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Casos de tuberculose preocupam sanatório

Joaquim Suami | Cabinda

O Centro Provincial dos Serviços de Infecto-Contagiosas de Cabinda registou, no ano passado, 1.384 casos de tuberculose. A informação foi avançada pelo responsável da área de patologia de infecto-contagiosas, Gilberto Mossukusa.

Sanatório de Cabinda onde as autoridades sanitárias estão preocupadas pelo facto de muitos doentes abandonarem a medicação
Fotografia: António Soares

O Centro Provincial dos Serviços de Infecto-Contagiosas de Cabinda registou, no ano passado, 1.384 casos de tuberculose. A informação foi avançada pelo responsável da área de patologia de infecto-contagiosas, Gilberto Mossukusa.
Do número de casos registados, em 2009, 11 resultaram em óbitos, dos quais seis associados ao VIH/Sida, segundo dados fornecidos por aquele responsável.
Nos primeiros três meses deste ano, o centro anotou 391 casos de tuberculose, números que preocupam as autoridades sanitárias da região, por estarem a aumentar, nos últimos tempos, apesar da taxa de mortalidade estar abaixo dos dez por cento.
Gilberto Mossukusa disse que o centro de infecto-contagiosas e o Programa Nacional de Controlo da Tuberculose vão continuar a trabalhar na melhoria dos serviços de atendimento aos doentes infectados para que os diagnósticos da patologia e as taxas de mortalidade reduzam nos próximos anos.
“Os casos registados no ano passado inquietam-nos, mas as taxas de mortalidade não são preocupantes, porque a tuberculose é uma doença que tem cura quando o paciente é devidamente assistido e medicamentado”, salientou.
O responsável salientou que o tratamento da doença pode levar até oito meses, acrescentando que a taxa de cura em Cabinda ronda os 97 por cento, o que é satisfatório.
Gilberto Mossukusa referiu que, no grupo de doenças respiratórias agudas, nomeadamente, as gripes, pneumonias, bronquites e asmas, a tuberculose é a que mais aflige a população da região, onde mais de 80 por cento dos pacientes internados são portadores dessa patologia.
Um dos maiores problemas que a instituição enfrenta é o facto de muitos pacientes que são assistidos nos serviços de infecto-contagiosas continuarem a abandonar a medicação antes do prazo previsto pelos técnicos, por se acharem curados. “Isto tem feito com que o quadro clínico destes doentes seja agravado”, alertou.
O responsável acrescentou que os pacientes que abandonam a medicação dificultam o cronograma de receitas médicas, por muitos deles estarem igualmente infectados pelo vírus da Sida.

Assistência gratuita

A assistência médica e medicamentosa dos pacientes internados no centro de saúde, que tem capacidade para 25 camas, e de outros doentes que observam o tratamento nas suas casas, é gratuita, garantiu Gilberto Mossukusa.
O doente, quando chega ao centro, é atendido e diagnosticado, seguindo-se o internamento ou a assistência em regime ambulatório. A partir daqui, os pacientes passam, durante oito meses, a beneficiar gratuitamente de medicamentos, de exames laboratoriais e de alimentação, explicou.
O responsável salientou que o hospital central de Cabinda possui todos os fármacos necessários para tratar o doente infectado com tuberculose. O grande problema está ligado à escassez de espaço de internamento, num total de 25 camas, considerado insuficiente para atender o número de doentes que afluem à unidade sanitária.
Para pôr cobro a esta situação, o governo da província de Cabinda está a construir, na aldeia de Santa Catarina, um centro de infecto-contagiosas para permitir internar um número maior de doentes com tuberculose. As obras já estão concluídas, faltando apenas a instalação dos equipamentos para o seu funcionamento normal.
Casos mais graves Os cidadãos que exercem a actividade de transporte de cargas nos vários locais de comércio, vulgo roboteiros, e pessoas de baixo rendimento são os que lideram a lista dos casos mais graves que chegam à instituição, disse Gilberto Mossukusa.
A medicação dos doentes com tuberculose deve ser acompanhada de uma boa alimentação e, infelizmente, boa parte destas famílias não possuem capacidade financeira para fazer face à situação, o que retarda a recuperação dos pacientes, esclareceu.
Além disso, são muitas as pessoas que abandonam a medicação, quando deveriam cumprir oito meses de tratamento, mais dois anos de acompanhamento a partir de uma unidade sanitária, para que não se comprometa a cura.

Centros equipados

O supervisor provincial do Programa de Controlo da Tuberculose, Silvestre de Morais, disse que a secretaria provincial da Saúde está a trabalhar com 20 unidades de serviços de infecto-contagiosas em todos os municípios e comunas.
Cinco dos referidos centros de saúde estão equipados para fazer o tratamento e o diagnóstico, pois possuem laboratórios com tecnologia laboratorial de ponta, enquanto outras 15 unidades se destinam a tratamentos ligeiros.
O supervisor Silvestre Morais referiu que a secretaria provincial da Saúde reúne semanalmente com os proprietários de células de orações, com vista à sensibilização daqueles que as frequentam.
“As pessoas, quando descobrem que estão infectadas com tuberculose, dirigem-se às células de orações à procura da cura, quando o local apropriado são os centros de tratamento. É para estes locais que os líderes destas células devem encaminhar os doentes”, exortou o supervisor Silvestre Morais.

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