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Crianças abandonam escola e dedicam a vida à agricultura

José Chaves | Andulo

As escolas do ensino primário das zonas rurais do município do Andulo, na província do Bié, registam, nos últimos dois meses, um elevado número de absentismo de crianças, por estas estarem a dedicar-se ao trabalho do campo, denunciou sexta-feira o director local da Educação.

Aristides Gonçalves considerou a situação muito preocupante, uma vez que em aldeias da comuna de Chivaulo se constata que algumas escolas estão encerradas por falta de alunos, enquanto, em Cassumbe, os estabelecimentos trabalham com menos de 15 alunos.
O responsável afirmou que este absentismo, provocado por pais que preferem ocupar os filhos nas lavras e no cuidado do gado, influencia, em certa medida, a ausência de professores.
Aristides Gonçalves disse que, apesar de a maioria dos casos identificados estar sobretudo ligada ao trabalho infantil nas lavras e ao pasto do gado, existem outros factores sociais que influenciam a situação que levam os meninos ao campo em detrimento da escola, como a fome.
 O director municipal da Educação salientou que a instituição que dirige tem estado a reforçar as acções de inspecção e controlo dentro das escolas, mas a actuação é limitada, uma vez que os casos envolvem a família das crianças.
Aristides Gonçalves disse que o combate à fuga de meninos nas escolas deve ser multissectorial, por ser uma acção que requer a participação de todos, principalmente na sensibilização dos pais.
O director municipal pediu às autoridades tradicionais e religiosas para sensibilizarem os encarregados de educação, no sentido de levarem as crianças à escola. “O Governo fez vários investimentos para que os alunos aprendam a ler e a escrever condignamente”, concluiu.

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