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Projecto "tinta e cimento" mudou a face da cidade

Filipe Eduardo |

O Andulo trilha desde 2004 os caminhos de desenvolvimento apagando rapidamente as feridas da guerra.

A Administração está fortemente apostada na reabilitação das infra-estruturas económicas e sociais da localidade
Fotografia: Filipe Eduardo

O Andulo trilha desde 2004 os caminhos de desenvolvimento apagando rapidamente as feridas da guerra. Neste momento já é uma referência na administração local, fruto de um projecto denominado “tinta e cimento” que permitiu dar uma imagem agradável à cidade.
Maria Lúcia Ganja Chicapa, administradora municipal do Andulo desde 2004, recua no tempo e recorda que assumiu este desafio quando eram passados dois anos desde o alcance da paz e cada esquina da cidade e do município reclamavam por uma recuperação.
Maria Chicapa começou com uma campanha de tapa buracos nas ruas danificadas pelas bombas e outros engenhos explosivos e em seguida foi feita a pintura das casas e edifícios públicos. Nesta altura, recorda, a preocupação primordial do Governo era reinstalar as famílias deslocadas nas suas áreas de origem ou de sua preferência.
Maria Chicapa afirma que um ano depois de assumir a administração do município do Andulo, em 2005, começou a materialização do programa económico e social, mas não com a intensidade necessária. A partir de 2008, referiu Maria Chicapa, com a disponibilização directa dos orçamentos às Administrações Municipais, o Andulo marcou pontos na construção de infra-estruturas sociais com realce para escolas, unidades sanitárias e vias de acesso.
Outra intervenção de realce para a imagem da cidade foi o apoio às famílias que na altura não possuíam possibilidades financeiras para efectuarem obras nas suas casas. Naquela altura, as administrações tinham recebido uma orientação no sentido dos programas municipais fomentarem a área económica: “por esta razão conseguimos adquirir máquinas agrícolas, actualmente sob gestão de um pequeno empresário”.
No âmbito desta orientação “nós conseguimos implantar um aviário no município e neste momento, com o reforço do Instituto Médio Agrário, já produz uma quantidade considerável de ovos para abastecimento do Andulo”.
Sobre os programas de combate á pobreza, Maria Chicapa diz que apesar da recessão económica, originada pela crise que assolou o mundo, o Andulo registou uma baixa do ritmo de crescimento, mas, acrescentou, muita coisa está a ser feita, no âmbito dos programas municipais, tais como o de combate à pobreza e serviço municipalizado da saúde, do microcrédito, mas também nas acções do âmbito nacional, como é o caso da recuperação das estradas.


Melhorias visíveis


Quanto aos programas de âmbito provincial, diz Maria Chicapa, estão em execução neste momento três acções: a construção da Casa da Justiça, uma escola de 12 salas e a terraplenagem da estrada que liga o Andulo à comuna de Cassumbi, 50 quilómetros a norte, que faz fronteira com a província de Malange no rio Kwanza.
O mau estado da estrada de Cassumbi constituía uma das grandes preocupações da Administração Municipal do Andulo. A via devia atingir a povoação de Cambambi, última localidade em direcção da Malange, mas só chegou à sede comunal.
O mau estado da estrada de Cassumbi está na base do relativo atraso em relação às restantes comunas do município. O aumento de serviços sociais foi notável, com realce para a saúde e a educação. Algumas povoações possuem dez escolas definitivas e 17 postos médicos definitivos. Os postos de saúde improvisados estão a ser substituídos por outros, construídos com materiais definitivos.
O serviço da revitalização sanitária com equipas móveis e avançadas está a ser melhorado e conta com um serviço de ambulâncias para apoiar as comunas nos casos de emergência. A asfaltagem das ruas da cidade do Andulo, a entrada em funcionamento da Angola Telecom, Unitel e Movicel, a presença da Televisão Pública de Angola, da Rádio Nacional de Angola e do Jornal de Angola são factores de desenvolvimento nas palavras de Maria Chicapa.  Maria Chicapa atribuiu o sucesso do desenvolvimento do município ao facto de utilizar o orçamento do município em obras para a comunidade, pensando sempre nas principais preocupações das populações.
A administradora afirma não que quem está por fora pensa que estar à frente de uma Administração Municipal “é gozar do bom e do melhor”, mas é de uma tarefa difícil, “que precisa de dedicação, tenacidade e de uma visão que permita ao gestor saber o que se pretende e o que quer alcançar”.
A administradora do Andulo disse que não “devemos defraudar as pessoas que apostaram em nós e eu tenho dito sempre que hoje sou o que sou, graças ao camarada Luís Paulino dos Santos porque foi ele quem me convidou para entrar no Governo Provincial do Bié”, reconheceu.
Maria Chicapa diz que teve sorte por trabalhar com governadores como Amaro Tati e o actual, Boavida Neto, pessoas com espírito de liderança “que me mostraram o caminho a seguir e o comportamento a ter”..
Outro grande segredo de sucesso de Maria Chicapa é “uma governação participativa”, porque a comunidade deve estar sempre envolvida. Acrescenta que “a criação de uma equipa coesa e dedicada, que respeita as diferenças individuais, é outra chave do sucesso, embora a responsabilidade seja individual”, afirma a administradora do Andulo.
Maria Chicapa reconhece existirem algumas dificuldades em termo de quadros, mas mesmo assim diz que aproveita tudo aquilo que cada um sabe fazer de bom.
Conciliar a sua actividade pública com a família tem sido difícil, afirma Maria Chicapa. Tem a família no Cuito, a 130 quilómetros do Andulo. As filhas dão-lhe todo o apoio. Diz que as duas já trabalham mas conseguem ampará-la. “A mais velha é mãe e tem a sua casa mas mesmo assim apoia a minha casa. Tenho que agradecer também aos meus irmãos que me dão um grande apoio na educação dos meus filhos enquanto trabalho no Andulo”, diz.
Maria Chicapa conta também com o apoio das pessoas amigas e das entidades religiosas. “Sei que não sou perfeita, por esta razão escuto muito as pessoas independentemente da sua idade, estatuto social ou outra referência”.

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