Províncias

Aumentam as acusações de feitiçaria na província

Delfina Victorino | Cuito

O elevado número de acusações de feitiçaria contra idosos por parte de familiares está a preocupar as entidades governamentais e a sociedade do Bié, disse na terça-feira, no Cuito, o director do lar de terceira idade Elavoko ly omuenho (esperança de vida).

Autoridades preocupadas com a situação
Fotografia: Mavitide Mulaza

Caridade Massoli referiu que a maioria dos velhos que se encontram na instituição foi acusada de feitiçaria pelos próprios familiares, principalmente por filhos, que tentam livrar-se das responsabilidades sociais e familiares, através de motivos de acusação, atitude que considerou altamente reprovável.
Muitos dos casos que ali chegam estão relacionados com a pobreza extrema, enfrentada por muitas famílias, acrescentou.
O lar trabalha com uma equipa multissectorial, que tem a responsabilidade de avaliar em termos psíquicos e económicos a situação financeira dos familiares, para evitar o abandono constante dos mais velhos. A inserção dos idosos no lar passa pela adaptação ao meio, tendo em conta os hábitos e costumes provenientes dos locais de origem. “O abuso do consumo de álcool e do cigarro são os principais hábitos que os idosos não conseguem abandonar no lar", disse, para acrescentar que tem sido feita uma terapia ocupacional destinada a reduzir a tendência para esses vícios.
O aproveitamento das competências intelectuais e profissionais dos idosos tem sido prática da instituição. Entre elas, destacam-se os trabalhos tradicionais da quinta, os cestos de papel, as capoeiras de galinha, o descasque de batatas e cenouras, além do cultivo. O objectivo é ajudar os idosos a ocuparem os seus dias de forma positiva.
Caridade Massoli referiu, ainda, que o sector da Saúde e da Justiça são os principais parceiros do centro. O lar tem capacidade para albergar 156 idosos, mas, neste momento, tem apenas 58, na sua maioria do sexo feminino.

Tempo

Multimédia