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Reabilitação das vias urbanas da cidade comprometida por falta de verbas

Alberto Coelho

A reabilitação das vias de acesso do casco urbano da cidade de Cabinda e parte dos projectos de abastecimento de energia e água à população não foram concretizadas em função da crise económica e financeira que o país atravessa, tendo sido remetidas para o próximo exercício económico.

Circulação rodoviária no casco urbano da cidade de Cabinda ainda é feito com deficiência devido ao mau estado da via situação que tem criado sérios constrangimentos aos automobilistas e transeuntes
Fotografia: Maria Augusta

Em 2016, ficou ainda por se concluir as obras do Hospital Central de Cabinda e do município de Cacongo e também a construção de 200 fogos habitacionais por cada município. 
Apesar da crise, em 2016, foram desenvolvidos esforços no sentido de manter-se os ganhos registados em 2015. Por exemplo, no sector da Saúde, os dados indicam que se registou uma baixa em termos de mortalidade infantil. Também houve uma redução considerável em termos de malária.
No que diz respeito à Educação, o ensino primário registou um aumento significativo com a entrada de mais de 21 mil crianças para o processo de aprendizagem,  27 mil para o ensino secundário e mais 500 novos estudantes ingressaram nas universidades.O sector da Indústria também registou ganhos significativos, com a execução da primeira fase do Pólo Industrial do Fútila, que está a ser implementado numa extensão de 2.345 hectares para acomodar cerca de 56 empresas do ramo petrolífero e não só.
A par da indústria de produção e transformação da madeira, com grande expressão a nível do sector na província, a construção civil, a exploração asfáltica e de betão, assim como a indústria transformadora de ração animal estão a dar passos significativos. Prevê-se empregar cerca de 2.000 pessoas.
A nível da província de Cabinda, o Executivo aprovou 30 projectos de impacto socioeconómico, que visam influenciar o desenvolvimento da região e melhorar o nível de vida da população.
Dos projectos, 15 são de implementação imediata, no quadro do financiamento da linha de crédito da China. Trata-se da construção do porto de águas profundas do Caio, reabilitação e ampliação do aeroporto local e da construção do quebra-mar e de um terminal marítimo. Fazem ainda parte dos projectos, a aquisição de dois navios de cabotagem para a ligação Cabinda/Soyo/Luanda, a electrificação da cidade de Cabinda, a implementação de projectos de reabilitação e o reforço da produção e do abastecimento de água potável nos municípios de Cabinda, Buco-Zau e Belize.
Também constam do caderno de encargos, a conclusão do projecto de construção do Campus Universitário, a construção das fases um e dois de infra-estruturas integradas da província e do centro político administrativo do governo provincial.
Quanto ao porto de águas profundas do Caio, o maior projecto a ser erguido na província depois da independência, este entra em funcionamento em 2017 com a conclusão da primeira fase. 
Manuel Nunes Barata, da empresa Caio Porto SA, gestor do projecto, disse que, em termos de custo, o empreendimento está avaliado em cerca de dois mil milhões de dólares e informou que os trabalhos para a conclusão da infra-estrutura estão praticamente na sua recta final.
Os estudos batimétricos e da dinâmica das ondas e outros aspectos inerentes à sua implementação foram concluídos, o que permitiu alterar o figurino do projecto inicial por se constatar a existência, no fundo do mar, de infra-estruturas ligadas à exploração petrolífera.
Com essa alteração, disse Manuel Barata, o porto fica agora localizada a dois quilómetros da costa, o que permite reduzir os custos da dragagem e tornar menos onerosas as operações de carga e de descarga de mercadoria.
Os prazos inicialmente concebidos para a execução do projecto não serão alterados, garantiu Manuel Barata, acrescentando que, em meados de 2017, deverá atracar o primeiro navio no novo porto comercial de Cabinda, que inicialmente terá capacidade de manusear cerca de 200 mil contentores por ano.
O projecto da construção do porto do Caio obedece a três fases. A primeira, em termos de custo, está avaliada em 600 milhões de dólares e  consiste na construção de um cais de atracação para receber dois navios de longo curso, bem como a construção do quebra-mar. A construção do quebra-mar afigura-se como um projecto importante para a operacionalidade da actual ponte-cais e do futuro porto de Caio, já que vai mitigar as dificuldades adversas provocadas pelas correntes de Benguela e do rio Zaire e outras substâncias resultantes das calemas. O quebra-mar, de acordo com o presidente do Conselho de Administração do Porto de Cabinda, Manuel Nazareth Neto, trará mais-valias para o desenvolvimento da região na medida em que vai influenciar para que o custo de vida na província baixe.
Também vai facilitar a atracação de mais navios na ponte-cais e junto do próprio quebra-mar e gerar postos de trabalho para os jovens. Vai, igualmente, possibilitar o transporte de passageiros e de mercadorias por via marítima Cabinda/Soyo/Luanda e vice-versa, através de um catamarã e de outras embarcações.
A governadora provincial de Cabinda, Aldina da Lomba, considerou que tais projectos  estruturantes vão dinamizar o processo de desenvolvimento e crescimento económico da província, promover o emprego e aumentar a qualidade de vida da população.

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