dos municípios e zonas rurais.
Maria Lúcia Chicapa disse que a extensão de salas das diferentes instituições do ensino superior ao município, sobretudo no ramo da formação de professores, poderia ajudar na contenção do problema.

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