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"Mkumpapatas" facilitam o transporte no Bié

Delfina Victorino|Kuito

 Com o objectivo de facturar e facilitar a vida da população residente nas zonas periféricas e distantes da cidade do Kuito, os “mkumpapata” transportam passageiros de diversas faixas etárias para os seus locais de destino.

Uma moto-taxi a transportar passageiros numa das ruas da cidade do Kuito
Fotografia: Rogério Tuti

 Com o objectivo de facturar e facilitar a vida da população residente nas zonas periféricas e distantes da cidade do Kuito, os “mkumpapata” transportam passageiros de diversas faixas etárias para os seus locais de destino.
No valor de 100 kwanzas por pessoa, os serviços de moto-táxi carregam mercadorias e crianças sem medir as possíveis consequências em algumas estradas que se encontram em mau estado de circulação.
Vários acidentes ocorrem diariamente causados na sua maioria pelos chamados “mkumpapata”, que na língua umbundo significa apalpar. Na cidade do Kuito, onde é visível a presença de agentes de trânsito nas principais avenidas, sobem e descem sem qualquer problema na verificação de documentação dos seus meios.
As vias que dão acesso aos municípios do Kunhinga, Andulo, Kamacupa, Chinguar e Katabola são os que verificam várias vezes e com maior intensidade a colisão de motorizadas.
A falta de semáforos e de sinalização na cidade do Kuito, bem como nos restantes municípios com maior densidade populacional e nas principais vias de acesso, têm sido as causas primárias dos acidentes.   
As pessoas recorrem aos serviços de moto-táxi por necessidade, com o objectivo de serem conduzidos até à porta das suas residências, ou a outro local de destino.
Francisco da Silva, um moto-táxi de 35 anos residente no município do Kuito, disse efectuar estes serviços há dois anos por imperativos económicos. “Estou desempregado e tenho uma família constituída, por isso tenho necessidade de ter um modo de sustentar os meus três filhos. Neste trabalho consigo diariamente cinco mil kwanzas para não faltar o pão diário”, explicou.
Todos os dias, os “mkumpapata” originam uma média de dez acidentes, só no município do Kuito, provocando mortes e ferimentos graves que muitas vezes deixam as pessoas deficientes. Os serviços práticos oferecidos pelos responsáveis de mkumpapata fazem com que muitos populares adiram a este sistema de transporte que facilita a longa caminhada percorrida por muitos.  Estudantes, funcionários públicos e pessoas de vários estratos sociais e profissionais beneficiam dos trabalhos efectuados pelos moto-taxistas, embora conscientes da falta de conhecimento do Código de Estrada que os mesmos possuem.
Muitos proprietários das motorizadas que servem de táxi não possuem a documentação completa para a execução destes serviços, mas mesmos assim fazem-nos em qualquer parte da província, porque não sentem a aplicação da lei.  Adelina Cazengo, estudante e residente no bairro Catemo disse que beneficia diariamente dos serviços dos chamados mkumpapata, pelo facto destes fazerem os serviços porta-porta. “ Uma vez tive um acidente. Não fiquei ferida mas estou traumatizada, por isso e deixei de apanhar motorizadas, preferindo caminhar a pé ou pedir boleia a pessoas amigas”, esclareceu.
O uso de capacete é utilizado apenas pela minoria dos moto-taxistas, alegando que não protege muito em caso de acidente. Por isso, nem aos passageiros lhes são fornecidos para protecção.
António da Fonseca, outro jovem de 24 anos que presta serviço de mkumpapata, afirma não possuir carta de condução por negligência. “ Sei que é ilegal conduzir sem a carta nem a licença mas a polícia de trânsito também não nos tem interpelado constantemente. De qualquer maneira pretendo tratar da documentação completa”, disse.
 Em relação às vítimas, Eduarda Sangueve, funcionária pública e residente na comuna do Cunje, a sete quilómetros do Kuito, é uma delas e mantém as cicatrizes do acidente que recorda com tristeza. Segundo explicou, recorre normalmente aos serviços dos mkumpapata para se deslocar para o serviço, mas este mês sofreu um acidente na estrada principal e feriu a cabeça. “Deixei de apanhar motorizada por causa disso e sei que morrem muitas pessoas devido a acidentes de mkumpapata, porque muitos dos proprietários exercem esta profissão por necessidade, mas deviam ter carta e frequentarem as escolas de condução”, desabafou.

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