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Meios de diagnóstico são necessários no Bié

Delfina Victorino | Cuito

A falta de meios para diagnosticar determinadas doenças e o número de mortes, supostamente por malária, na província do Bié, preocupam as autoridades sanitárias locais, afirmou ontem, no Cuito, o director provincial da Saúde.

João Campos, que falava para a reportagem do Jornal de Angola, disse que o sector da Saúde, em colaboração com o Governo Provincial do Bié, está a buscar soluções para reverter a situação, que se resume, entre outras, no elevado índice de mortalidade materno-infantil, causada por várias patologias.
De acordo com o responsável do sector da Saúde, a malária continua a ser a principal causa de morte, devido à dimensão dos problemas que a mesma patologia apresenta.
João Campos explicou que, durante o primeiro semestre do ano em curso, 1.102 duas pessoas morreram por malária, contra as 339 mortes em 2015 e 437 em 2014.
Em relação ao número de casos, o responsável sublinhou que este ano 276.758 pessoas, principalmente crianças e mulheres, foram diagnosticadas com malária.
João Campos afirmou que um dos principais problemas é a falta de meios de diagnóstico, para detectar a especificidade da doença existente num determinado paciente, desde a malária, dengue a outra patologia. Estudos feitos na província do Bié confirmam a existência de vários mosquitos, desde os enófilos, transmissores da malária, da dengue e da chicungunha  ou catolotolo, bem como o da febre amarela. 
“O diagnóstico da malária é muito semelhante ao da doença da dengue e chicungunha, mas como não temos meios capazes de distinguir e encontrar a verdadeira patologia as unidades sanitárias resumem como malária”, informou.
João Campos esclareceu que, com o diagnóstico feito nas áreas endémicas da província do Bié, dez por cento da população é portadora do parasita vírus plasmódio, afirmando que o exame laboratorial confirma a existência da patologia.
O director da Saúde no Bié esclareceu que a ausência de exames laboratoriais resulta muitas vezes no diagnóstico errado da malária.
“Em Angola, a febre tem sido sinónimo de paludismo, bem como o barulho na barriga significar febre tifóide, mas o que existe na realidade são portadores crónicos assintomáticos”, alertou. O conjunto de sinais e sintomas é que deve resumir a existência de determinada patologia no indivíduo, elucidou João Campos, para quem as doenças respiratórias agudas, desde a pneumonia a outras, incluindo as diarreicas agudas.

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