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Província precisa de meio milhar de salas de aula

Augusto Cuteta| Cabinda

Cabinda necessita de mais de 500 salas de aula para as crianças em idade escolar que estão fora do sistema normal de ensino, disse, na quinta-feira, ao Jornal de Angola, a secretária provincial da Educação, Ciência e Tecnologia.

Alunos no interior da sala de aula escutando atentamente as explicações da professora
Fotografia: Eduardo Cunha

Cabinda necessita de mais de 500 salas de aula para as crianças em idade escolar que estão fora do sistema normal de ensino, disse, na quinta-feira, ao Jornal de Angola, a secretária provincial da Educação, Ciência e Tecnologia.
Berta Marciano afirmou que os bairros periféricos da província são os que mais necessidades têm e onde são precisas, mais ou menos, 326 novas salas de aula, que ajudavam a descongestionar os estabelecimentos de ensino existentes.
Enquanto as escolas tiverem salas abarrotadas, referiu, o sector continua a ter dificuldades em cumprir os objectivos da reforma educativa, pois, os professores não fazem avaliação contínua por controlarem por cada lista mais de 90 alunos.
Neste ano lectivo, a província tem mais de cem mil alunos matriculados, 83.392 deles no ensino primário.
Em termos de níveis, frisou, o ensino primário é que representa a maior preocupação, pois absorve grande parte da população estudantil.
 “Há dificuldades noutros ciclos de escolaridade, mas a situação é menos gritante”, disse.
Para colmatar a falta de salas, acentuou, a província adoptou um sistema do tipo “ensino de todo o terreno”, em que as crianças devem estudar em qualquer situação, mesmo nas condições mais precárias, como debaixo de árvores, em infra-estruturas inacabadas, corredores de escolas e nas capelas.
Com esta política, embora repudiável nalguns casos, reconheceu, a província tem diminuído o número de crianças fora do sistema normal de ensino, chegando a afirmar-se que é das que tem as estatísticas mais baixas no país. “Temos algumas crianças sem salas de aula, mas pensamos resolver isso rapidamente”, declarou.
Cabinda também tem também falta de professores e de material didáctico. O governo da província, garantiu, tem envidado esforços para aumentar o número de escolas e o seu apetrechamento.
No Porto de Cabinda, estão seis contentores com este tipo de móveis adquiridos pelo governo provincial. Além destas, há, em Luanda, nove mil à espera de serem transportadas para a província.
O governo provincial recuperou, este ano, a escola secundária do I ciclo “Barão Puna”, com 50 salas, e aguarda pela entrega de um instituto pré universitário, no bairro Cabassango, com 26 salas.Uma escola do ensino especial, cujo projecto é financiado pela Chevron, pode ser construída nos próximos tempos, referiu a secretária provincial.

Ensino médio funcional

Quanto ao ensino médio, Cabinda dispõe de três institutos politécnicos na sede provincial, outro no Buco-Zau, uma escola em Cacongo, por abrir, e outra no Belize.
Estes institutos têm os cursos mais procurados pelos jovens, salientou, e respondem às necessidades da província em termos de quadros.
A secretaria provincial organiza regularmente seminários, onde professores actualizam conhecimentos. Em perspectiva há uma formação de educação musical, a realizar com a Universidade 11 Novembro, que tem um especialista na área.
O sector da Educação na província controla mais de quatro mil funcionários, dos quais mais de três mil são professores, número que vai crescer, pois houve, recentemente, um concurso público que admitiu 250 docentes, que podem iniciar as funções ainda este ano.Mas, para colmatar as necessidades da província, do o ensino primário ao secundário, disse Berta Marciano, são precisos cerca de 500 novos professores.

Desistências preocupam

A falta de motivação, criada pelas poucas condições que as escolas da província ainda oferecem, tem feito com que muitos alunos, principalmente os que trabalham, desistam das aulas.
“No ensino regular, as desistências são razoáveis, mas no laboral há alunos que depois de meses sem aulas regressam para fazer as provas finais”, lamentou, adiantando que “este procedimento está a ser banido”.
Ao falar de outros factores que concorrem para esta situação, Berta Marciano sublinhou que “as escolas de Cabinda apresentam poucos atractivos para as crianças e jovens”.
Os manuais da reforma, distribuídos gratuitamente aos alunos do ensino primário, lamentou, costumam chegar tarde e os pais de parcos recursos não podem adquiri-los no mercado paralelo.
“Muitas crianças não conseguem ter os livros por outros meios que não seja a oferta da escola e quando os professores exigem que devem também ter manuais, as crianças desmotivam-se e as menos interessadas pela escola desistem”, disse.

O regresso da merenda

A distribuição da merenda escolar recomeça ainda antes do final deste trimestre, prometeu a secretária da Educação, Ciência e Tecnologia. Há já uma empresa, garantiu, que está a trabalhar com o gabinete jurídico do governo provincial para o início do programa.Estão a ser envidados esforços, afirmou, para que o programa da distribuição da merenda escolar comece no mesmo período que o projecto de oferta de batas e mochilas aos alunos do I ciclo do ensino primário.

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