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Começam as obras no Porto de Cabinda

Bernardo Capita| Cabinda

As obras do porto de Cabinda vão arrancar em breve, depois da assinatura, quarta-feira, do contrato de adjudicação da empreitada. As obras do porto vão custar aos cofres do Estado 20 milhões de dólares e demoram nove meses.

Momento em que o governador de Cabinda e o ministro dos Transportes colocavam a primeira pedra para construção do novo cais
Fotografia: Rafael Tati

As obras do porto de Cabinda vão arrancar depois da assinatura, quarta-feira, do contrato da adjudicação da empreitada. A cerimónia de assinatura de contrato teve lugar no salão nobre do palácio do governo da província, na presença do ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, do governador Mawete João Baptista, membros do governo local, deputados do círculo provincial, autoridades tradicionais, religiosas e empresários.
Foram subscritores do contrato, o presidente do Conselho da Administração do Porto de Cabinda, Manuel Nazareth Neto, e o vice-presidente da China Gezhouba Group Company Limited, Ren Jianguo.
As obras da nova ponte cais foram estruturadas em duas partes, a construção de um pontão, ponte de aço e uma área de armazenamento para três mil contentores. As obras do porto vão custar aos cofres do Estado 20 milhões de dólares e demoram nove meses.
O pontão e a ponte de aço vão ser fabricados na China e depois tranportados para o Porto de Cabinda. A nova ponte cais é sustentada por uma ponte metálica de amarração e outra fixa em estrutura mista, betão e metal, possibilitando assim as movimentações de carga e descarga, veículos e empilhadores para estiva.
A futura ponte cais tem 319 metros de comprimento e 32 de largura, contra os actuais 125 metros de comprimento e 15 de largura. A área de acesso tem uma via com cinco metros em cada faixa de rodagem.
A nova ponte cais vai permitir a atracagem em simultâneo de dois navios até 130 metros de comprimento, já que a zona de operações, actualmente sufocada com sucessivos assoreamentos, passa a ter um calado variável entre quatro e dez metros.
O projecto portuário, coordenado pelo Ministério dos Transportes através do Instituto Marítimo e Portuário de Angola, vai dar emprego a 200 trabalhadores.
O empreiteiro chinês garantiu o cumprimento escrupuloso do prazo contratual, acrescentando que a sua empresa tem capacidade técnica para fazer a obra sem atrasos.
Rene Jianguo esclareceu que a obra tem várias fases. A primeira, de estudo e concepção, inclui a prospecção geológica e demora dois meses. Depois é a fase da fabricação, transporte e instalação do pontão e da ponte de aço.  A assinatura do contrato para construção da nova ponte cais foi seguida de um acto formal de lançamento da primeira pedra pelo titular da pasta dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, e pelo governador da província, Mawete João Baptista.

Histórico do porto

A actual ponte cais do Porto de Cabinda foi construída há 61 anos pela administração colonial e tinha em conta, exclusivamente, de acordo com os seus mentores, o transporte de coconote e de madeira.
Com o crescimento demográfico e económico de Cabinda, houve um aumento significativo na diversidade e volume de produtos de exportação e importação, o que implicou a aplicação na ponte cais de equipamentos e outros meios auxiliares de carga e descarga, operações cujas estruturas instaladas não suportavam, pelo facto do tabuleiro principal ser constituído à base de madeira “ngulumazi”.
Esta situação e os sucessivos assoreamentos impediram que os navios de grande porte atracassem na ponte cais, ficando a 60 milhas da costa, onde são feitas até à data todas operações de descarga de mercadorias por via de um processo de baldeação.
As operações de baldeação, além de originarem enormes prejuízos financeiros ao porto, devido às despesas de sobrestadia de navios e aos custos adicionais aos operadores económicos, sobrecarregam o consumidor, que arca com todos os custos.

Ministro valoriza obras

O projecto de construção da nova ponte cais no porto de Cabinda foi valorizado pelo ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, que o considerou “pressuposto importante na concretização dos projectos virados para o desenvolvimento económico e social da província de Cabinda, no âmbito da materialização do programa do Executivo angolano”
Segundo o titular da pasta dos Transportes, o projecto não retira a possibilidade da construção do porto de águas profundas concebido pelo Governo Central para esta região, por ser “uma necessidade objectiva para melhoria das condições sociais e económicas do povo de Cabinda”.
O ministro explicou que com a intervenção na ponte cais, as mercadorias destinadas à província deixam de ser descarregadas em Ponta Negra, República do Congo e vai permitir a atracagem de navios de grande porte, enquanto se trabalha a médio prazo na execução do projecto do porto de águas profundas.
Augusto Tomás assegurou que a primeira fase do projecto de construção do porto de águas profundas, que contempla os estudos sísmicos, de impacto ambiental, limpeza da futura zona dos cais, deve terminar dentro de dois anos.
Para o governador da província, Mawete João Baptista, a cerimónia de assinatura do contrato para a construção da nova ponte cais e o lançamento da primeira pedra são dois importantes marcos e um indicador claro de que o Executivo pretende desenvolver o país de forma harmoniosa e sustentável.
As populações de Cabinda podem contar com dias melhores, porque com o início das obras de construção da nova ponte cais abre caminho ao porto de águas profundas, já que a ponte cais, depois de concluída, vai servir de apoio à recepção de equipamentos destinados ao mega projecto, disse Mawete João Baptista.
“O porto de águas profundas, o porto mineiro e o porto pesqueiro são as nossas apostas para o desenvolvimento que merece esta província”, sublinhou o governador de Cabinda.

Redução de custos

O presidente do Conselho de Administração do Porto de Cabinda, Manuel Nazareth Neto, disse que o projecto de construção da nova ponte cais vai proporcionar muitos ganhos às populações locais, mas também para à empresa que dirige, já que “vai permitir, logo à partida, a redução de custos na mercadoria que aqui transita”.
Outra vantagem apontada é que o investimento vai proporcionar a diminuição das assimetrias existentes entre a província e o resto do país.
“A ponte cais tem, entre outros objectivos, o de aproximar Cabinda do resto do país através de transacções comerciais e por via da redução da dependência que existe com o porto de Ponta Negra”, disse Manuel Nazareth Neto.
Com a construção da nova ponte cais, disse Manuel Nazareth Neto, vamos inverter os custos financeiras até aqui suportados pelo governo em consequência das operações de baldeação das mercadorias no alto mar” O governo em vez de gastar recursos, passa a receber”, frisou.
O responsável do porto de Cabinda disse à reportagem do Jornal de Angola que o projecto prevê também uma área de acondicionamento de contentores.

Meio caminho andado

O deputado pelo circulo provincial de Cabinda, José Mangovo Tomé, considerou o início das obras de construção da nova ponte cais como meio caminho percorrido para a execução do projecto do porto de águas profundas, já que é a via por onde vão ser descarregados os materiais para a sua edificação.
A construção do porto de águas profundas foi garantida durante a campanha eleitoral pelos candidatos do MPLA. Mangovo Tomé, deputado pelo partido, assegurou que o projecto continua nas prioridades do Executivo e que com o lançamento da primeira pedra para a construção da nova ponte cais e a consignação da obra, meio caminho foi andado para o cumprimento das promessas eleitorais: “novas expectativas e esperança se vão abrir para este povo”, disse.
As autoridades religiosas e tradicionais também manifestaram a sua alegria com o arranque das obras de construção da nova ponte cais. As opiniões do padre Francisco Nionje Capita, reverendo Próspero Ngaca e do regedor Faustino Vieira Landaze, foram convergentes, todos destacando a importância do projecto na melhoria do nível de vida das populações da província de Cabinda.

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