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Chuvas torrenciais provocam vítimas

João Constantino| Cuito e Weza Pascoal| Menongue

Fortes chuvas, acompanhadas de descargas eléctricas, continuam a causar vítimas na província do Bié e danos materiais, segundo dados dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros.

As fortes chuvas acompanhadas de descargas eléctricas destruíram casas deixando ao relento centenas de famílias que pedem apoio
Fotografia: Garcia Mayatoko

No último semestre do ano passado, refere o documento dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros, 350 habitações foram destruídas e 14 pessoas morreram vítimas de descargas eléctricas, em vários municípios da província do Bié, uma situação que tem preocupado as autoridades.
No ano passado, segundo o chefe das acções comunitárias dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros, Adilson Bumba, cinco pessoas ficaram feridas por descargas eléctricas e mais de mil desabrigadas, na sequência das fortes chuvas que se abateram sobre a região.
“Temos 350 famílias, 1.755 pessoas, que vivem nesse momento em condições difíceis de habitabilidade, em consequência das enxurradas”, disse.
O responsável das acções comunitárias dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros disse ainda que duas igrejas e 12 escolas foram também destruídas pelas fortes chuvas, durante os últimos seis meses do ano transacto.
As chuvas que caíram no princípio deste mês desabrigaram 18 famílias no município do Cunje, segundo o relatório dos Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, que alerta as pessoas a não construírem em zonas de risco. Para combater as chuvas torrenciais, descargas eléctricas e ravinas, o Governo Provincial do Bié criou o Conselho Técnico e Infra-estruturas, que realizou o seu primeiro encontro de trabalho, onde foram estabelecidas as prioridades para este ano.

Estragos em Menongue


As salas de internamento do Hospital Pediátrico de Menongue, no Cuando Cuabango, ficaram completamente danificadas, em consequência das fortes chuvas acompanhadas de ventos que caem sobre a região, informou a directora da unidade sanitária.
Elsa Kalenga disse que em função do actual quadro, o hospital reduziu a sua capacidade de internamento e os doentes que dão entrada recebem assistência médica nos corredores por não haver mais espaço para internamento, correndo o risco de contrair outras doenças.   
O Hospital Pediátrico de Menongue tem capacidade para internar 100 pacientes, mas neste momento foi reduzido para apenas 70 camas, devido aos danos causados pelas chuvas.
A directora do hospital explicou que diariamente a unidade sanitária interna de 20 a 25 pacientes, sobretudo diagnosticados com doenças diarreicas e respiratórias agudas, malária, parasitoses, sarampo, anemia e má nutrição.
Neste momento a unidade sanitária está a beneficiar de obras de reabilitação e ampliação. O Hospital Pediátrico de Menongue atendeu em 2014, 40.582 crianças com diferentes patologias, 7.160 das quais foram internadas e 238  faleceram.
Entre as patologias mais frequente na região, está a malária com um registo de 26.167 ocorrências, doenças diarreicas agudas com 4.461 casos, doenças respiratórias agudas com 2.821, sarampo 1.133 e a parasitose com 882 casos.
A directora do Hospital Pediátrico, Elsa Kalenga, reprovou a atitude de muitos pais que, em primeira instância, optam por consulta caseira e só levam os filhos ao hospital quando se encontram num estado crítico da doença, o que dificulta o trabalho dos técnicos da saúde. A unidade sanitária é assegurada por cinco médicos e 64 enfermeiros.

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