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Diminui o número de crianças fora do sistema de Ensino

João Constantino | Cuito

O número de crianças fora do sistema normal de ensino a nível da província do Bié reduziu de mais de 60 mil para 44 mil crianças, durante os dois últimos anos, revelou ontem, na cidade do Cuito, o director da Educação.

Aposta das autoridades ligadas ao sector da Educação é diminuir os índices de analfabetismo nas comunidades da província do Bié
Fotografia: Mota Ambrósio

Basílio Caetano salientou que este resultado foi alcançado graças ao empenho das autoridades, com uma forte aposta na construção de salas de aulas, principalmente para acolher crianças do ensino primário.
O director provincial da Educação considera que, embora tenham sido construídas várias salas de aulas, o número de alunos fora do sistema e outros que estudam ainda em condições precárias, como ao ar livre, é preocupante.
Quanto às crianças que estudam em situação precária, o responsável provincial do sector da Educação disse existirem 446 turmas do ensino primário, onde as aulas são dadas ao ar livre.
Basílio Caetano acrescentou que ainda existem na província turmas com mais de 50 alunos, o que representa uma violação às recomendações da Reforma Educativa, levada a cabo pelo Executivo, que aponta apenas para 35 alunos por turma.
Esta situação deve-se ao facto de grande parte das novas salas de aulas não resultarem em outras turmas, mas servirem para acolher alguns alunos que estudavam em locais improvisados e ao livre.
“Por isso, reduziram-se as turmas ao ar livre, mas continuamos ainda com um número elevado de crianças fora do sistema de ensino”, salienta o director provincial da Educação.
Em relação à geração de novos agentes de ensino, Basílio Caetano referiu que a província conta apenas com três escolas, que funcionam como Magistério Primário, e quatro outros institutos de formação de professores.
A província dispõe de 1.404 escolas do ensino não universitário. Deste número, apenas 25 são do ensino secundário, o que espelha bem as vagas reduzidas para a admissão de novos alunos candidatos ao ensino médio.

Novas escolas

O responsável anunciou que estão em construção, embora com obras paralisadas, devido à crise, mais 16 escolas de 12 a 20 salas.
Basílio Caetano lamentou ainda a existência de professores que não trabalham e continuam a receber salários sob cobertura dos directores de escolas, por estes últimos nunca marcarem faltas aos incumpridores. Sobre esta situação, o responsável disse que vão ser instaurados processos disciplinares aos professores e aos gestores de escolas que continuam a dar-lhes cobertura.
O director lamentou a existência de muitos professores sem agregação pedagógica e níveis de formação exigidos para leccionar nos ciclos primário e secundário, uma situação que contribui negativamente para a qualidade da formação dos alunos.

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