Províncias

Cabinda quer mudar situação de bairros periféricos

Bernardo Capita | Cabinda

O governador provincial de Cabinda, Mawete João Baptista, manifestou-se, recentemente, desgastado com os graves problemas com que se debatem os habitantes de alguns bairros periféricos da cidade, no final de uma demorada visita de campo.

Governador Mawete João Baptista no morro do Tchizo durante a visita de campo aos bairros periféricos da cidade de Cabinda
Fotografia: Rafael Tati

O governador provincial de Cabinda, Mawete João Baptista, manifestou-se, recentemente, desgastado com os graves problemas com que se debatem os habitantes de alguns bairros periféricos da cidade, no final de uma demorada visita de campo.
Depois de constatar os graves problemas sociais com que se debatem os habitantes dessas localidades, desde a falta de energia eléctrica, água potável, vias de acesso, postos sanitários, escolas e sobre o avanço de ravinas, Mawete João Baptista defendeu a tomada de medidas para inverter o actual quadro.
Naquela que foi a sua segunda jornada de campo desde que está à frente dos destinos da província, Mawete João Baptista começou por visitar a mítica aldeia de Tchizo, seguindo depois para os bairros Lombe, Lucola, Lombolombo e Cabassango.
Tchizo, centro do poder tradicional de Cabinda e antes uma pequena “buala” (aldeia) habitada por cerca de 300 habitantes, hoje conhece uma invasão popular que trouxe consigo várias construções anárquicas e a erosão das terras. A aldeia está na iminência de ser engolida por uma grande ravina, que surgiu como consequência da           alteração do ecossistema resultante do corte de arbustos ao longo de toda encosta pelas populações.
As raízes de bambus e outros arbustos, arrancados pelas populações, permitiam a compactação das terras, evitando assim o seu desmoronamento e o aparecimento de ravinas.
A visita do governador Mawete João Baptista ao Tchizo surpreendeu pela positiva os aldeões. Segundo exteriorizou Basílio Tomé, de 35 anos, ver um dirigente a calcar aquelas montanhas íngremes para se inteirar dos seus problemas, sobretudo das ravinas que assustam a população, foi de facto “uma boa surpresa” e um sinal evidente de que as preocupações das populações chegam ao conhecimento de quem governa.
Segundo acrescentou Basílio Tomé, a ravina que ameaça engolir a aldeia, de aproximadamente trinta metros de profundidade, já destruiu muitas casas e outras tantas podem desabar a qualquer momento.
“Ao ver aqui o governador preocupado com os nossos problemas, é sinceramente motivo de grande regozijo”, disse.

Reabilitação de via leva alegria ao Tchizo

Outro grande motivo de satisfação para os moradores da aldeia do Tchizo e do bairro Lombe é a reabilitação pelo governo da estrada que liga as duas localidades, desembocando em Lucola, que há mais de 20 anos se encontra intransitável.
A inoperacionalidade da via tem estado a criar sérios transtornos na vida dos habitantes, na medida em que a ausência de uma rede viária em condições impede o governo de colocar ali os serviços sociais básicos, facto que obrigava os moradores da região a percorrem vários quilómetros a pé para adquirirem, por exemplo, água, gás butano, ou mesmo para receber assistência médica.
As crianças em idade escolar dessas aldeias são obrigadas a percorrer diariamente grandes distâncias, galgando montanhas até ao local onde se encontra a escola, correndo riscos de caírem nas ravinas próximas da berma da via.
Esta situação forçou o governo da província a reabilitar esta importante via, que vai ter, depois de concluída, quatro faixas de rodagem, com seis metros de largura e treze quilómetros de extensão, partindo do bairro “Escapazar”, passando pela rua do Tchizo, São Pedro, Lombe e indo desembocar por detrás do estaleiro da EMCICA, no bairro Lucola. As obras   estão a cargo da empresa “Meng Engenharia” e, dentro de 45 dias, isto é, em Abril próximo, deve estar concluída a primeira parte do projecto, que compreende o alargamento da estrada, nivelamento e compactação das terras, para depois se iniciarem os trabalhos de construção dos sistemas de drenagem das águas pluviais, canalização da tubagem para água potável e asfaltagem.
O valor das obras não foi revelado, mas segundo o governador Mawete João Baptista, dadas as dificuldades de tesouraria que o Governo local atravessa, “os trabalhos estão a ser feitos a custo zero, graças à boa vontade de alguns empresários que se prontificaram em ajudar”.
“Nós temos jovens de Cabinda empreendedores, com uma certa capacidade intelectual e de intervenção que estão a ajudar o governo a realizar algumas acções e a refazer o sonho de uma vida melhor para as nossas populações. A estrada do Lombe, em que ninguém circulava nela, em apenas dez dias de trabalhos ganhou um cenário diferente”, disse Mawete João Baptista, elogiando o esforço evidenciado pela empresa que executa os trabalhos.
Para o governador Mawete João Baptista, o quadro social das populações dos bairros por si visitados é crítico. “São casas a caírem, estradas interrompidas, ravinas, canais de águas destruídos, enfim, por tudo quanto é canto onde passamos encontramos o mesmo grito de socorro”, disse o governador, visivelmente agastado, prometendo que o governo não terá mãos a medir para ver resolvidos e já todos esses problemas. Segundo ainda o governante, é preciso encontrar uma solução definitiva para as dificuldades globais das populações do Tchizo, Lombe, Lucola, Cabassango e Lombolombo, no quadro do plano director de requalificação da cidade de Cabinda.
Porém, acrescentou que face o aproximar dos meses em que as chuvas são intensas (Março, Abril e Maio) em Cabinda, o executivo local teve que encontrar uma alternativa, ainda que paliativa, para facilitar a circulação das populações e estas voltarem a sonhar com dias melhores. “Como puderam ver, o entusiasmo da população em ver o governador pela primeira vez a visitar os seus bairros foi muito grande”, referiu Mawete João Baptista, para quem essas visitas de campo vão continuar, porque o povo quer ver resolvidos os seus problemas.

