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Novos edifícios habitacionais em Chibodo

Leonor Mabiala | Cabinda

O Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN) está a construir, na aldeia do Chibodo, a 15 quilómetros da cidade de Cabinda, 92 edifícios habitacionais, com 64 apartamentos T4 e 26 T3.

O Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN) está a construir, na aldeia do Chibodo, a 15 quilómetros da cidade de Cabinda, 92 edifícios habitacionais, com 64 apartamentos T4 e 26 T3.
O representante do GRN na província, o general Henrique Futi, disse, ao Jornal de Angola, que o projecto - inserido no programa do Governo que prevê a construção de um milhão de fogos habitacionais em todo o país - ocupa uma área de  2,2 mil metros quadrados e devem estar concluídos em 18 meses. O empreiteiro da obra afirmou que até ao final de Março devem estar prontos 200 apartamentos.
Sobre as dificuldades verificadas na primeira fase dos trabalhos, Henrique Futi referiu “a descontinuidade geográfica da província com o resto do país” como o grande obstáculo, porque não é possível transportar os materiais por via terrestre.  “A via marítima tem sido a alternativa, mas dada a incapacidade do porto local de atracagem de navios de grande calado, o recurso tem sido Ponta Negra. O processo, além de provocar atrasos nos trabalhos, encarece as obras”, disse.
Henrique Futi anunciou que o Gabinete de Reconstrução Nacional projecta, também, a construção da nova cidade de Cabinda, na área de Mbuco.  “Já temos o espaço definido para o desenvolvimento do projecto aguardado, com ansiedade, pelas pessoas da região. Vamos terminar a construção de mil residências até ao final de 2010, para depois executarmos este programa, no início de 2011.”

Outros projectos

Além do programa habitacional, o Gabinete de Reconstrução Nacional, afirmou Henrique Futi, tem em carteira a construção de uma escola, uma unidade sanitária, uma central de tratamento de detritos e áreas desportivas e de lazer.  O programa contempla, igualmente, obras ligadas aos sectores de identificação civil, notarial e bancário.
“Já pedimos aos responsáveis dessas instituições que contactem a direcção do projecto para a identificação dos espaços onde vão ser colocados esses serviços indispensáveis, que devem estar incorporados na nova zona urbana”, declarou, frisando que o complexo habitacional desenvolvido pelo GRN é o maior na província. Henrique Futi apelou à população para que não faça, à volta do projecto, obras sem autorização porque, esclareceu, “a prioridade das casas em construção é para famílias que vivem em Cabinda”.
“Não se justifica que quando o Governo está a criar condições de habitação para a população, surjam pessoas a fazer construções precárias na periferia, que não se compadecem com o modelo de infra-estruturas definidas para aquela área”, sublinhou.
Henrique Futi disse que a construção de 90 edifícios na localidade do Chibodo é mais um programa que se junta a outros já iniciados, como o Cajueiro da Sonangol, no bairro Cabassango, cujos trabalhos estão na recta final.  O projecto Cajueiro contempla a construção de cerca de 120 fogos habitacionais para os trabalhadores da Sonangol.
A nível das Forças Armadas Angolanas, referiu, decorrem obras na aldeia de Santa Catarina, para  construção de 150 fogos habitacionais destinadas aos desmobilizados. Está, também, em curso um projecto habitacional de iniciativa da Caixa Social das FAA.

Critérios de distribuição

Os principais beneficiários do projecto habitacional do Gabinete de Reconstrução Nacional em Cabinda, salientou Henrique Futi, são jovens, trabalhadores e antigos combatentes. 
 “Os critérios de distribuição das casas são da exclusiva competência do Governo Provincial de Cabinda”, declarou, pedindo à população que se mantenha calma “porque o Governo vai estabelecer as formas mais justas de atribuição dos fogos”.
Henrique Futi garantiu que a prioridade vai para os que não têm capacidade de conseguir, por via própria, uma habitação.
“O Gabinete de Reconstrução Nacional aparece apenas como uma instituição executora do projecto e não como órgão decisor na distribuição”, sublinhou.
Além do conjunto de obras anunciadas, a cargo do Gabinete de Reconstrução Nacional, o Governo, referiu, já trabalha na identificação do local onde vai ser erguido o futuro porto de águas profundas, um empreendimento muito desejado pela população de Cabinda.
O trabalho de projecção e identificação do local para a construção do porto de águas profundas, revelou, já decorre há três meses e está a cargo de uma empresa estrangeira.
Algumas obras envolventes do Estádio Nacional de Chiazi, ainda em curso, e as do Campus Universitário na aldeia do Caio, são, afirmou Henrique Futi, projectos que vão integrar a futura cidade.  “Como se pode depreender, Cabinda, a seguir a Luanda, é uma das províncias com maior volume de obras sociais. A tipicidade e a qualidade dos empreendimentos são de referência nacional”, frisou o general.  Henrique Futi afirmou que a reabilitação da rede viária, em curso em toda província, “é um processo imprescindível para o desenvolvimento equilibrado de Cabinda, já que vai permitir, também, o desenvolvimento de projectos sociais nos municípios do interior”.
Com estradas em condições, os materiais de construção podem chegar com maior fluidez ao interior e, com isto, projectos como os de auto-construção dirigida facilmente são realizados, disse.
“Quando as vias rodoviárias Lucula-Zenze, para Necuto, Luali, Miconje e Massabi estiverem reabilitadas, fica facilitada a articulação e aquisição de materiais de construção a preços acessíveis às famílias”, afirmou, acrescentando que os administradores municipais já foram orientados para a criação de reservas fundiárias e  concessão de lotes de terrenos.                 

Fiscalização das Obras     

O fiscal das obras que decorrem em Chibodo, Filipe Janota, disse, ao Jornal de Angola, que os trabalhos decorrem a um ritmo satisfatório e que, por causa disso, “207 apartamentos correspondentes a 27 edifícios já estão praticamente concluídos”.  A única preocupação são as calemas que ocorrem com frequência, o que dificulta a descarga de materiais de construção.  As obras de construção dos 92 edifícios estão a ser asseguradas por 400 trabalhadores,  150 chineses e 250 angolanos.

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