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Cabinda multiplica produção de mandioca doce

Leonor Mabiala|Cabinda

A Secretaria Provincial de Cabinda da Agricultura está a desenvolver, em toda a extensão da província, o processo de multiplicação de estacas de mandioca doce para apoiar os camponeses que cultivam a variedade amarga, menos produtiva.
O processo, disse o chefe do departamento provincial do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), Manuel Gomes, enquadra-se no programa de fomento agrário e do de Extensão e Desenvolvimento Rural.

A mandioca é um dos produtos agrícolas tradicionalmente mais cultivados e consumidos na província de Cabinda
Fotografia: Rafael Tati

A Secretaria Provincial de Cabinda da Agricultura está a desenvolver, em toda a extensão da província, o processo de multiplicação de estacas de mandioca doce para apoiar os camponeses que cultivam a variedade amarga, menos produtiva.
O processo, disse o chefe do departamento provincial do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), Manuel Gomes, enquadra-se no programa de fomento agrário e do de Extensão e Desenvolvimento Rural.
O programa, que prevê a multiplicação de 12 variedades de mandioca doce, está a ser desenvolvido a partir do centro de experimentação de São Vicente. 
Manuel Gomes acrescentou que o programa de multiplicação de estacas de mandioca doce, iniciado em Outubro de 2009, consta da estratégia do governo da província, que visa a redução da pobreza no seio das comunidades rurais.
“As 12 variedades estão em avançado estado de multiplicação, sendo quatro adquiridas na República Democrática do Congo - mpululu, sadisa, anti-ota e rav - e igual quantidade - “tropical manniot esculentum, TMS, 30211 e 42025 - na Nigéria”, disse Manuel Gomes.
 As restantes - meizena, necuto1, nzenzebala e Mundele Mpembe - obtidas localmente.
“Todas estão já a ser cultivadas pelos camponeses associados em cooperativas e em pequenas comunidades rurais” afirmou.
O responsável explicou que a mandioca amarga, frequentemente cultivada pelos agricultores da província, tem sido atacada pela praga “cochonilha”, tornando-a improdutiva, dai a sua gradual substituição pela doce.
Manuel Gomes revelou que a antiga Direcção Provincial da Agricultura concebeu, desde 1999, o programa “reconversão varietal” de estacas da mandioca com a variedade “precoce de Angola”.  Foi um programa que começou com o apoio de alguns parceiros que, na altura, desenvolviam, na província, projectos idênticos, afirmou.
“Nas zonas florestais, por exemplo, a colheita já atingiu quantidades superiores a 20 toneladas por hectare, o que serviu de indicador para avaliarmos a boa produção”, precisou. 
Apesar dos resultados alcançados com a “precoce de Angola”, conhecida também por mandioca de seis meses, Manuel Gomes disse que os níveis de consumo têm estado a reduzir gradualmente, em virtude dessa espécie possuir alta concentração de “cianeto” (substância tóxica).
A única forma encontrada pela população para consumi-la, disse, é através da fermentação, para depois transformá-la em fuba ou chicuanga. “Estamos satisfeitos com os resultados positivos da conversão da variedade da mandioca amarga pela doce, há bons rendimentos no seio dos camponeses ” disse.

Vantagens da multiplicação

Manuel Gomes disse que as estacas da mandioca doce, com realce para as de espécie Mpululu, sadisa, ANTI-OTA, RAV, Mundenle Mpembe, Meizena, Nzenzebala, Necuto1, proporcionam vantagens produtivas devido ao curto prazo de colheita e por serem resistentes às pragas.
As outras vantagens que as variedades de mandioca doce possuem resultam do facto de serem bastante produtivas, o que permite ao agricultor rural melhorar o rendimento e as condições sociais.  
“Com a marca “precoce de Angola”, em pouco tempo o camponês consegue colher a mandioca, por isso nas zonas rurais é chamada “mandioca de seis meses”, porque nesse período de tempo o agricultor pode fazer as primeiras colheitas”, disse Manuel Gomes, realçando as capacidades energéticas e o hidrato de carbono acumulados sob forma de amido, como uma das outras vantagens da mandioca.
A província de Cabinda possui solos aráveis, bastante produtivos, frisou Manuel Gomes.

Resultados positivos

O director da Estação de Experimentação Varietal de Mandioca Doce, Mambuco Lumbelengo, afirmou que o trabalho de ensaio em curso no centro de S. Vicente, já permitiu a multiplicação de 27 variedades, prevendo-se incluir, nos próximos dias, mais 12 tipos.
Mambuco Lubelengo disse que o projecto tem como objectivo principal proceder à substituição paulatina das estacas locais por outras resistentes às doenças e com maiores capacidades de produção.
O responsável da estação de S. Vicente referiu que o processo de pré multiplicação vai ser extensivo aos quatro municípios do interior. Trata-se de mais um passo no sentido da diversificação da economia. 

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