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Cabinda bebe cerveja feita no Cabassango

Bernardo Capita |Cabinda

O parque industrial de Cabinda está a ganhar corpo a cada dia que passa, com a instalação de novas unidade fabris de capitais privados no ramo das bebidas.

Director-geral da fábrica, René Kardone
Fotografia: Rafael Tati

O parque industrial de Cabinda está a ganhar corpo a cada dia que passa, com a instalação de novas unidade fabris de capitais privados no ramo das bebidas. Estão a funcionar as fábricas de cerveja “Cerbab” e de água mineral “Tchiowa”, duas unidades de produção cujos produtos são considerados de excelência e de grande consumo local.
A qualidade dos produtos e os baixos preços de venda ao consumidor final constituem motivo de atracção de clientes. No caso particular da fábrica de cerveja “Cerbab”, é a unidade de produção que depois da indústria petrolífera mais mão-de-obra local absorve, desde mecânicos, electricistas, carpinteiros, pedreiros, técnicos de distintas áreas, motoristas e pessoal administrativo.
Dotada de tecnologia de ponta, na fábrica de cerveja “Cerbab” já foram investidos 46 milhões de dólares, aplicados em obras de construção de infra-estruturas e na compra de equipamentos para a sala de máquinas, centro de tratamento de água, sala de fabrico, fermentação, cubas frigoríficas, filtros, laboratórios e linha de enchimento.
Com dois anos de funcionamento, a fábrica de cerveja de Cabinda está localizada no bairro Cabassango, nos arredores da capital provincial e tem capacidade para produzir 20 mil hectolitros de cerveja por mês (268 mil grades). A unidade farbil emprega 120 trabalhadores, 80 por cento dos quais cidadãos nacionais.
O director-geral da fábrica, René Kardone, disse que a segunda fase do projecto prevê a instalação de uma segunda linha de enchimento, o que vai permitir duplicar a produção.
Neste momento, segundo René Kardone, a produção é assegurada por apenas uma linha de enchimento, a partir da qual são fabricadas a marca Cuca e a Dopel preta em garrafas de 31 centilitros.
 “ O arranque da segunda fase depende da rentabilidade económica que obtivermos nessa fase inicial”, esclareceu René Kardone.
Para o director-geral da “Cerbab”, todo o investimento que envolve capitais financeiros é sempre tido de risco, mas os seus gestores, se forem cautelosos, devem fazer um estudo antecipado do mercado, para fazer reajustamentos. Deixou claro que a fábrica Cerbab está de boa saúde financeira.      
“A Cerbab tem uma gestão muito rigorosa, nós estabelecemos o princípio do auto controlo, cada funcionário controla o outro e este processo tem-nos permitido alcançar bons resultados em termos de disciplina laboral, de produção e de receitas”, disse René Kardone.

Diversificação do mercado

O director-geral da Cerbab defende que para um maior sucesso da unidade de produção, é preciso colocar o produto noutros mercados do país e além fronteiras, já que a qualidade da cerveja produzida nada fica a dever às grandes marcas internacionais.
O projecto continua firme, disse René Kardone, os mercados de Ponta Negra, na República do Congo (Brazzaville) e algumas regiões do Norte de Angola, como Soyo (Zaire) e Uíge, são os mercados de eleição da Cerbab. “Vamos colocar nas províncias do Zaire e Uíge os nossos produtos a partir do momento em que alcançarmos uma estabilidade absoluta”, assegurou.
De acordo com René Kardone, esta estabilidade passa pelo aumento dos níveis de produção e do consumo na província de Cabinda.      A Cerbab faz parte do grupo Cuca BGI e, além das marcas produzidas noutras unidades, Luanda, Bom Jesus e Huambo, localmente já produz a cerveja de pressão em barril. Este produto futuramente vai para os mercados do Uíge e do Zaire.
“Temos também um grande projecto em carteira, que é a linha de enchimento de refrigerantes. Somos um grupo empresarial apostado no desenvolvimento das regiões onde estamos implantados e de todo o país”, declarou Kardone.   
Quanto aos preços praticados, René Kardone disse serem competitivos, já que o mercado da cerveja é livre. “Mas, para fazer face à concorrência, a fábrica aplica bons preços, para permitir que os agentes económicos, grossistas e retalhistas, tenham uma aceitável margem de lucro. Assim, o nosso produto é sempre preferido no mercado”, sublinhou.
A grade de cerveja Cuca ou a de Dopel preta é comercializada à porta da fábrica por 1.050 kwanzas. “Felizmente, estamos bem implantados no mercado local, os nossos produtos são de boa qualidade e a população já começa a preferir a produção nacional”, referiu satisfeito René Kardone.
A fábrica de cerveja “Cerbab” tem sete áreas específicas que garantem a produção das duas marcas de cerveja, Cuca e Dopel preta.
René Kardone explica que o segredo de uma boa cerveja está na qualidade da água que é utilizada na sua fabricação e a Cerbab, ciente deste princípio, construiu um centro de tratamento de água sustentado por um furo artesiano de 250 metros de profundidade e dois reservatórios com capacidade para 350 mil hectolitros de água.
O centro de tratamento de água tem ainda dois modernos filtros, sendo um de areia e outro de carvão, incluindo outros equipamentos de processamento químico e de leitura da dureza da água, quantidade de cálcio e o PH (potência do hidrogénio).  
 
Primeiro emprego

O surgimento da fábrica de cerveja “Cerbab” em Cabinda abriu boas perspectivas de emprego, ao criar 360 postos de trabalho, dos quais 120 directos e 230 indirectos.
A força de trabalho é maioritariamente composta por jovens com idades compreendidas entre os 20 e os 27 anos, recém formados no Instituto Médio Politécnico de Cabinda.
Filipe Daniel, 24 anos, analista de laboratório, disse à nossa reportagem estar satisfeito com o trabalho que exerce, em virtude de aprender a cada dia que passa mais coisas, que teoricamente só ouvia na escola e “agora aplico-as na prática”.
Filipe Daniel trabalha num grupo de sete colegas em regime de turnos. O seu dia a dia na área de laboratório é caracterizado pelo manuseamento de muitos equipamentos próprios dos laboratórios.
Filipe Daniel considera uma bênção trabalhar naquela unidade de produção, já que são aos milhares os jovens que anseiam obter o seu primeiro emprego.
Osvaldo Agostinho, 21 anos, colocado na área de controlo, sector que ostenta um conjunto de equipamentos de alta tecnologia, com realce para computadores de processamento de parâmetros, disse ter motivos de sobra para manifestar o seu contentamento por trabalhar na fábrica.
“Logo que terminei o ensino médio, fui admitido aqui na fábrica e estou satisfeito, porque consegui o meu primeiro emprego e o que ganho dá para sustentar a minha família e resolver muitos problemas”, disse.

Centro social

A par das distintas áreas que intervêm no funcionamento da fábrica de cerveja “Cerbab”, René Kardone disse que aquela unidade de produção conta com um sector social virado para a assistência aos trabalhadores.
Esta área, segundo René Kardone, tem o refeitório e o posto médico, duas estruturas fundamentais na vida da fábrica. O posto médico, que funciona com sete enfermeiros e um médico, tem como missão primária prestar assistência aos trabalhadores e aos seus familiares directos.
O refeitório, disse René Kardone, funciona em regime integral, 24 sobre 24 horas. “É um espaço onde o trabalhador consegue fazer uma boa refeição a baixo custo. Pretendemos com isto proporcionar aos nossos empregados boas condições, para podermos depois exigir deles maior empenho”, rematou.

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