Províncias

Cabinda investe forte no saneamento básico

Joaquim Suami | Cabinda

Cerca de 14 milhões de dólares é o montante que o governo provincial de Cabinda investiu para regular o escoamento das águas das chuvas, através do projecto “Macro-Drenagem.

Sisrema de canais em construção para regular o percurso das águas das chuvas e evitar que famílias inteiras sofram com as enchentes
Fotografia: RafaEl Tati

 
Cerca de 14 milhões de dólares é o montante que o governo provincial de Cabinda investiu para regular o escoamento das águas das chuvas, através do projecto “Macro-Drenagem. De acordo com o engenheiro civil Juliano Capita, da Secretaria Provincial das Obras Públicas, a implementação deste projecto é de extrema importância para a cidade e arredores, por se tratar de um sistema de canais que vai regular o percurso das águas das chuvas, evitando os desastres que acontecem sazonalmente durante as quedas pluviométricas, que destroem habitações e provocam o desalojamento de famílias inteiras.
O governo da província de Cabinda investiu cerca de 14 milhões de dólares num projecto de macro drenagem que visa a construção, nos bairros da periferia da cidade, de uma rede de escoamento para direccionar o percurso das águas das chuvas que saem dos pontos altos da região até ao mar, de modo a evitar as habituais inundações que destroem casas e haveres dos munícipes.
Este montante está a ser aplicado nos estudos geofísicos, nas indemnizações das populações transferidas para outros locais e na execução propriamente dito do projecto de construção de valas de drenagem na cidade de Cabinda e arredores, com destaque para as bacias do Luvassa, Lombolombo, Amílcar Cabral, Comandante Gika e 4 de Fevereiro.
De acordo com o engenheiro civil Juliano Capita, da Secretaria provincial das Obras Públicas, a implementação do projecto “Macro-Drenagem” é de extrema importância para a cidade e arredores, por se tratar de um sistema de canais que vai regular o percurso das águas das chuvas, evitando os desastres que acontecem sazonalmente durante as quedas pluviométricas, que destroem habitações e provocam o desalojamento de famílias inteiras.
Referiu que com a conclusão deste programa, a cidade de Cabinda vai ter o direccionamento normal das águas a partir dos seus pontos altos até ao mar.
Numa primeira fase, estão a ser executadas as obras de construção das valas de drenagem da bacia do Luvassa, pela empresa portuguesa Mota-Engil, que está a construí-las em betão armado e em solo cimento, devido às condições geofísicas do terreno. Os trabalhos estão neste momento a 65 por cento da sua execução e começam na montanha do Tchizo, passando pelos bairros Comandante Gika, Vitória é Certa, 1º de Maio e Luvassa.
Segundo Juliano Capita, o desenvolvimento deste projecto implica diferentes condicionalismos que devem ser acautelados para o seu avanço normal, por estar a ser executado em zonas onde as habitações não estão devidamente urbanizadas.
“Temos tido algumas dificuldades em executar este projecto, porque onde estão a ser construídas as valas habitam muitas famílias e tem havido constrangimentos em desalojar as pessoas que residem nessas áreas, o que muitas das vezes tem condicionado o término do nosso trabalho. Mas, de qualquer modo, encontramos sempre formas técnicas que permitem contornar a situação e que nos têm permitido avançar com os trabalhos”, disse.
Os estudos geofísicos para a implementação do projecto “Macro-Drenagem” na bacia do Lombolombo foram feitos pela empresa Monta-Engil, que se vai encarregar da construção das valas e canais para o direccionamento normal das águas. Segundo o engenheiro Juliano Capita, tão logo o empreiteiro termine os trabalhos da bacia do Luvassa, arrancam as obras da bacia do Lombolombo.
Juliano Capita revelou que, durante o período de execução dos canais da bacia do Lombolombo, serão feitos também estudos para o início das obras de construção das valas da bacia do Funga, localizadas na periferia do histórico bairro 4 de Fevereiro.
“O melhor seria se o governo realizasse este trabalho em simultâneo, mas por estratégia de trabalho cada bacia tem o seu contrato, ou seja, quando terminam os trabalhos de uma determinada bacia se inicia a outra. De qualquer das formas, as obras estão a ser feitas de forma gradual e a seu tempo teremos o projecto concluído”, disse.
O nosso interlocutor referiu que, com a execução deste projecto, o governo da província pretende resolver, de forma global, a velha questão do percurso das águas das chuvas em todos os bairros da cidade de Cabinda, com vista a melhorar a situação do saneamento básico no seio das populações.
Realçou que a zona do Mandombolo, adstrita ao bairro Comandante Gika, assim como outras áreas que ainda não foram abrangidas no projecto, serão integradas nos estudos que se seguirão, nos próximos tempos. Acrescentou, no entanto, que projectos do género também serão implementados nos municípios do interior, com vista a melhorar a vida das populações daquelas localidades.

Projecto beneficia populações

Reiterou que a conclusão do projecto “Macro-Drenagem” vai trazer muitos benefícios para as populações da cidade de Cabinda, porque serão criadas as condições para que as águas possam circular de forma regular e, desta maneira, vai ser possível evitar os danos materiais e humanos causadas pelas chuvas.
Para o engenheiro Juliano Capita, a implementação deste tipo de projectos serve para que gradualmente se possa ir criando as condições necessárias que visam o saneamento básico no seio das populações, de modo a permitir que o município sede seja um território seguro e bom para se viver.
Frisou que o melhoramento das valas de drenagem vai também facilitar a circulação automóvel e da população de um bairro para outro. No âmbito deste plano, de acordo com o engenheiro Juliano Capita, muitas zonas que foram anteriormente inundáveis, hoje estão a ser recuperadas para albergarem escolas e outras infra-estruturas de recreação para os jovens. Disse, entretanto, que no quadro deste processo, o governo da província de Cabinda tem estado a indemnizar as populações afectadas pela execução das valas de drenagem. “Os estudos que são feitos permitem a destruição de algumas casas construídas de forma desordenada e, quando isso acontece, temos desenvolvido um plano de indemnizações para não prejudicar ninguém, porque este programa surgiu para resolver os problemas dos munícipes e não para criar conflitos”, concluiu.

Constrangimentos

O responsável pelos serviços de saneamento básico da administração municipal de Cabinda, Tati Luís, lamentou o comportamento da população em continuar a deitar o lixo nas valas construídas, o que complica a circulação das águas de forma fluida para o mar.
Segundo Tati Luís, para combater esta situação, a administração municipal leva a cabo um amplo programa de educação cívica, que visa sensibilizar os munícipes para mudarem de comportamento, porque os beneficiários deste projecto são as próprias populações.
“A empresa Mota-Engil, que está a executar os trabalhos, tem estado a encontrar muitas dificuldades para avançar com o projecto, porque nas bermas das valas há muitos resíduos sólidos ali atirados pelas populações”, disse agastado.
De acordo com aquele responsável, a par das medidas de carácter cívico é preciso que se adoptem outras de responsabilidade para travar esta onda de degradação dos bens públicos. As coimas ou multas pesadas podem podem de factores inibidores, segundo Tati Luís, que espera, todavia, que a campanha de educação cívica seja suficientemente entendida pelas populações.
“Quero acreditar que a campanha de sensibilizaçãopara não deitar o lixo nas valas de drenagem  merecerá das nossas populações a devida atenção e acatamento”, disse Tati Luís.

Tempo

Multimédia