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Aldeias de Buco Zau abandonadas

Delfina Victorino | Cuito e Bernardo Capita | Cabinda

Habitantes de várias aldeias no município de Buco-Zau, 120 quilómetros a norte de Cabinda, estão a abandonar as suas casas e áreas de cultivo, escapando da frequente invasão de elefantes.

Situação pode piorar devido a reprodução dos animais e da calmia que se regista na região
Fotografia: Jornal de Angola

Nos últimos dias, a aldeia de Chivonde, onde uma manada de sete elefantes, entre crias e adultos, arrasou por completo campos agrícolas e invadiu algumas casas do povoado, criando embaraços ao trânsito rodoviário, está a ser abandonada.
O chefe da Estação de Desenvolvimento Agrária (EDA) do Buco-Zau, Mantando Linga, disse que a situação está a atingir contornos alarmantes e com tendência a agudizar-se ainda mais nos próximos dias.
Explicou que a situação pode piorar por causa da reprodução dos animais, da proibição do abate e da acalmia que se regista na região do Alto Maiombe, o que está a proporcionar o regresso de muitos elefantes idos das florestas vizinhas das repúblicas Democrática do Congo e Congo Brazzaville, onde haviam se refugiado no tempo da guerra.
Mantando Linga avançou que a EDA não possui capacidade nem meios técnicos para afugentar os elefantes, daí que se limita apenas a proceder ao registo dos estragos provocados e a canalizar as estatísticas para as estruturas competentes.
Há dias, a ministra do Ambiente, Fátima Jardim, esteve no Buco-Zau, onde avaliou a situação com as autoridades do município, tendo deixado algumas recomendações à população campesina relativamente à forma como lidar com a questão da invasão de elefantes.Para justificar a invasão sistemática de elefantes às zonas de cultivo e, agora, com tendência para as zonas habitacionais, a ministra disse que este fenómeno sucede em virtude dos animais “terem gravado a sua rota e, isso, hereditariamente é transmissível”.
A ministra do Ambiente tinha dito que os animais sabem e também têm o sentimento da sua pátria, daí estarem a voltar às suas zonas de origem. Para ela, a população é quem deve saber como conviver com os elefantes.
Apesar disso, Fátima Jardim garantiu que a nível institucional vai-se continuar a estudar o fenómeno, no sentido de contribuir com trocas de experiência, assentes num programa extensivo a todo o país.
O secretário executivo do projecto transfronteiriço do Maiombe, Agostinho Chicaia, disse que as autoridades governamentais centrais assinaram o ano passado um protocolo com a FAO, no sentido de atender a preocupação das populações de Buco-Zau, consideradas as principais vítimas de invasão de elefantes.
Na base do referido protocolo, Agostinho Chicaia anunciou a chegada à Cabinda, em breve, de uma equipa de consultores internacionais, para treinar técnicos locais sobre os procedimentos a adoptar em caso de invasão de elefantes.

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