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Carência de várias escolas dificulta ensino primário

Bernardo Capita |Cabinda

Ao todo, 420 alunos das três primeiras classes do ensino primários da escola do Chiueca, arredores da cidade de Cabinda, estudam debaixo de mangueiras há mais de 10 anos, por falta de salas.

Autoridades estão apostadas na construção de escolas para combater o problema
Fotografia: Rafael Tati | Cabinda

Ao todo, 420 alunos das três primeiras classes do ensino primários da escola do Chiueca, arredores da cidade de Cabinda, estudam debaixo de mangueiras há mais de 10 anos, por falta de salas.
O cenário é completamente desolador, pois além de assistirem às aulas num espaço a céu aberto, sentam-se em cadeirinhas levadas de casa, no caso dos alunos cujos encarregados de educação possuem capacidades financeiras para as adquirirem, e os desprovidos vêem-se obrigados a sentar-se em cima de pedras.
O outro problema está relacionado com a localização da escola, que se situa próximo de uma estrada terraplanada e na qual os automobilistas, ao passarem, levantam poeira para as salas, provocando doenças às crianças que aí estudam.   As professoras Alexandrina da Conceição Sambo e Angelina de Fátima Sovo, que leccionam a 2ª e 6ª classes, consideram ser difícil dar aulas naquelas condições, mas dizem ser um assunto de domínio das autoridades locais que, até ao momento, ainda não tomaram qualquer medida no sentido de resolver o problema.
“Temos feito das tripas coração para manter os alunos concentrados no momento das aulas, dada a proximidade com outras turmas e o barulho. Esta situação tem contribuído para que os alunos assimilem pouco, porque estão sempre distraídos”, lamentaram.
A directora pedagógica da escola do Chiueca, instituição que se encarregou da matrícula dos alunos em causa, disse ao Jornal de Angola estar comovida com a situação vigente, referindo que a direcção da escola não teve outra alternativa senão autorizar que as aulas decorressem debaixo das mangueiras, por insuficiência de espaço no estabelecimento de ensino.
“Não existe espaço no recinto escolar para acomodar esses alunos e, como solução, tivemos de as pôr a estudar debaixo das mangueiras” disse Maria Eugénia Mambo adiantando que o governo da província se comprometeu a construir, nos próximos tempos, uma nova escola. A secretária provincial da Educação Ciência e Tecnologia, Berta Marciano, reconhece a situação e garantiu que o governo da província está a construir três escolas, sendo uma na periferia da escola do Ymanha, em Santa Cataria e a terceira no recinto da escola Saydi Mingas, com o propósito de superar o défice existente de salas para o ensino primário.
As obras estão em fase de execução e decorrem a bom ritmo, tudo indicando que antes do fim de ano a situação será ultrapassada.
Falando a propósito da instabilidade que nos últimos dias se instalou em alguns estabelecimentos escolares, em virtude dos actos aparentemente de intoxicação, Berta Marciano sublinhou que o quadro é calmo, apesar de alguns encarregados de educação insistirem em não mandar os alunos à escola. Por isso, pediu aos que estão a agir desse modo para mudarem de postura, porque as autoridades competentes estão a fazer tudo, no sentido de garantir a segurança nas escolas e também para iniciarem as provas que ontem começaram.
Berta Marciano referiu que vai brevemente começar a distribuição as cartilhas que contêm informações e procedimentos relativamente a estes casos. Entre os vários procedimentos que a cartilha aconselha, destacou o uso de máscara como sendo o mais relevante.

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