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Casos de malária em Cabinda com tendência a aumentar

Joaquim Suami | Cabinda

A secretaria provincial da Saúde em Cabinda registou, entre Janeiro a Abril do corrente ano, 209.633 casos de patologias diversas, dos quais 81.139 de malária, que resultaram em 41 óbitos, observando-se um aumento de 18.601 casos de malária, com 40 óbitos, em comparação com o período homólogo do ano transacto.

Desde Janeiro deste ano foram registados mais de 200 mil casos de patologias diversas em unidades sanitárias de Cabinda
Fotografia: Edições Novembro

A nota refere que a malária foi a patologia mais diagnosticada em todas as unidades hospitalares de Cabinda, com destaque para o Hospital Re-gional, que registou 3.606 casos, que resultaram em 31 óbitos, seguindo-se as doenças diarreicas agudas, com 151 casos e 16 óbitos, diabetes, com 130 casos e 12 óbitos, e febre tifóide, com 125 casos, que causaram 12 óbitos.
O HIV/Sida registou 70 casos e 14 óbitos, malnutrição com 75 casos e 10 mortes, do-enças respiratórias agudas com 87 casos e sete óbitos, tuberculose pulmonar com 56 casos e nove óbitos, anemia associada com a malária e malnutrição com 40 casos, que resultaram em oito óbitos.
Durante o mesmo período, foram registados 30 casos de malária cerebral, com oito vítimas mortais, acidente vascular cerebral, com 56 casos e quatro óbitos, bronco pneumonia, com 58 casos e um óbito, hipertensão arterial simples, com 58 casos sem registo de óbito e insuficiência renal, com 16 casos que resultaram em sete óbitos. A fonte hospitalar informou que no mesmo período  foram, também, registados 11 casos de insuficiência cardíaca e hipertensão arterial associada e seis óbitos, acidente vascular cerebral e hipertensão arterial associada também com 11 casos e seis óbitos, insuficiência cardíaca simples com nove casos e um óbito e gastro-interina com três casos, sem registo de óbito. O chefe do departamento de Saúde Pública e Controlo de Endemias, Razão Simão, disse que o número de óbitos registados até Abril deste ano é preocupante, principalmente os causados pela malária.
“Os dados apresentados são preocupantes, principalmente da malária, porque nos últimos dois anos não houve distribuição de mosquiteiros, o que pode estar na causa de vários óbitos. Todos os municípios da província de Cabinda possuem mosquiteiros que foram adquiridos pelo Fundo Global, mas ainda não foram distribuídos e caberá a este organismo fazê-lo, para se diminuir os índices de óbitos por malária”, disse.
Acrescentou  que a malária é uma doença prevenível e quando não o é causa óbitos, por isso é necessário que as pessoas tenham cuidados redobrados com o saneamento básico, para se prevenir contra a patologia.
Sublinhou que a informa-ção sobre a prevenção contra a malária tem passado nos órgãos de comunicação so-cial e os técnicos de saúde também têm estado a informar às famílias as medidas de prevenção.
Quanto à situação sanitária na província de Cabinda, Razão Simão considerou razoável, pelo facto de a região possuir técnicos capazes de fazerem diagnóstico das patologias mais frequentes nas unidades hospitalares e da disponibilidade que possuem para atender a população.
“Temos os anti-palúdicos nas unidades hospitalares e a situação sanitária é razoável, apesar de existirem algumas situações em certas unidades sanitárias por falta de recursos financeiros, uma questão que em breve vai ser resolvida, tendo em conta que algumas despesas inferiores a um milhão estão a ser pagas, para facilitar aos fornecedores garantir insumos de que os hospitais precisam para funcionarem com normalidade”, disse.

Afastado perigo de ébola
A patologia da ébola, que se regista na região leste da RDC, principalmente na fronteira com o Rwanda, está a levar as autoridades sanitárias da província de Cabinda a tomarem medidas de segurança que visam prevenir o contágio da enfermidade nas comunidades próximas à fronteira com a República Democrática do Congo.
O chefe de Departamento de Saúde Pública e Controlo de Endemias, Razão Simão, disse que as autoridades sanitárias de Cabinda estão a trabalhar nas zonas fronteiriças e a divulgar as medidas de prevenção, para que as pessoas que vivem nas áreas fronteiriças estejam mais informadas sobre a enfermidade.
 “Temos que estar atentos a esta situação para se evitar a entrada desta enfermidade no nosso país. Estamos a trabalhar na divulgação de medidas de prevenção e a mensagem está a ser passada. Nos últimos 30 anos, sempre que se registaram casos de ébola na República Democrática do Congo  nunca atingiram a região fronteiriça com Angola”, disse Razão Simão.
     As autoridades da RDC, acrescentou,  afirmaram que os casos de ébola registados estão longe das zonas fronteiriças, “por isso, vamos ter fé que essa epidemia não chegará à nossa região”, disse.
De referir que a ébola é uma doença hemorrágica que provoca na vítima febres altas, acima de 38 graus, vómitos, sangramento na pele, dores nos músculos e propaga-se rapidamente, por se tratar de uma doença viral.

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