Províncias

Municípios do Bié à espera de núcleos universitários

José Chaves | Andulo

Estudantes finalistas do ensino médio nos municípios do Andulo e da Nharêa, na província do Bié, apelam às autoridades para a criação de um núcleo universitário, com vista a fomentar o ensino superior na região.

Muitos estudantes que terminam o ensino médio não conseguem dar sequência à formação
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Actualmente os estudantes residentes no Andulo e na Nharêa,  que terminam o ensino médio, recorrem às cidades do Cuito, Huambo, Lubango, Benguela, Lobito, Menongue e Luanda, no sentido de continuarem a sua formação académica.
Vários  estudantes da região têm de se deslocar e viver a mais de 130, 300 ou 700 quilómetros destas localidades para poderem obter formação de nível superior.
O director municipal da Educação no Andulo, Aristides Gonçalves, disse ao Jornal de Angola que a falta de um núcleo do ensino superior na região está a propiciar a fuga de quadros residentes nos municípios do interior da província do Bié, situação que está a fragilizar o funcionamento das instituições públicas.
De acordo com o responsável da Educação no Andulo, todos os anos o número de estudantes candidatos ao ensino superior aumenta consideravelmente, mas, por falta de um núcleo universitário, muitos munícipes preferem abandonar a zona.
Esta situação, segundo o director municipal da Educação, pode colocar em risco o projecto do Executivo angolano que visa o desenvolvimento dos municípios e zonas rurais.
As escolas do ensino médio no Andulo e na Nharêa foram abertas em 2006 e vários estudantes finalistas têm de parar de estudar ou deslocar-se para outras regiões do país, para dar continuidade aos seus estudos.
Maria Nasapalo,  finalista da Escola de Formação de Professores do Andulo, disse que a falta de um núcleo do ensino superior no município está a criar muitos constrangimentos à juventude.
António José,  professor do I Ciclo do ensino secundário, tem a intenção de ingressar numa universidade, mas a falta de um núcleo no município da  Nharêa está a inviabilizar os seus sonhos.
O docente assegurou que não tem outra alternativa para prosseguir os estudos, senão inscrever-se na cidade do Cuito ou na vizinha província do Huambo.
Júlio Siliveli terminou o ensino médio no ano passado e agora vai deixar a vila da Nharêa para frequentar uma universidade em Luanda. Moisés António, finalista da Escola de Formação de Professores no Andulo, defende a instalação urgente de um núcleo do ensino superior na região norte da província, para evitar que os quadros se desloquem para outras áreas do país.
O professora pede ao governo provincial do Bié a instalação urgente de um núcleo no município, para se evitar a fuga de quadros de diversos sectores.
O Bié possui três instituições de formação superior, nomeadamente o Instituto Superior Politécnico, com o curso de enfermagem, a Es-cola Superior Pedagógica, com as especialidades de Ma-temática, Geografia, Pedagogia e Psicologia, e um núcleo da Universidade José Eduardo dos Santos (UJES).
A UJES, com sede na cidade do Huambo, serve as províncias do Bié, Huambo e Moxico, congregando as faculdades de Medicina Humana, Ciências Agrárias, Medicina Veterinária, Economia e Direito, todas situadas na província do Huambo.
O Instituto Superior Politécnico, situado no Bié, e Superior Pedagógico, no Moxico, são as outras instituições inseridas na Universidade José Eduardo dos Santos.
Actualmente nenhum município do interior do Bié possui um núcleo de ensino superior. A província tem os seguintes municípios: Cuito, Andulo, Cunhinga, Chitembo, Chinguar, Catabola, Camacupa, Cuemba e Nharêa.

Tempo

Multimédia