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Comunas e aldeias estão bem de saúde

Bernardo Capita| Cabinda

O sector da saúde em Buco Zau tem estado a conhecer melhorias substanciais. A cada dia que passa são registadas inovações, que se traduzem na construção de novas infra-estruturas hospitalares de qualidade e dotadas de tecnologia capaz de diagnosticar patologias, o que antes só era possível com recurso a unidades hospitalares de referência na capital da província ou fora dela.

Obras de ampliação e alteração da estrutura arquitectónica do hospital municipal de Buco Zau estão quase concluídas
Fotografia: Rafael Tati

O sector da saúde em Buco Zau tem estado a conhecer melhorias substanciais. A cada dia que passa são registadas inovações, que se traduzem na construção de novas infra-estruturas hospitalares de qualidade e dotadas de tecnologia capaz de diagnosticar patologias, o que antes só era possível com recurso a unidades hospitalares de referência na capital da província ou fora dela.
Hoje isso já é feito, sem grandes dificuldades, no município madeireiro de Buco Zau, que se situa  121 quilómetros a Norte da cidade de Cabinda. O governo da província, em parceria com a petrolífera Chevron e seus associados do Bloco zero e Fundo de Apoio Social (FAS), instalaram nas sedes comunais de Nhuca e Necuto dois centros médicos, para além de 10 postos de saúde em diversas aldeias dessas circunscrições.
Na sede municipal, o governo da província leva a cabo obras de construção, reabilitação e ampliação de dois hospitais de referência, o Alzira da Fonseca e o municipal, cujas empreitadas estão actualmente a cargo da construtora China Jiangsu.
A ampliação e alteração da estrutura arquitectónica do hospital municipal de Buco Zau foi decidida há 50 dias pelo governador Mawete João Baptista, depois de ter visitado e observado no local o cenário desolador de uma mulher a dar à luz no chão por falta de condições técnicas. O episódio comoveu o governante, que de imediato deu instruções aos membros do seu executivo no sentido de rapidamente se alterar o quadro, que, para ele, “só mancha o bom-nome do governo”.
Foi a partir desse triste episódio que foram dadas orientações para a ampliação do hospital municipal de Buco Zau. A empreiteira chinesa, que logo deu início às obras, recrutando para o efeito 12 jovens pedreiros, carpinteiros, electricistas e pintores, prometeu tudo fazer para que a unidade sanitária tenha uma imagem mais digna. Transcorridos 50 dias desde o arranque das obras, é surpreendente ver as mudanças verificadas.
Para quem conheceu, até há cerca de dois meses, como era a antiga infra-estrutura do hospital municipal de Buco Zau, que não passava de uma simples cubata, e hoje for visitá-la, como fez a reportagem do Jornal de Angola, ficará certamente de “boca aberta”, dada a beleza arquitectónica que ostenta, sendo motivo de grande satisfação para os seus 40 mil habitantes.
Dieudoné Mavungo Mambuela, 27 anos, é um dos muitos habitantes do Buco Zau que exteriorizou a sua satisfação pela qualidade das obras do hospital municipal. O jovem, pedreiro de profissão, trabalha na obra de construção do hospital municipal há sete meses e confessou ao Jornal de Angola que está satisfeito com o que faz, apesar do salário de 12 mil kwanzas que aufere ser escasso para as necessidades, “mas como o emprego está difícil, mais vale um na mão do que dois a voarem”. Receia, porém, que com o termo das obras, previsto para o fim deste mês de Agosto, venha a passar por maus bocados para sobreviver, daí o apelo lançado ao governo no sentido de projectar mais obras para o município de Buco Zau, para assim tirar jovens do desemprego.
José Nguimbi Gomes, 30 anos, operador de máquinas, também lamentou o baixo salário, acrescentando, tal como Deodoné, que “o mais importante é ter algo para o sustento da família”, pedindo apenas ao Pai Criador que lhe dê forças para continuar a trabalhar.
O hospital municipal de Buco Zau, reabilitado e ampliado, deve começar a funcionar dentro de um ou dois meses, com capacidade para internar 90 doentes em quatro enfermarias. Entre as áreas de serviço de que dispõe, destacam-se o banco de urgência, salas de medicina geral, hemoterapia, farmácia, RX, laboratório, saúde pública, cozinha, refeitório, armazém, lavandaria, consultório de ginecologia, consultas externas e pediátrica, bloco operatório, estomatologia e secção para gases medicinais.
O director municipal da Saúde, Pedro António Tati, manifestou-se satisfeito com as obras em curso, assinalando que vão melhorar o sistema de atendimento aos pacientes e dignificar os profissionais da Saúde. “Quando um doente se dirige ao hospital e se confronta com insalubridade e falta de uma boa assistência médica e medicamentosa, altera o seu quadro clínico, porque o seu subconsciente fica traumatizado”, disse, recordando como era antes das obras.

