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Bilhete de Identidade é emitido localmente

Jaquelino Figueiredo | Soyo

Os habitantes do município do Soyo, província do Zaire, passaram a adquirir o Bilhete de Identidade Nacional (BI) localmente, após a abertura, domingo último, pelo governador provincial, Pedro Sebastião, do posto móvel de emissão do referido documento.

Governador provincial do Zaire
Fotografia: Junquelino Figueiredo|Soyo

 

Os habitantes do município do Soyo, província do Zaire, passaram a adquirir o Bilhete de Identidade Nacional (BI) localmente, após a abertura, domingo último, pelo governador provincial, Pedro Sebastião, do posto móvel de emissão do referido documento.
O processo, que foi muito aplaudido pela população local, vai reduzir o sacrifício de muitos cidadãos que, para conseguirem o documento, eram obrigados a reunir fundos para se deslocarem à cidade de Mbanza Congo, a sede da província.
A emissão do BI já arrancou, mas a entrega do mesmo vai demorar 15 dias, em consequência da ausência de uma antena, que possibilite o envio e o retorno de dados para a central de tratamento. Enquanto se espera pela superação técnica, segundo apurou o Jornal de Angola, o processo vai funcionar em coordenação com o da capital da província, onde deverão ser completadas as questões administrativas inerentes, para posteriormente o documento ser entregue aos próprios.
Para os cidadãos que acorreram ao local, quer seja para adquirir o primeiro Bilhete de Identidade, ou para obter a segunda via, o atraso na entrega de tal documento não constitui preocupação. “O importante consiste em tratar o BI localmente, uma vez que as deslocações para Mbanza Congo passam a fazer parte do passado”, manifestou António Maria de Figueiredo.
O cidadão, de19 anos, disse ainda que a existência de um posto móvel para a emissão de Bilhetes de Identidade no Soyo já é motivo de muita alegria e satisfação, uma vez que há um ano que tenta obter o seu primeiro BI, mas não o conseguia devido aos custos de deslocação para Mbanza Congo.
Na ocasião, o governador do Zaire, Pedro Sebastião, chamou a atenção dos funcionários e das autoridades tradicionais para a responsabilidade que lhes pesa na atribuição de tão importante documento nacional. O governador disse ser necessária cautela, para não se atribuir nacionalidade angolana a estrangeiros. “Chamámos a atenção dos funcionários de emissão e das autoridades tradicionais, que têm algum controlo dos cidadãos no seu território de jurisdição, para terem bem presente que é um assunto muito sério”, alertou.
Para o governante, falsas informações podem levar à entrega de um documento importante como o BI a cidadãos estrangeiros. “Por via disso, podem amanhã ser os representantes do povo em diversos escalões do poder, o que constitui, por si, um acto de extraordinária gravidade, se tal situação for permitida”, sublinhou.
No concernente ao atraso de entrega do documento, Pedro Sebastião minimizou a ausência da antena. “Tomámos conhecimento aqui, e agora, da insuficiência do equipamento, mas vamos contactar Luanda para encurtar o tempo de emissão do documento”, notou, acrescentando que “é uma questão de menos importância, porque o importante é termos montado aqui o posto móvel, que nos dá a possibilidade, num prazo razoável, de fazermos a entrega do BI, embora o desejável fosse entregar na hora”.
A extensão do sistema aos demais municípios da província, segundo o governador, constitui uma preocupação, mas que não vai ser para já, uma vez que é necessário consolidar o que já existe. “Começámos em Mbanza Congo e agora estendemos ao município do Soyo, por aquilo que o município representa em termos demográficos”, evidenciou. Além disso, assim que tudo estiver consolidado no Soyo, tal como em Mbanza Congo, vai prolongar-se a extensão aos demais municípios de forma paulatina. No entanto, rematou, “o processo leva algum tempo”.
O posto móvel de emissão de Bilhetes de Identidade vai manter-se na região por mais de um ano, para atender a maior franja da população interessada em tratar do seu documento de identificação nacional.

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