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População em zonas de risco é realojada em breve

José Chaves| Nharea e Delfina Victorino| Cuito

Cerca de 500 moradias de diferentes tipologias são construídas este ano em diversas reservas fundiárias dos nove municípios da província do Bié, anunciou terça-feira o director provincial das Obras Públicas.

Várias infra-estruturas de impacto social estão a ser reabilitadas e construídas na região para melhorar a qualidade de vida da população
Fotografia: Kindala Manuel|EDIÇÕES NOVEMBRO



Segundo Salomão Costa Pascoal, o projecto é da responsabilidade do Ministério das Obras Públicas e Urbanismo e está inserido no programa de melhoria das condições de vida da população que reside em zonas de alto risco.
“As casas vão ser construídas no âmbito do processo de requalificação das cidades e vilas, que visa também a implementação de sistemas de fornecimento de água, energia eléctrica e outros.”
O Bié, acrescentou, foi abrangido neste plano de âmbito nacional, para realojar a população afectada por calamidades naturais ou que vive em zonas de risco.
Salomão Pascoal sublinhou que a maioria das residências vai ser construída na cidade do Cuito, cuja área de implementação já foi identificada.
Quanto ao programa de construção dos 200 fogos habitacionais por município, Salomão Pascoal  afirmou  que este projecto, que abrange sete dos nove municípios do Bié,  permitiu já a construção de 698 residências do tipo T3.
O projecto dos 200 fogos habitacionais contempla igualmente redes de fornecimento de água potável e energia eléctrica, de esgotos e de águas pluviais, comunicações, escolas, centros médicos, esquadras de polícia, áreas comerciais, zonas de lazer, jardins de infância, unidades de bombeiros e outros equipamentos sociais. Nos municípios do Cuemba, Camacupa, Catabola, Cunhinga, Chinguar e Chitembo as residências já estão terminadas e habitadas.

Novas centralidades

O vice-governador do Bié disse que várias infra-estruturas estão em construção na província para impulsionar o desenvolvimento da região.
O destaque vai para a centralidade do Cuito, a ser erguida numa área de 300 hectares, que vai albergar seis mil apartamentos.  A empreitada tem a entrega prevista para o fim do primeiro semestre do corrente ano, de acordo com o vice-governador para os Serviços Técnicos e Infra-estruturas, José Fernando Tchatuvela, que garantiu à imprensa a alta qualidade do projecto adjudicado à construtora Cora-Angola. Com residências T3, a centralidade do Cuito destina-se, sobretudo, à juventude da província. O vice-governador  para os Serviços Técnicos e Infra-estruturas disse que, uma vez concluída, a mesma vai albergar cerca de 42 mil habitantes.
No município do Andulo, acrescentou, está a ser construída outra centralidade, com mil apartamentos T3 e dos dois mil fogos previstos 172 estão já concluídos.
Por outro lado, as doenças negligenciadas, muitas vezes ignoradas, como a parasitose intestinal, afectam a assimilação dos conteúdos escolares das crianças e adolescentes, afirmou ontem, no Cuito, o director provincial da Saúde no Bié.
João Campos Cacungula salientou que há a necessidade de os pais e encarregados de educação prestarem maior atenção às crianças e adolescentes durante o processo de ensino e aprendizagem.
O fraco rendimento escolar dos estudantes muitas vezes está relacionado com a existência de doenças tropicais negligenciadas, que afectam, de forma paulatina, o organismo humano, esclareceu. O director provincial do Bié da Saúde disse igualmente que a anemia está relacionada com várias doenças, por isso está a ser feito um estudo profundo para saber a fonte do surgimento da mesma.
João Campos Cacungula realçou a intervenção de organizações não governamentais no combate às doenças tropicais negligenciadas, como a oncocercose, que afecta a maior parte da população no interior do Bié.
Segundo o director provincial da Saúde, existe um tipo de parasita que provoca a diminuição da assimilação, que também é negligenciado por causa da pouca atenção dos cidadãos.
Acrescentou que crianças e mulheres grávidas são as prioridades do Governo no combate  de determinadas doenças, com o objectivo de se reduzir o número de óbitos.
João Campos Cacungula referiu que em 2012 cerca de 300 casos de onconcercose foram registados pelas autoridades sanitárias locais, em localidades do interior da província, onde existe o maior número de rios.
Em 2013, acrescentou, 1.l78 pessoas foram detectadas com onconcercose, enquanto em 2014 o número baixou para 1.422 casos.
João Campos Cacungula pontualizou que actualmente estão controlados pelo sistema sanitário local 3.292 casos de onconcercose.
O responsável provincial da Saúde assegurou que existem medicamentos para o tratamento da doença.
O município da Nharêa, que dista a mais de 175 quilómetros da cidade do Cuito, província do Bié, é o mais endémico, devido ao uso de água imprópria para o consumo.

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