Posto médico e escola

Se a questão da estrada está quase resolvida, outra preocupação do governo é de construir com urgência um posto médico e uma escola do primeiro ciclo no Tchizo, onde os alunos estudam num local sem condições. “Trata-se de uma casa ainda em construção, sem portas, janelas, carteiras, nem reboque, disponibilizada provisoriamente ao sector da educação pelo seu proprietário, ávido em ver as crianças aprenderem o ABC”, disse um morador.
Comovido com o drama das crianças, o governador Mawete João Baptista, depois de visitar o interior da improvisada escola e vendo o cenário de crianças sentadas no chão, outras em pequenas cadeirinhas trazidas de casa, mandou imediatamente a secretária provincial de Educação, Helena Berta Marciano, e o da Saúde, Carlos Zeca, para em conjunto elaborarem uma proposta de edificação de uma escola e um posto de saúde, enquanto que ao administrador municipal, Francisco Tando, foram-lhe baixadas orientações no sentido de solicitar à direcção da Igreja Católica ali instalada um espaço para construção das duas infra-estruturas.

Energia e água para o Tchizo

A energia eléctrica e água potável são dois produtos indispensáveis à vida e os populares do Tchizo e Lombe aproveitaram a presença do governador Mawete João Baptista para lançarem um grito de socorro, face às dificuldades com que se debatem no seu dia a dia neste domínio.
A população local consome água extraída de cacimbas, que nem sempre é própria para consumo humano. Como se isso não bastasse, nas poucas cacimbas ali existentes os proprietários cobram por bidão de 25 litros 50 kwanzas, um valor que, apesar de ser irrisório, não está ao alcance de muita gente.
Para a iluminação, a alternativa tem sido a luz de candeeiros ou mesmo de velas de cera, para o caso daqueles cidadãos desprovidos de capacidade financeira para aquisição de um gerador.
Para debelar o quadro, segundo o secretário provincial de Energia e Águas, João Baptista Franque, o governo leva a cabo três projectos, sendo dois no domínio da energia eléctrica, consubstanciados na construção de uma linha de média e outra de baixa tensão, enquanto no sector das águas está em curso a edificação de um sistema de captação, tratamento e distribuição de água potável.
O projecto de água, segundo João Baptista Franque, iniciado há cerca de um ano, não conheceu ainda o seu termo devido à alteração registada na obra. O projecto inicial previa a captação de água através de dois furos erguidos na encosta do Tchizo, que deveriam bombear o produto até à subestação e desta até ao reservatório e, através de um sistema de gravidade, abastecer-se a população.
“Esta solução seria a mais viável, mas infelizmente foi abortada e agora pensamos captar água a partir da actual estação de tratamento do Lucola”, disse.
De acordo com João Baptista Franque, a distribuição de água às populações será ainda por fontanários e prevê-se um consumo na ordem dos trinta litros diários  por habitante.

Tempo

Multimédia