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Água e energia são a prioridade

Alberto Coelho | Cabinda

O Governo de Cabinda vai implementar um conjunto de acções para melhorar a produção e distribuição de energia eléctrica e água potável às populações, de acordo com o governador, Mawete João Baptista. Para a concretização do projecto, o governador convida empresas nacionais e estrangeiras interessadas em levar a tecnologia a Cabinda. 

O Governador quando visitava um dos grupos geradores de electricidade
Fotografia: Rafael Tati

O Governo de Cabinda vai desenvolver um conjunto de acções para melhorar a produção e distribuição de energia eléctrica e água potável às populações. Este facto foi anunciado pelo governador de Cabinda, Mawete João Baptista, no termo de uma visita que efectuou ao sector de Energia e Águas para se inteirar dos constrangimentos que afligem a área e que têm dificultado o regular fornecimento de energia eléctrica e água potável às populações.
Este conjunto de acções, disse o governador durante a visita, passa pela implementação do projecto ETA-Municipal, que vai abastecer de água potável as populações da cidade de Cabinda e arredores e os habitantes da vila de Lândana, município de Cacongo, numa extensão de mais de 45 quilómetros.
Para a sua concretização destas ideias, o governador provincial de Cabinda convida empresas nacionais e estrangeiras interessadas a levarem para Cabinda tecnologias para a sua aplicação.
O secretário provincial de Energia e Águas, João Baptista Franque, disse à imprensa que o projecto, considerado o maior do sector desde a independência, está por enquanto na fase de estudo.
“Temos vindo a discutir com várias secretarias do governo da província, com a sociedade civil e as autoridades tradicionais no sentido de levarmos avante este projecto”, disse o secretário provincial, adiantando que o projecto compreende, numa primeira fase, um caudal de mil metros cúbicos de água por hora. Na segunda fase estes níveis são elevados para 2.000 metros cúbicos por hora.
Este novo sistema de captação, tratamento e distribuição de água deve ser implementado nos próximos quatro anos e satisfazer as necessidades de consumo de cerca de 600 mil habitantes da cidade de Cabinda e arredores e da vila de Lândana, num horizonte temporal de 40 anos, a partir de 2015.
A execução financeira do projecto, avaliado em cerca de 100 milhões de dólares, vai ser suportada pelo Governo central.
“O estudo prévio não avança valores concretos, mas pela leitura feita e pelos elementos que comporta a obra e o que é necessário fazer para a sua execução, não acredito que este projecto venha a custar menos de 100 milhões de dólares”, disse João Baptista Franque.
O secretário provincial da Energia e Águas exprimiu a sua preocupação com a demora que se regista no arranque das outras fases. “É necessário que sejam aprovadas as outras fases, para que atinjamos a fase de elaboração do projecto e a execução propriamente dita, que é o que mais nos interessa. O estudo prévio dá-nos apenas as linhas de força. É imprescindível avançarmos para a fase de elaboração do ante-projecto, para depois negociarmos um projecto executivo definitivo”, explicou.

Soluções definitivas

Na visita que fez ao sector, o governador Mawete João Baptista não gostou do que viu nas Estações de Tratamento de Água (ETA) 1 e 2 e nos sistemas de distribuição de Simindele e Buco-Máz, pois, como disse, “há preocupações extremamente graves”.
Segundo o governador, os sistemas que abastecem actualmente de água a cidade de Cabinda e as zonas periféricas são velhos e bastante antigos, já não se usam em nenhuma parte do mundo. Mawete defendeu a necessidade de se começar a trabalhar em soluções definitivas com a instalação de sistemas completos, abrangentes e mais sofisticados, em vez de “permanecermos em soluções paliativas”, já que, disse, “Angola está a caminhar para um desenvolvimento acentuado que deve ser feito em bases mais seguras”.
Ao visitar os laboratórios, as áreas de captação e os centros de tratamento e distribuição de água, o governador provincial concluiu haver um quadro preocupante. A quantidade produzida não consegue satisfazer ao menos a cidade de Cabinda. “Se não acompanharmos a par e passo a situação do abastecimento de água e luz, não estamos a fazer absolutamente nada”, referiu o governador.
O governador lamentou ainda que pequenos detalhes que podem ser resolvidos com poucos recursos financeiros impeçam a população de se abastecer de água há muito tempo. Como caso concreto Mawete João Baptista apontou a situação do sistema de abastecimento de Simindele, que, por ter avariado a placa do gerador de electricidade, privou de abastecimento de água mais de oito mil pessoas.

