Províncias

Aniversário celebrado com mais progresso

Mário de Carvalho | Cuito

Catabola, antiga Nova Sintra, municipalidade da província do Bié, completa hoje 51 anos, desde a sua elevação à categoria de concelho, em 1963.

Quilómetros de estradas nacionais estão a ser recuperados o que garante muitos empregos aos jovens do município
Fotografia: Dombele Bernardo

As festividades, que decorrem nos próximos dias, reservam, entre outras, uma palestra sobre o tema “Catabola, ontem e hoje", um culto de acção de graças, actividades culturais com muita música e um quadrangular de futebol 11.
O administrador municipal, Domingos Óscar, destacou o empenho da população local e de outras localidades nas tarefas de reconstrução e criação de novas infra-estruturas, desde que o país alcançou a paz, em 2002.
Nos últimos anos, o número de escolas, hospitais e outros empreendimentos de carácter social estão a conhecer um crescimento considerável, o que contribuiu para a redução de crianças fora do sistema de ensino e melhorou os cuidados de saúde e outros serviços.
Neste momento, o município dispõe de uma fábrica de tijolos e de telhas, construída pela Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA), que emprega maioritariamente antigos militares e jovens locais, o que representa um contributo para o progresso da região.
O comércio é desenvolvido em lojas, cantinas e outros estabelecimentos, o que permite à população adquirir com facilidade os produtos essenciais, pondo fim à necessidade de se deslocar ao Cuito para o efeito, como acontecia em anos anteriores.
Catabola tinha apenas uma indústria de descasque de arroz, que foi destruída pela guerra, mas, neste momento, decorrem negociações para a reabilitação da unidade fabril, dados os índices alcançados na produção do cereal. Tal como noutras comunidades etnolinguísticas angolanas, a produção de bens alimentares é uma responsabilidade da família, com a maioria da população a praticar uma economia familiar baseada na agricultura, onde a charrua com tracção animal, enxada, machado e catana são os instrumentos de trabalho mais utilizados.
Nos dias que correm, o tractor é utilizado por camponeses, associados em cooperativas agrícolas. Com o solo bastante arável, cultivam milho, feijão, mandioca, arroz, trigo, citrinos e hortícolas.
Além da produção agrícola, a caça é outra actividade praticada pelas comunidades da região, que utilizam, para o efeito, armadilhas de cordas, denominadas “olonjanjo”, zagaias com flechas e ocanhangulu, que é um cerco feito com paus, e a ajuda de cães. A pesca artesanal é outra tarefa da população local, feita com nassas (ovileva), trovão de água (ocuvenguela), rede feita de cordas (ouanda) e recolha de peixes nas lagoas.

Energia eléctrica

O abastecimento de corrente eléctrica ao município é feito através de grupos geradores instalados na sede e em todas as comunas, que também dispõem de painéis solares para a iluminação pública e o funcionamento de bombas de água.O município está situado no centro do Bié, a 56 quilómetros da capital da província, limitado a leste pelo município de Camacupa, a norte por  Nharea, nordeste Andulo, a sul pela comuna da Cambândua (Cuito) e a oeste pela do Cunje. Com uma superfície de 5.148 quilómetros quadrados. Com uma população calculada em quase 155 mil habitantes, o município de Catabola apresenta um clima húmido temperado, com temperaturas que variam entre 22 e 17 graus centígrados e uma precipitação que chega aos 1.500 milímetros.
O município apresenta um relevo e solos com uma predominação argilosa e arenosa, possui uma vegetação florestal com cobertura primitiva menos densa. Possui ricos e potenciais recursos hídricos, com referência para os rios Cunje, Cuquema, Cuito e Cuonjo, com possibilidades de aproveitamento para a irrigação e construção de barragens hidroeléctricas. No subsolo podemos encontrar pedras preciosas, argila, quartzo e tinta oca. Catabola compreende seis comunas, Chipeta, Sande, Caiuera, Chiuca, Muquinda e a sede municipal, com uma população constituída, maioritariamente por umbundos. Existem ainda na região nganguelas e quiocos.
 
Usos e costumes
 
A população do município de Catabola tem como costume as danças catita, olondongo, savoia, ocanhe, omenda, cuenda e osseia. Utilizam como instrumentos musicais a ocalialia, ochissanji, ondingu, onôma, omussa, ombumbmba e ochingufu.
As mulheres, no seu quotidiano, usam panos pintados (opindali), chamados também de cavichala, com um cinto preto (olimbueta), enquanto os homens se cobrem de panos envolvidos até aos pés (bimbalanco ou ombilili), com uma tira em baixo, e calçam oluhacu ou ovipalacata.
A circuncisão (evamba) é praticada e envolve o famoso chinganji, que tem como rei embuangungu, que aparece de cinco em cinco anos, tal como a excisão feminina, denominada ochissambué.
Antes da chegada dos portugueses, havia dois reinos, Ondulo e Vié, onde se situava a povoação de Catabola, habitada por umbundos e bailundos. No sul, viviam os ngaguelas, que com a expansão da colonização foram sujeitos ao comércio de escravos.
Até 1932, a antiga Nova Sintra era o primeiro posto administrativo do conselho de General Machado, actual município de Camacupa, e por portaria do então distrito de Silva Porto, de 13 de Julho de 1963, passou da categoria de posto administrativo à de concelho, referem documentos da administração municipal.

Tempo

Multimédia