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Estradas de Cabinda em obras

Joaquim Suami| Cabinda

O governo da província de Cabinda está apostado em reabilitar as estradas que dão acesso às aldeias do Talicuma, Talibeca, Zalangó, Prata, Ngleso e Chimbuandi, pertencentes à regedoria do Subantando. O objectivo é  melhorar a circulação das populações e facilitar o transporte dos produtos do campo para a cidade.

A província mais a Norte do país continua a registar desenvolvimento em termos sociais e económicos e o Governo vai continuar a apostar na reconstrução de estradas
Fotografia: António Soares

O governo da província de Cabinda está apostado em reabilitar as estradas que dão acesso às aldeias do Talicuma, Talibeca, Zalangó, Prata, Ngleso e Chimbuandi, pertencentes à regedoria do Subantando. O objectivo é  melhorar a circulação das populações e facilitar o transporte dos produtos do campo para a cidade.
O vice-governador para área técnica e produtiva, António Manuel Gime, efectuou, na semana passada, uma visita à regedoria do Subantando, onde verificou a situação das vias das aldeias do Talicuma, Talibeca, Zalongó, Prata, Ngleso e Chimbuandi, que vão ser, em breve, reabilitadas pela empresa angolana Encica. 
O vice-governador disse à imprensa que estão criadas todas as condições para as obras de reabilitação das vias da regedoria do Subantando começarem.
As obras, adiantou, enquadram-se num projecto mais vasto, que abarca as estradas em todos os municípios. "O governo traçou um programa de abertura de picadas para, de uma forma geral, ser permitida a criação de condições mais aceitáveis nas comunidades", referiu António Gime.
Além da reabilitação das vias da regedoria do Subantando, anunciou, o governo provincial vai construir infra-estruturas sociais e a principal prioridade são escolas, centros de saúde, casas sociais, o abastecimento de água potável e o fornecimento de energia eléctrica.  
"A maior parte das escolas daquelas localidades são do ensino primário. Pretendemos, com o evoluir dos trabalhos de reabilitação das vias, criar infra-estruturas de qualidade porque há professores que rejeitam trabalhar naquelas comunidades por falta de condições", disse, sublinhando: "Vamos também melhorar a situação sanitária, construindo centros médicos, pois os postos construídos no tempo colonial estão em abandono e precisam de ser recuperados". 
O administrador do município de Cabinda, Francisco Tando,  referiu que na sua área de jurisdição está a ser dada prioridade, além de Subantando, às vias do Champoterico e de Chingondo.  
"Estamos a trabalhar para a reabilitação das vias principais, capazes de melhorar a circulação das populações e de transporte dos produtos agrícolas", declarou, reconhecendo que "há, também, o problema das escolas naquelas aldeias que, por serem  pequenas e antigas, vão ser adaptadas à realidade, tendo em conta o realojamento das populações".    
 
Empreitada de sete meses
 
Para reabilitar as vias de Talicuma, Talibeca, Zalangó, Prata, Ngleso e Chimbuandi, o governo da província contratou a empreiteira angolana Encica. A obra, que abarca 54.600 quilómetros de estrada, deve ser executada em sete meses.  O responsável da empreiteira, Raul Rocha, revelou que o troço a reabilitar vai ter três pontecos, dois sobre o rio Lulondo e um sobre o rio Fubo.  
A estrada, disse, vai ter nove metros de largura, com uma berma desmatada de cinco metros em ambos os lados. Nas descidas mais acentuadas está prevista a construção de valetas em betão armado.
A base da estrada vai ser estabilizada com um endurecedor, a importar da África do Sul, que impede a formação e progressão de ravinas.
"A empresa dispõe de materiais e equipamentos nas obras do Nganda Cango e do Macanga. Temos uma brigada imobilizada na via do Kuimba, na província do Zaire, cuja obra ainda não tem um enquadramento financeiro do Ministério das Finanças. Dada a prioridade do governo de Cabinda, vamos começar com os trabalhos, mobilizando os mais de 70 camiões que estão parados naquela frente", afirmou o empreiteiro.
A reabilitação das vias das aldeias do Talicuma, Talibeca, Zalongó, Prata, Ngleso e Chimbuandi vai permitir realojar, mais facilmente, a população que regressa da República Democrático do Congo. As transacções fronteiriças também saem beneficiadas.
"Os mercados fronteiriços do Chimbuandi e do Chingondo vão ganhar outra vida com a ampliação e reabilitação das vias por serem duas zonas bastante concorridas em termos de comércio", acentuou Raul Rocha.
 
Uma visão mais ampla

 
A população das aldeias do Talicuma, Talibeca, Zalangó, Prata, Ngleso e Chimbuandi, que regressou ao país, proveniente da RDC, no âmbito do programa de realojamento familiar, recebeu mais de cinco mil chapas de zinco para autoconstrução dirigida. A secretária provincial de Reinserção Social disse que o governo da província apoia os regressados, fornecendo-lhes além das chapas de zinco, equipamentos para o desenvolvimento da agricultura.
Aldina da Lomba afirmou que as maiores dificuldades que a secretaria provincial de Reinserção Social enfrenta para a concretização do programa de distribuição de chapas de zinco e de equipamento para a lavoura são as péssimas condições das vias de acesso, mas que quando o programa de melhoramento das vias de acesso estiver concretizado, a construção e reconstrução de escolas, habitações e centros de saúde nas localidades fronteiriças fica facilitada. 
"O governo está a ter uma visão mais ampla quanto ao melhoramento das condições sociais das populações", disse, lembrando: "A maior parte das famílias que receberam chapas zinco tinham dificuldade em confeccionar os adobes, pois tinham de percorrer longas distâncias para irem buscar água aos rios, afirmou, adiantando.
"Devido a essa situação, muitos optaram por construir casas de madeira, mas também isso era difícil, por causa da situação crítica das vias de acesso aos locais de corte dos troncos".
 
Regedor quer rapidez
 
O regedor do Subantando, António José Casimiro, disse, ao Jornal de Angola, que as aldeias do Talicuma, Talibeca, Zalangó, Prata, Ngleso e Chimbuandi, com cinco mil habitantes, precisam de vias de acesso estáveis,  escolas, centros de saúde, água potável e  energia eléctrica.
António Casimiro referiu que o governo provincial, no âmbito do programa de melhoria dos serviços básicos às populações, deve intervir, o mais rápido possível, na reabilitação das vias de acesso.   
O regedor lembrou que a população sente falta de centros de saúde e que os doentes, quando não são tratados por meios tradicionais, são transportados para a República do Congo Democrático, com todos os custos daí decorrentes.
As populações mais facilmente vão à RDC para serem tratadas, por terem imensas dificuldades em chegarem ao Hospital Central de Cabinda devido ao mau estado das estradas, lamentou.
"O programa de melhoramento das vias vai facilitar o desenvolvimento das nossas localidades", disse, frisando que, "mesmo com as actuais dificuldades de acesso, as populações desenvolvem as actividades normais".
"Na aldeia do Chimbuandi, por exemplo, há um mercado fronteiriço que facilita a troca de produtos agrícolas entre Angola e a RDC",  concluiu.

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