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Cuito aguarda com entusiasmo a nova centralidade

Domingos dos Santos | Cuito

À entrada da cidade do Cuito, província do Bié, está a nascer uma nova centralidade de seis mil casas destinada a milhares de pessoas que sonham ter casa própria.

Administrador Moisés Kachipaco referiu que estão em construção milhares de habitações
Fotografia: Kindala Manuel |

À entrada da cidade do Cuito, província do Bié, está a nascer uma nova centralidade de seis mil casas destinada a milhares de pessoas que sonham ter casa própria. Neste momento, estão já em construção 650, das quais 481 devem ficar prontas até ao fim deste ano. Ainda este mês são entregues as primeiras 81 habitações, entre apartamentos e vivendas tipo T3.
O ambicioso projecto vai resolver grande parte da falta de habitação dos 974 mil munícipes, principalmente jovens, que procuram a todo o custo um espaço para viver. João Paulo é um deles e considera que este projecto veio em boa hora.
“São seis mil casas que estão a ser construídas, por isso estamos esperançados que o projecto resolva parte da situação de falta de habitações no município”, diz.
O administrador municipal do Cuito, Moisés Kapapelo Kachipaco, refere que as seis mil casas vão reduzir o défice habitacional na cidade e garante que quem for morar na nova centralidade vai encontrar uma infra-estrutura criada para atender os novos moradores.
“As primeiras 81 casas, a serem entregues agora em Agosto, são o primeiro passo da realização do sonho de casa própria de muitos cidadãos”, refere Moisés Kapapelo Kachipaco.
Além do projecto habitacional, está em curso um outro destinado a melhorar o abastecimento de água à cidade, uma vez que o actual sistema de captação beneficia apenas cerca de três mil famílias.
“Temos capacidade de bombear mais de três mil metros cúbicos de água por hora”, explica o administrador municipal, acrescentando que estão em curso mais seis mil novas ligações.
A nova centralidade vai ainda receber energia proveniente da Barragem Hidroeléctrica do Gove, na província do Huambo.
 Nesta altura, a cidade do Cuito usufrui de electricidade fornecida pela central térmica da Kaluapada, com capacidade de dez megawatts.
 
Crescimento da rede sanitária
 
A construção de centros e postos de saúde tem vindo a aumentar de forma significativa. Neste momento, há instalações destinadas para esse efeito em todas as ombalas de maior concentração populacional, com e 60 a 70 camas cada.Um dos centros de saúde de maior referência localiza-se na comuna do Cunje, a sete quilómetros do centro da cidade.
A responsável do centro, Ana Maria do Céu, explica que com a sua entrada em funcionamento houve grandes melhorias na assistência médica e medicamentosa às populações.
“Antes, trabalhávamos em condições não muito precárias, mas que não eram as melhores. Desde que o centro entrou em funcionamento, sentimos que estamos à altura de resolver os problemas da nossa população em termos de assistência sanitária”, garante.
O centro de saúde do Cunje, anteriormente instalado num pequeno espaço com apenas 19 camas, tem agora capacidade para 60.
“Diariamente, atendemos entre 40 a 50 pacientes no Banco de Urgência”, revela, referindo que o centro também tem realizado dez partos todos os dias.
A actuais instalações dispõem de serviços de medicina, pediatria, maternidade, análises clínicas, puericultura, farmácia, consultas para grávidas e planeamento familiar. Brevemente, deve contar com um bloco operatório, que já existe mas ainda não está equipado.Os pacientes dizem estar satisfeitos com o serviço prestado no centro de saúde do Cunje. Delfina Natália levou as suas filhas gémeas ao centro, por estarem a sofrer de diarreias agudas, e reconhece que o atendimento melhorou significativamente desde a entrada em funcionamento daquele centro de saúde.
“Fomos bem atendidas pelos profissionais que trabalham na unidade hospitalar e estou muito satisfeita com o tratamento prestado às minhas filhas”, destaca Delfina.
Antónia Cassova, de 21 anos, referiu ter-lhe agradado o atendimento na recepção, o qual, segundo ela, foi muito ágil.
 “Fui bem atendida por todos os profissionais, que tratam as pessoas com muita delicadeza e educação”, disse ela, que acompanha o filho de três anos, internado no centro de saúde para tratamento médico.
 
Ensino superior
 
O ensino superior é uma das grandes conquistas da província do Bié. O administrador municipal do Cuito explica que, desde a independência, nunca existiu este nível de ensino na província. Antes, quem terminasse o ensino médio era obrigado a deslocar-se para as cidades do Huambo, Lubango e Luanda, para prosseguir os seus estudos.
“O Executivo conseguiu estender o ensino superior à província do Bié, em particular ao município do Cuito. Hoje, temos Institutos Superiores Politécnicos, com os cursos de Administração e Gestão e Enfermagem, e o Pedagógico, que trata das matemáticas, biologia, sociologia e outras especialidades”, diz o administrador municipal.
A nível de outros subsistemas de ensino, foram construídas muitas escolas do ensino primário, do primeiro e segundo ciclo, entre as quais duas de 12 salas, no bairro Chissindo, onde está a ser erguida a nova centralidade do Cuito.
 
Lar da Terceira Idade
 
No sentido de resolver os problemas de alojamento dos mais velhos em situação de vulnerabilidade, o Executivo, através do Ministério da Assistência e Reinserção Social (MINARS), construiu um lar com capacidade para receber 156 idosos. Com a obra já concluída, falta agora mobilar e apetrechar as instalações.
“São 78 dormitórios para duas pessoas cada”, explicou ao Jornal de Angola a directora provincial do MINARS no Bié. “Dentro em breve, vamos receber no Lar da Terceira Idade os idosos da província do Bié, que vão ter uma estrutura com todas as condições de habitabilidade”, sublinhou Angélica Gomes.
“Vamos agora receber a obra e, numa primeira fase, pensamos arrancar com 50 idosos e, possivelmente em 2013, depois de termos todas as condições, podemos completar a sua real capacidade”.
Angélica Gomes diz que, apesar de tradicionalmente as famílias serem responsáveis pelos seus idosos, muitos há que infelizmente os abandonam nas ruas ou até mesmo à porta do actual Lar da Terceira Idade do Cangalo, que alberga neste momento 48 pessoas.
“Alguns deles são abandonados pelas suas famílias, outros são vítimas de violência doméstica e há ainda aqueles que vivem em situação de vulnerabilidade, por as famílias não terem mesmo condições para os receber e eles viverem sozinhos. Por tudo isso, o MINARS achou por bem recolhê-los e pô-los sob a responsabilidade do Governo”, adiantou.
Os idosos  que  vão passar a  viver no Lar da Terceira Idade não têm  de pagar absolutamente nada,uma vez que todas as despesas são assumidas pelo Executivo.

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