Inquietações

Aquilo que mais preocupa o responsável municipal da Saúde é a situação da falta de casas para acomodar os técnicos (médicos e enfermeiros), bem como uma área para internar doentes com problemas infecto-contagiosos. Relativamente ao primeiro aspecto, Pedro António Tati disse ter recebido garantias da Administração Municipal sobre a construção, ainda este ano, de duas moradias geminadas destinadas aos técnicos de saúde. Quanto à área de infecto-contagiosos, referiu que a preocupação já foi colocada ao governo da província, propondo como local preferencial para a construção do sanatório o antigo hospital localizado no cruzamento de Mbatasano.
“Nós não podemos contar com o hospital Alzira da Fonseca, porque será de dimensão regional, para atender doentes oriundos do Belize, Dinge e Necuto”, recordou Pedro António Tati, para quem os doentes com problemas de VIH/Sida, tuberculose e cólera não devem partilhar o mesmo hospital com pessoas de patologias curáveis.
Segundo explicou, por falta de um hospital especializado para tratamento de doentes com infecções crónicas, os serviços municipais da saúde limitam-se a prestar assistência ambulatória e, quando se registam recaídas, os doentes são evacuados para o hospital provincial de Cabinda.
No que toca aos doentes com problemas de clínica geral, revelou que, enquanto decorrem obras no hospital municipal, os mesmos são assistidos no posto de triagem, auxiliado por uma clínica móvel, instalada na sede municipal e no centro de internamento na comuna de Nhuca. “Neste momento, só fazemos triagem e uma assistência médica não superior a 48 horas. No caso dos doentes com problemas cuja solução requer mais tempo, eles são transferidos e internados no centro de saúde de Nhuca”, explicou.    
Pedro Tati disse acreditar que com os projectos em curso no sector da Saúde, o quadro das dificuldades com que a instituição se debate será ultrapassado e tanto a população como os profissionais da saúde sairão a ganhar com a conclusão das obras do hospital municipal.
Quanto aos recursos humanos, garantiu não haver problemas de maior, já que o sector possui um número considerável de técnicos de base, médios e superiores. “São todos formados. No total temos três médicos estrangeiros (coreanos), 69 técnicos nacionais, dos quais dois superiores, 34 médios e 33 básicos, além de cinco técnicos de laboratório e um formado em estatística”, afiançou.   

Hospital Alzira da Fonseca

As obras de reabilitação e ampliação do Hospital Alzira da Fonseca, iniciadas em 2006, não têm data definida para a sua conclusão, devido às constantes adendas de que têm sido alvo e do trabalho ainda em curso de construção do muro de protecção da grande ravina que ameaça engoli-lo na parte traseira. A erosão progride inexoravelmente e a empreiteira à qual foram adjudicadas as obras de contenção da ravina, a OPCA, tem-se revelado incapaz de a conter, já que por duas vezes as paredes protectoras construídas se desmoronaram em consequência da forte pressão das águas das chuvas.
As infra-estruturas hospitalares estão concluídas em 90 por cento, restando apenas a construção do bloco operatório e área destinada à conservação dos gases medicinais. Os equipamentos já se encontram no hospital e a qualquer altura poderão ser instalados. O governo da província, segundo o administrador municipal adjunto do Buco-Zau, José Macaia, perspectiva, depois da conclusão das obras, conferir ao Alzira da Fonseca a categoria de hospital regional, para atender Buco Zau, Belize, Dinge e Necuto.
Para José Macaia, a falta de idoneidade e capacidade técnica das empreiteiras que inicialmente assumiram as obras fez com que, até à data, o governo não concretize esta pretensão, que em muito poderia contribuir não só para o descongestionamento do hospital provincial, mas também para a melhoria da qualidade de assistência médica às populações.
“Apesar da crise financeira mundial ter agravada o curso normal das obras, o atraso deve-se sobretudo ànão conclusão das obras de construção do bloco operatório ainda em curso e da ravina que não conseguem conter”, disse, reprovando as técnicas aplicadas pela empreiteira para a sua contenção. Do seu ponto de vista, o trabalho que está a ser executado pela empreiteira “não dará quaisquer resultados”, visto que na região do Maiombe ocorrem chuvas intensas em todas épocas. Por isso, decidiu propor que o trabalho fosse realizado por uma empresa com maior capacidade técnica.
Avaliando o sector da saúde em Buco Zau, José Macaia disse não ter palavras para definir o que está a ser feito, reconhecendo que é um trabalho extraordinário, que orgulha os seus habitantes. “O hospital municipal, que se encontrava em escombros, está quase totalmente reabilitado, incluindo a parte administrativa. Está também em reabilitação o hospital Alzira da Fonseca, assim como temos, nas comunas de Necuto e Nhuca, centros médicos com excelentes condições. Portanto, só não vê o desenvolvimento do município quem não tem olhos para ver”, concluiu.   

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