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Naufrágio de navio na baía de Cabinda

Alberto Coelho| Cabinda

Um navio com bandeira do Panamá transportando 155 contentores de viaturas, materiais de construção, electrodomésticos e bens alimentares foi ao fundo na madrugada de sábado na baía de Cabinda.

Imagens do navio já muito velho de bandeira panamiana que naufragou na madrugada de sábado na baía de Cabinda
Fotografia: Rafael Tati| Cabinda

Contentores com frescos ainda ontem estavam a flutuar  e dez encalharam nas aldeias Chinga, Chiazi e Lombo Lombo. O presidente do conselho de administração do Porto de Cabinda disse, em conferência de imprensa, que o navio “Sallos” do Panamá, agenciado pela empresa francesa Delmas, chegou à baía de Cabinda com alguns problemas técnicos, às 18h00 de quinta-feira, proveniente do porto de Ponta Negra, com 107 contentores de 20 pés e 48 de 40 pés.
“O Sallos chegou com avarias e o comandante alertou a Capitania de Cabinda que estava a meter água”, explicou Manuel Neto.
Por este facto, “o Porto e a Capitania tomaram as medidas que se impunham, fazendo deslocar ao navio as suas equipas de socorro. Mas nesse momento começou a adornar para o lado direito e não temos equipamentos para evitar  o naufrágio”.
O presidente do conselho de administração do Porto de Cabinda informou que até agora ainda não foram apuradas as causas exactas que provocaram a avaria. Toda a tripulação que se encontrava no navio foi resgatada pelas equipas de salvamento.
Manuel Neto disse que o “Sallos” Panamá “é um navio muito velho e já não devia estar a navegar, mas os armadores continuam a usá-lo na linha regular de transporte de mercadorias de Ponta Negra para Cabinda”.
De acordo com Manuel Neto, ontem estavam a decorrer acções para salvar parte da mercadoria e do próprio navio. Estão envolvidos nessas operações a Capitania, o Porto de Cabinda, a Polícia Fiscal, a Polícia de Investigação Criminal e a Polícia de Inspecção das Actividades Económicas, além de uma equipa de peritos e mergulhadores da Cabgoc/Chevron.
A equipa de salvamento conta igualmente com o apoio de barcaças e gruas da empresa chinesa CIF que está ao serviço do Porto de Cabinda. O responsável portuário disse que em breve são dadas as primeiras informações sobre a peritagem. “Neste momento todos os meios já se encontram no terreno, além de uma equipa de peritos para fazer os primeiros levantamentos que vão determinar tecnicamente como se vai proceder para salvar uma parte da carga e o navio também”.
Para já é difícil avaliar os prejuízos: “vamos aguardar que os técnicos que estão a fazer a perícia possam concluir o seu trabalho e então determinarem os prejuízos no navio e na mercadoria”.

Derrame  de combustível

Manuel Neto disse que a maior preocupação do Porto de Cabinda tem a ver com o derramamento do combustível. “Neste tipo de acidentes há sempre derrames e todo cuidado é pouco para evitar um desastre ambiental. Por isso, mobilizamos técnicos ligados ao Departamento do Ambiente do Governo da Província e alguns especialistas da Chevron para evitar derrames na baía de Cabinda”.
Manuel Neto tranquilizou os importadores cuja mercadoria se encontra no navio “Sallos” porque está tudo no seguro: “os importadores que têm mercadoria no navio devem contactar a agência e a seguradora no sentido de verem a sua situação resolvida”.

Canal do Porto


Manuel Neto disse que o acidente não vai causar qualquer transtorno nas operações portuárias já que o navio “Sallos” está muito além dos limites do canal de acesso e da entrada de navios para a ponte-cais.
E assegurou que o navio vai ser removido com facilidade, tendo em conta a profundidade do local onde se encontra e que varia de seis a sete metros.

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