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Malnutrição afecta centenas de crianças

Delfina Victorino | Cuito

Pelo menos 539 crianças com malnutrição foram internadas, no primeiro semestre deste ano, na Unidade Especial de Nutrição do Hospital Geral do Bié, das quais 419 já tiveram alta, segundo a chefe daquela unidade hospitalar.

Fotografia: DR

Dulce Kufa salientou que a unidade especial de nutrição do Hospital Geral do Bié possui apenas 45 camas para internamento, número insuficiente para responder a procura.

“Somos obrigadas a internar mais de três crianças numa cama, para não as mandar de volta a casa, com graves sinais de malnutrição”, sublinhou Dulce Kufa.
A falta de leite do tipo F100 e F75, que ajuda na rápida recuperação dos pacientes internados por malnutrição, é uma das principais dificuldades da unidade sanitária.
“Para a substituição do tipo de leite F100 e F75, a unidade de nutrição está a utilizar o leite de marca “Loya”, que é misturado com açúcar e óleo, para ajudar na recuperação das cri-anças malnutridas, menores de seis meses até aos 11 anos de idade”, informou. Às crianças que apresentam sinais de inflamação no corpo, por falta de vitaminas, o seu internamento pode variar entre 30 a 45 dias.
A médica esclareceu que os casos de gravidez e desmame precoces, a gestação acelerada, de bebés órfãos e de mães sem leite são as principais causas da mal nutrição na província do Bié.
Dulce Kufa afirmou que as zonas periféricas do município do Cuito apresentam maior número de pacientes em estado de malnutrição. “Muitas mulheres, sobretudo das zonas periféricas, não fazem o planeamento familiar e acabam por ter gestação se-guida, sem intervalo de dois anos de nascimento entre as crianças", lembrou.
A Unidade Especial de Nu-trição do Hospital Geral do Bié realiza diariamente palestras para os acompanhantes dos pacientes, com objectivo de sensibilizá-los a melhorar a alimentação e apostar na amamentação dos bebés.

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