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Vila de Calucinga revela sinais de progresso

José Chaves | Calucinga

Calucinga, Andulo, apresenta claros sinais de progresso, com a construção de várias infra-estruturas sociais, como centros e postos de saúde, escolas e sistemas de abastecimento de água potável e de energia eléctrica.

Vista parcial da sede de Calucinga onde estão em execução várias acções como a reabilitação as vias de acesso
Fotografia: José Chaves |Andulo

Calucinga, Andulo, apresenta claros sinais de progresso, com a construção de várias infra-estruturas sociais, como centros e postos de saúde, escolas e sistemas de abastecimento de água potável e de energia eléctrica.
A situação geográfica da comuna, no planalto, com um clima marcado por intensas chuvas, proporciona o surgimento de vários projectos agro-pecuários e a reactivação de outros paralisados durante a guerra.  “Desde a conquista da paz, em 2002, o governo provincial gizou diversos projectos, para Calussinga resgatar o potencial agro-pecuário, a nível regional e, mesmo nacional”, declarou, ao Jornal de Angola, a administradora local, Faustina Mbundo.
A principal via de ligação entre a comuna e o Andulo, com 75 quilómetros de extensão, recebeu novo tapete de asfalto, o que facilita a circulação de pessoas e bens, pois foi reduzido substancialmente o tempo que os automobilistas o levam a percorrer, que até então variava entre três a quatro horas.
“A reabilitação da estrada trouxe grandes benefícios às populações, que conseguiram melhorar os negócios”, referiu Faustina Mbundo.
Os camponeses, até a estrada estar reabilitada, recordou, viam-se e desejavam-se para escoarem os produtos para os mercados.
Calucinga é considerada uma placa giratória, que permite a ligação entre o Bié e Huambo, Kwanza-Sul e Malange.
A administradora afirmou que a reabilitação das principais vias de acesso àquelas províncias, pela facilidade de transporte de materiais de construção, vai dar novo impulso às obras que surgirem e à reconstrução das infra-estruturas danificadas pela guerra. “Calucinga foi duramente atingida pela instabilidade que não poupou infra-estruturas económicas, sociais e habitacionais”, referiu a administradora  Faustina Mbundo, que salientou que com a estrada degradada “era muito difícil” fazer chegar à comuna os materiais de construção.
“A partir de agora tudo vai ser mais fácil”, garantiu a administradora, que convidou a população da vila de Calussinga a colaborar com as autoridades nas acções para a reconstrução.

 Mulheres nas lavras

Em Calucinga, centenas de mulheres, logo pela manhã, partem para as lavras, com os filhos às costas, para trabalharem enquanto há sol, constatou a nossa reportagem.
No mercado sobressaem, entre outros artigos, as hortícolas, as frutas, o vestuário e o material de construção. Viaturas, com mercadorias e passageiros passam por Calucinga em direcção à Quibala, Mussende, Malange, Lunda-Norte, Lunda-Sul e Luanda.

Agricultura e comércio

Calucinga, que produz, essencialmente, milho, feijão, jinguba, mandioca, batata e hortícolas, tem 26 associações de camponeses e 20 escolas de campo.
Algumas cooperativas já beneficiaram de crédito de campanha, mas a produtividade está condicionada pela falta de apoio em sementes melhoradas, fertilizantes, pesticidas e instrumentos de trabalho, como enxadas, catanas e charruas.
A falta de agências bancárias e de operadoras de telefonia móvel causam transtornos aos habitantes da comuna, sobretudo a funcionários públicos e comerciantes. Os funcionários públicos têm todos os meses  de se deslocar à sede municipal para levantarem os ordenados. Calucinga  possui enorme potencial turístico, mas faltam investidores. Com flora e fauna diversificadas tem possibilidade de desenvolver a canoagem, a pesca e a caça. Veados, lebres, bambis, onças, leões, hipopótamos, jacarés são espécimes frequentes na região.

Saúde e Educação

A comuna, com cerca de 80 mil habitantes, tem disponível apenas um centro, um posto de saúde e 47 enfermeiros, mas somente dois deles são técnicos médios, números que ficam muito aquém das necessidades, lamentou, ao Jornal de Angola, o responsável do Centro de Saúde.
Graciano Sawende referiu que as doenças mais frequentes são as respiratórias, a anemia e as diarreias.
Os doentes que apresentam casos de maior gravidade, afirmou, são transferidos para a sede municipal ou para a cidade do Cuito.
Calussinga tem 56 escolas, três delas apenas de construção definitiva – as outras são provisórias, 31 das quais com cobertura de capim –, 10.870 alunos e 172 professores. Fora do sistema de ensino há11.897 crianças.  O sector da educação conta com a colaboração, em termos de alfabetização, de quatro Organizações Não-Governamentais.

Água e energia eléctrica

Outros serviços sociais básicos estão, também, em pleno funcionamento nos bairros periféricos e na sede da comuna de Calussinga, designadamente os sistemas de abastecimento de água potável, que chega ao consumidor a partir de chafarizes e pontos.
Um gerador de 60 KVA abastece diariamente a vila. 
“O gerador trabalho das 18 às 22 horas, sempre que há gasóleo”, disse a administradora.  A população nunca passou longos tempos sem luz e a preocupação da administração é ampliar a rede e arranjar outro gerador para responder às necessidades, referiu a administradora Faustina Mbundo.

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