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Aposta no trabalho doméstico

José Chaves | Andulo

O número de empregadas domésticas na vila do Andulo, província do Bié, que garantem o sustento de várias famílias da região tende a crescer.

O mercado informal é o principal empregador de um número elevado de mulheres que se dedica à venda de produtos diversos
Fotografia: Rogério Tuti

O número de empregadas domésticas na vila do Andulo, província do Bié, que garantem o sustento de várias famílias da região tende a crescer. Dentre as actividades destas mulheres, destacam-se as que têm a ver com cuidados de crianças, lavar e passar a roupa, cozinhar, acarretar água e arrumar casas ou estabelecimentos comerciais.
As empregadas, norma geral, trabalham em residências de funcionários públicos, comerciantes e até estudantes, que residem na emblemática vila do Andulo. Algumas delas chegam a trabalhar até três dias por semana na mesma casa. O pagamento é de preferência feito ao fim de cada jornada de trabalho.
Maria Silepo, de 36 anos, possui cinco filhos sob sua dependência. A empregada doméstica disse que o preço cobrado pelos serviços prestados varia de acordo com o trabalho efectuado, sendo 100 kwanzas pela lavagem da louça e 200 para cozinhar.
O trabalho conjunto que envolve a louça e arrumação da casa custa 200 kwanzas. Já acarretar água num bidon de 20 litros é tabelado em 100 kwanzas. 
Inácia Cuyanda, de 22 anos, que há três anos trabalha nesta actividade, disse ao Jornal de Angola que o dinheiro que ganha não resolve todos os seus problemas, mas ajuda na compra da alimentação e vestuário para os filhos.
Além do trabalho como empregadas domésticas, as mulheres dedicam-se às actividades do campo. Muitas delas são chefes de família.
Maria Nassongo, mãe de duas filhas, diz que o segredo para conseguir emprego consiste na boa apresentação. “O dinheiro que consigo não é muito, mas é suficiente para manter as duas filhas na escola”, disse.
Maria lamenta não poder contar com a pensão dos filhos, porquanto o pai das pequenas falta às suas obrigações no que se refere ao subsídio de alimentação.
A secretária municipal da OMA do Andulo, Elisa da Graça, aconselhou as mulheres a auto-valorizarem-se para puderem ser respeitadas pelos seus parceiros.
A responsável da OMA afirmou que a organização que dirige realiza encontros quinzenais com algumas delas, incentivando-as a participar nas aulas de alfabetização e outros cursos, como de corte e costura e cozinha.

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