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Cabinda deu crédito a peixeiras ambulantes

Alberto Coelho | Cabinda

O governo provincial de Cabinda lançou ontem um projecto de financiamento a 147 peixeiras ambulantes da zona do Lombo Lombo, com o apoio do Banco Sol, no âmbito do programa de combate à fome e à pobreza no seio da população, em valores que vão dos dez aos 100 mil kwanzas. 
 

Mais de cem peixeiras ambulantes vão beneficiar de apoio para melhorar a sua actividade
Fotografia: Rafael Tati| Cabinda

O governo provincial de Cabinda lançou ontem um projecto de financiamento a 147 peixeiras ambulantes da zona do Lombo Lombo, com o apoio do Banco Sol, no âmbito do programa de combate à fome e pobreza no seio da população, em valores que vão dos dez aos 100 mil kwanzas.
O secretário provincial da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, João Tati Luemba, explicou ao Jornal de Angola que, para a primeira fase do projecto, foram disponibilizados cerca de 14 milhões de kwanzas, que as beneficiárias deverão reembolsar num período de seis meses, a uma taxa de juro de 2,5 por cento.
“O trabalho está a decorrer a bom ritmo. Estão a ser criadas facilidades para que as pessoas vulneráveis tenham acesso aos microcréditos”, explicou Tati Luemba, acrescentando que neste programa o governo conta com o apoio de uma Organização Não-Governamental, a Visão Mundial.
A selecção das beneficiárias é feita pelos bancos comunitários, tendo como critérios a nacionalidade angolana, residência na província e o exercício de actividade ligada à pesca, notou o responsável da Agricultura e Pescas, acrescentando que o objectivo é agregar o maior número de peixeiras de toda a zona litoral, entre os municípios de Cabinda e Cacongo. “Prevemos o atendimento de seis mil peixeiras, em toda a extensão da província”, disse Tati Luemba.
A integração das peixeiras em bancos comunitários, ressaltou, é uma condição indispensável para facilitar o controlo do reembolso dos valores atribuídos para o microcrédito.  “O valor a atribuir a cada peixeira é facultativo, dependendo da capacidade de cada uma, segundo o volume do seu negócio e da necessidade que tem para engrandecer a sua actividade”, clarificou, assegurando que o valor disponibilizado vai servir para cada quitandeira melhorar o seu negócio, evitar a dependência total do pescador e facilitar o intercâmbio comercial entre este e a quitandeira.

Microcrédito agrícola

Também no âmbito do programa de combate à fome e pobreza no meio rural, outro microcrédito, agrícola, está a ser realizado em Cabinda, cujo financiamento é assegurado pelo Banco Sol, com cerca de 400 famílias já inscritas, segundo Tati Luemba. “O microcrédito vai ajudar as associações de camponeses, as cooperativas agrícolas e os que trabalham de forma individual a melhorarem a sua condição de vida e respectivas famílias”, disse, adiantando que o tecto máximo estipulado para esse crédito é 500 mil kwanzas, um valor que considerou de “razoável” e que se vai traduzir na garantia de bens e serviços às pessoas que trabalham no campo.  “O camponês não recebe o valor em dinheiro, mas sim o contravalor em instrumentos de trabalho (catanas, enxadas, motobombas e outros equipamentos), bem como fertilizantes e sementes, que contribuam para o aumento da sua produção”, assegurou.
O sector da Agricultura e Pescas espera agregar a esse projecto pelo menos 34 mil famílias camponesas, organizadas em cooperativas e associações em toda a província.
 “O nosso desejo é atingir pelo menos 90 por cento do grupo alvo. Estamos a trabalhar para isso e os comités municipais de pilotagem estão a alistar e a sensibilizar os camponeses, para que este microcrédito ajude a população a concretizar o programa de combate à fome e pobreza”, asseverou Tati Luemba, que não referiu o valor global disponível para esse segmento do microcrédito.
Tati Luemba tranquilizou os camponeses, dizendo que o montante “vai estar à medida do número de camponeses e produtores que os comités de pilotagem inscreverem, alguns deles já com contratos individuais elaborados”.

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