Água insuficiente

Os actuais níveis de produção de água estão longe de satisfazer as necessidades dos consumidores. Dos 710 metros cúbicos por hora hora de capacidade instalada, apenas são produzidos um pouco mais de 200 metros cúbicos, isto devido à situações ligadas ao estado obsoleto dos equipamentos e da rede de distribuição e aos constantes cortes de energia.
O secretário da Energia e Águas de Cabinda, João Baptista Franque, garante que as dificuldades de abastecimento de água em Cabinda são minimizadas com o aumento da capacidade de produção dos sistemas existentes, construção de novos sistemas em várias localidades e o programa de abertura de furos artesianos em determinadas áreas.
Para tal, estão a ser implementados novos sistemas de distribuição nas localidades onde vivem mais de 10 mil habitantes. O primeiro sistema foi já instalado no Buco-Mázi e vai abastecer de água potável mais de dez mil pessoas localizadas no perímetro Fútila/Cabassango. O objectivo é adicionar a este sistema um outro, de modo a suprir as dificuldades de abastecimento de água num horizonte de quatro anos, enquanto se aguarda pelo projecto ETA-Municipal.
“Os programas estão em curso e, na medida do possível, vamos cumprindo com o plano nacional, que estabelece que as zonas urbanas devem beneficiar de água até 2012, na ordem dos 100 por cento. Nas áreas peri-urbanas esperamos atingir os 80 por cento, nas zonas rurais 30 por cento”. Baptista Franque reconheceu haver dificuldades para se alcançar esse objectivo, mas assegura que os projectos do sector vêm satisfazer os objectivos do Governo, que prevêem água para todos até 2015.

Energia a partir do Inga

O fornecimento de energia eléctrica às populações da cidade de Cabinda e da vila de Lândana regista, nos últimos dias, um défice acentuado. Dos 70 megawatts de capacidade instalada, a Empresa Nacional de Electricidade (ENE) está a produzir apenas 37 megawatts, quantidade insuficiente para atender a procura.
A situação agravou-se com a paralisação, há oito anos, da turbina a gás, a principal fonte de produção de energia da província, e a inoperância de cinco grupos geradores, também a gás, instalados na central térmica do Malongo, uma situação que colocou fora de serviço cerca de 21 megawatts.
“Actualmente, a nossa capacidade de produção baixou consideravelmente e andamos à volta dos 37 megawatts, uma cifra irrisória para um consumo necessário de cerca de 50 megawatts. Daí que haja restrições todos os dias”, disse, em declarações ao Jornal de Angola, o director da ENE em Cabinda, Joaquim Boaventura. Segundo o director da ENE, a turbina a gás, com capacidade para produzir 10 megawatts, vai poder funcionar ainda este ano, uma vez que os constrangimentos ligados à sua reabilitação estão a ser solucionados pela direcção geral da ENE e uma empresa sueca encarregada da sua reparação. Esta acção vai custar aos cofres do Estado cerca de milhão e meio de coroas suecas.
Quanto aos geradores a gás, o director Joaquim Boaventura deu a entender que a sua recuperação não é para já, por se tratar de um assunto que deve passar pelo Conselho de Ministros, uma vez que a recuperação destes grupos está condicionada a uma adenda apresentada pela empresa que vai solucionar o problema.
Para o governador Mawete João Baptista, o problema do fornecimento de energia eléctrica às populações deve assentar em projectos definitivos, já que a província está numa situação de dependência grave. “A energia produzida não cobre as necessidades dos consumidores. Os Governos central e da província têm de encontrar soluções definitivas, porque viver de grupos geradores é economicamente mais caro, porquanto estes grupos gastam muito combustível”, disse.
Esta solução definitiva, segundo o governador Mawete João Baptista, passa por a província abastecer-se de energia eléctrica a partir da barragem do Inga, localizada na região de Matadi, na República Democrática do Congo.
“São alternativas que teremos que aproveitar com o Governo central, que tem a latitude de discutir diplomaticamente com o país vizinho para que, de forma definitiva, se resolva o problema da energia eléctrica na província”, ressaltou.
Neste sentido, segundo adiantou o engenheiro Joaquim Boaventura, foram já entabulados contactos com a empresa nacional de electricidade da República Democrática do Congo, de modo que Cabinda beneficie de energia eléctrica a partir da barragem do Inga.
“Até ao momento já foram assinados vários protocolos de entendimento entre a ENE e a sua congénere congolesa, faltando agora contratar uma empresa para começar a construir as linhas de transporte de energia eléctrica entre Matadi e Cabinda”, informou o engenheiro Joaquim Boaventura, que considera o projecto uma alternativa eficaz para a província.

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