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Investimento na agricultura melhora qualidade dos bens

Delfina Vitorino | Kuito

Comerciantes de todo o país chegam diariamente ao mercado da Xiquendula, no município do Chinguar, no Bié, onde existem grandes quantidades de produtos como a banana, o tomate, a cenoura, batata-doce, as frutas, as verduras e os legumes.

O município do Chinguar vai à frente na produção de batata de alta qualidade, fruto da distribuição de semente e instrumentos de trabalho aos camponeses. A colheita deste ano foi excelente em quantidade e qualidade. Comerciantes de todo o país chegam diariamente ao mercado da Xiquendula.                                                       
Nesta época em que se aproxima a quadra festiva, a banana, o tomate, a, cenoura, batata-doce, as frutas, verduras e os legumes são produtos expostos em grande quantidade pelas quitandeiras nas suas bancadas à beira da estrada entre o Cuito e o Huambo. Grande parte dos produtos agrícolas é das lavras dos camponeses locais, mas  muitos vendedores de outras províncias deslocam-se aos mercados rurais da província do Bié, principalmente ao da Xiquendula, no município do Chinguar, com objectivo de comercializar os seus produtos.
Na Xiquendeula há centenas de quitandeiras com as suas bacias e cestos. Por todo o lado há vendedores e compradores fazendo negócio, desde que nasce o sol até ao fim da tarde. Há táxis que chegam com mais produtos e outros que partem com pessoas e mercadorias, depois de fazerem as suas compras.
Com a aproximação da quadra festiva, os preços de alguns produtos do campo registaram aumentos. Mas os especuladores têm pouca margem de manobra porque há grande oferta de produtos por parte dos camponeses. Nesta época a batata, os legumes e as frutas são os produtos que tiveram maior subida em relação aos meses passados.
Uma bacia de batata de primeira qualidade, bem cheia, custa 1.000 kwanzas ao contrário dos 500 kwanzas anteriores.
As vendedoras discutem os preços com os clientes mas depois de muito regatear fazem descontos aos mais insistentes. As quitandeiras com mais “olho para o negócio” procuram expor a mercadoria de forma a atrair os clientes. Umas usam bancadas, outras põem as bacias e cestos no chão. No fim do dia todas regressam a casa sem nada ou com poucas “sobras”. Os compradores disputam a mercadoria e pouco fica por vender.
O problema que começa a colocar-se naquele mercado tem a ver com as condições higiénicas. Nem os produtos nem os vendedores dispõem de condições aceitáveis. Mas ninguém se preocupa com esse pormenor. A exposição das mercadorias ao ar livre, no chão e em bancadas, tem de ser evitada porque pode atentar contra a saúde dos consumidores.

Paragem obrigatória

Às cinco horas da manhã começa a preparação dos produtos para a sua comercialização. As quitandeiras enchem os cestos e bacias e partem para o mercado da Xiquendula, para apanharem os melhores lugares. Em breve começam a surgir os primeiros clientes. Os carros começam a abrandar e estacionam. Algum tempo depois partem carregados com a excelente batata do Chinguar, com as frutas e hortaliças. Ao longo da estrada centenas de mulheres, algumas levando as suas crianças pelas mãos, correm em direcção ao mercado. É desta forma que elas garantem o sustento das suas famílias.
O mercado da Xiquendula é paragem obrigatória dos automobilistas que circulam dentro e fora da província do Bié.
Alguns compram para consumo próprio os produtos frescos do campo. Mas muitos vão ao mercado comprar mercadoria para depois revender nos grandes centros urbanos do Planalto Central e até em Luanda.
A paragem de uma viatura em qualquer área do mercado é motivo para dezenas de vendedoras e crianças correram para mostrar a sua mercadoria. Para o cliente, a dificuldade está na escolha.
Com o surgimento dos transportes públicos estatais e privados, desde Junho do ano 2009, os clientes aumentaram e o negócio tem prosperado. Os passageiros chegam constantemente nos autocarros das empresas SGO, com sede em Luanda, a EDT e Chimbinha e filhos, ambos com sede em Benguela e a nova empresa RSJ que também efectua serviços para Luanda, Benguela e Bié. São centenas de clientes que chegam e ­partem, mas compram sempre alguma coisa, sobretudo frutas e legumes. Sabem que no mercado da Xiquendula, os produtos vão directamente do produtor ao consumidor e por isso estão sempre frescos.
Todos os dias, pessoas de vários estratos sociais viajam nos autocarros pelo facto do preço ser baixo e terem mais segurança. A escolha depende das possibilidades dos cidadãos, porque a TAAG também já faz voos diários para o Cuito.

Mercados de estrada

É visível a enchente de pessoas nas paragens dos autocarros com o objectivo de comercializarem vários produtos nos mercados paralelos existentes à beira das estradas.
Bernarda Paulino, natural de Luanda, que viajava no autocarro da SGO para o Cuito, pela primeira vez, garante que a viagem é cómoda e segura.
Para ele é uma viagem de negócios. Sabe que os produtos têm alta qualidade e são baratos. O seu negócio é da batata. Compra nos mercados da estrada e depois revende a mercadoria nos mercados informais de Luanda a preços muito superiores. O lucro da para o bilhete de passagem no autocarro e ainda fica dinheiro para sustentar a família.
Os produtos no mercado da Xiquendula são de qualidade e com preços acessíveis, por isso, não há necessidade de consumir constantemente produtos importados de outros países. Também com a livre circulação de pessoas e bens, poucos consomem legumes e verduras provenientes do exterior, disse.
Antónia dos Santos, vendedora do mercado da Xiquendula, trabalha no local há cinco anos e garante que “os produtos começaram a ser comercializados em grande quantidade desde o momento em que houve melhorias na reabilitação das estradas e aumentou a circulação de viaturas”, disse.
É importante ter políticas de escoamento dos produtos do meio rural para os grandes centros urbanos, porque muitos acabam por apodrecer por falta de clientes, disse António dos Santos.
Com o surgimento do crédito bancário aos camponeses, a situação da venda ambulante tem melhorado substancialmente. As camponesas comercializam produtos em grandes quantidades nos mercados informais e abrem pequenos estabelecimentos comerciais.

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