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Província de Cabinda sem casos conhecidos de raiva

Bernardo Capita| Cabinda

A província de Cabinda não tem registado quaisquer casos de raiva que sejam do conhecimento das autoridades sanitárias locais, garantiu recentemente, nesta cidade, o chefe de departamento dos Serviços de Veterinária da Secretaria Provincial da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, José Luís Casimiro.

José Luís Casimiro
Fotografia: Rafael Tati

A província de Cabinda não tem registado quaisquer casos de raiva que sejam do conhecimento das autoridades sanitárias locais, garantiu recentemente, nesta cidade, o chefe de departamento dos Serviços de Veterinária da Secretaria Provincial da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, José Luís Casimiro. De acordo com o também médico veterinário, a inexistência de casos de raiva na província deve-se, sobretudo, ao facto dos serviços locais de veterinária efectuarem campanhas sistemáticas de vacinação de animais de estimação, entre cães, macacos e gatos, em toda a extensão da província, um processo que tem merecido a adesão da população. “Estamos satisfeitos com a afluência da população ao posto instalado junto dos Serviços de Veterinária. Diariamente, chega aqui muita gente trazendo macacos e cães”, disse José Luís Casimiro, acrescentando que, depois do animal receber a devida vacina, lhe é emitido um certificado com validade de um ano.   
Em períodos não declarados de campanhas nacionais contra a raiva, em Cabinda as operações de vacinação são feitas por brigadas móveis integradas por técnicos dos serviços locais de veterinária que se deslocam a cada município, comuna e aldeia da província. “Em Cabinda, a campanha de vacinação contra a raiva nunca parou. Se verificarem junto dos serviços locais de veterinária verão cães a serem vacinados todos os dias”, disse José Luís Casimiro.
A campanha de vacinação contra a raiva, que arranca em todo país em Abril próximo, está a ser preparada com todo o cuidado, a começar pela logística e pela criação de condições de locomoção dos técnicos que vão deslocar-se em toda a extensão da província.
O veterinário assegurou que já estão preparadas vacinas, seringas e viaturas para o arranque da campanha em Cabinda, avançando que a questão do combustível para as deslocações deverá ser resolvido, nos próximos dias, pelo executivo local. Embora não tenha avançado o número de animais a serem vacinados nem de técnicos envolvidos, foi peremptório em perspectivar bons resultados, desde que sejam garantidas condições de alimentação e alojamento para os vacinadores (técnicos do sector) escalados para o interior da província.
Os números, de acordo com José Luís Casimiro, não fugirão muito dos alcançados em campanhas anteriores. Por exemplo, no ano passado os serviços locais de veterinária vacinaram 4.900 caninos, 750 felinos e 350 símios (macacos).

Apelo aos criadores 

“É preciso que os donos de animais de estimação tenham consciência que é preciso vaciná-los regularmente, porque a raiva é uma doença que não tem cura e quando atinge o homem é fatal”, alertou.
Apesar de Cabinda não ter registado casos de pessoas com raiva em consequência da mordedura de animais infectados, este responsável considera ser imprescindível que cada dono, mesmo que o animal não evidencie fortes sinais de agressão ao homem, seja necessariamente vacinado. Além disso, aconselha que em caso de mordedura, ainda que seja por um animal vacinado, a pessoa mordida vá imediatamente ao hospital para receber a vacina e em seguida se dirija aos serviços de veterinária para participar a ocorrência, de modo a que instituição possa diagnosticar se o animal é portador de raiva ou não.
“Qualquer cão que morda alguém deve ser observado para sabermos se tem raiva ou não e desse modo podermos avaliar o seu estado de saúde. Se for grave, o animal é automaticamente sacrificado e corta-se o mal pela raiz”, disse José Luís  Casimiro.
Abordando o comportamento dos donos para com os seus animais de estimação, o veterinário pede que estes sejam bem tratados, sobretudo os cães, dando-lhes comida, água, banho, vacinação e um lugar limpo onde possam repousar, porque além de em muitos casos serem o guarda da casa, são por excelência, quando bem domesticados, verdadeiros amigos do homem.
 
Construção de canil e gatil

Doravante, todos o animais que estiverem a deambular pelas ruas serão recolhidos e retidos no recinto construído para o efeito na aldeia da Santa Catarina, a Sul da cidade de Cabinda.
José Luís Casimiro disse que o projecto que culminou com a construção do canil gatil foi financiado pela Comissão Interministerial de Combate à Raiva e tem como objectivo apoiar o processo de recolha de animais vadios das ruas das vilas, cidades e aldeias.
O canil gatil tem capacidade para albergar 60 animais, sendo trinta de cada espécie. Depois da sua detenção o animal permanece no local 72 horas, período estipulado para que o dono proceda à sua reclamação. Ultrapassado o prazo, caso o dono não apareça, o bicho é sacrificado (morto) e em seguida incinerado.
Para o sucesso da recolha de animais vadios contou muito o facto desta actividade estar reservada aos serviços de veterinária das administrações municipais.
É consenso que as acções de combate à raiva devem basear-se nas acções preventivas, isto é, na fase em que a doença está concentrada nos animais. A erradicação da raiva nos humanos tem se revelado não só bastante onerosa como, frequentemente, difícil.

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