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Reabilitação física para os deficientes

Bernardo Capita | Cabinda

Os doentes com debilidades físicas causadas por trombose e traumatismos devido a acidentes e crianças com má formação congénita podem ser reabilitados em Cabinda, no centro de fisioterapia do Hospital 28 de Agosto.

Fisioterapeuta Daniel Filipe quando cuidava do paciente Alcino Nunes de Oliveira
Fotografia: Rafael Tati

Os doentes com debilidades físicas causadas por trombose, traumatismos originados por acidentes e crianças com deficiências resultantes de má formação congénita, já podem ser reabilitados no centro de fisioterapia instalado no Hospital 28 de Agosto, na cidade de Cabinda. Com a nova unidade, diminuem também os encargos do Governo com a evacuação dos doentes para centros especializados fora da província e do país.
O centro, inaugurado a 1 de Junho, Dia Internacional da Criança, está equipado com alta tecnologia e é um investimento do governa da província de Cabinda.
A assistência aos pacientes é assegurada por dois médicos, sendo um angolano e outro coreano, especializados em fisioterapia. A sua acção incide sobretudo no tratamento de traumatismos físicos e neurológicos (sequelas de AVC), crianças com distúrbios funcionais e doenças cardio-respiratórias.
Daniel Filipe, médico angolano especializado em fisioterapia pela Universidade Privada de Angola (UPRA), disse que as condições técnicas disponíveis no centro permitem à equipa médica desenvolver com eficiência o trabalho e estimulam o doente a recorrer aos serviços devido às rápidas melhoras que podem obter.
“Quando o doente é confrontado com um centro de fisioterapia cuja assistência é feita somente por intermédio de massagens, tem influência negativa no seu moral”, disse Daniel Filipe, apontando o que era prática na província até à inauguração do centro.
Para Daniel Filipe, o conforto e os equipamentos de ponta existentes no centro estimulam os doentes a continuarem com a fisioterapia. O médico reconheceu ser difícil o trabalho de fisioterapia, porque incide na recuperação da estrutura física do paciente mas também da mental, indicando como particularmente difíceis os casos neurológicos (sequelas de AVC), em que o período de recuperação é muito longo.
Com a teoria aprendida na universidade e a prática auxiliada pela excelência dos equipamentos disponíveis no centro de fisioterapia do Hospital 28 de Agosto em Cabinda, Daniel Filipe assegurou que em dois ou três dias de assistência o doente começa a manifestar sinais de recuperação.
Para os casos considerados agudos, como contusões e distensões musculares, Daniel Filipe disse que se aplica ao doente uma carga de sessões de 10 a 15 dias em electroterapia e metaloterapia, para que comecem a surgir os sinais de recuperação.
O médico explicou que a assistência em electroterapia consiste no recurso a equipamentos terapêuticos de sistemas eléctricos, como aparelhos de infravermelhos, ultra sons, laser terapêutico, aparelho de estimulação eléctrica, parafina, enfiador de compressas (crioterapia, tratamento à base de gelo ou a frio) e micro-ondas. No domínio da metaloterapiria faz-se recurso a sistemas mecânicos para fins terapêuticos, utilizando mesas universais, escada com plano inclinado e bicicletas.
Daniel Filipe considerou oportuna a abertura do centro de fisioterapia, pois, segundo o médico, o número considerável de doentes em Cabinda já requeria a existência na província de uma estrutura especializada, para evitar os transtornos das evacuações para Luanda, Congo Democrático ou Brazzaville.
Carlos Zeca, secretário provincial da Saúde, considerou uma mais valia para as populações a implantação do centro de fisioterapia, porque a província clamava por esses serviços, dado o volume de doentes com patologias diversas ligadas a acidentes cardiovasculares, deficiências físicas e até mesmo de ortopedia que necessitavam de uma reabilitação física.
O também médico Carlos Zeca disse que faz agora parte do passado o tempo em que doentes adultos e sobretudo crianças eram obrigados a receber assistência fora da província e, em muitos casos, no estrangeiro.
“O governo da província é contra a deslocação de doentes para fora do país, salvo em casos excepcionais”, disse Carlos Zeca, enaltecendo o gesto do governador da província, Mawete João Baptista, que foi determinante na implantação do centro de fisioterapia.
Face ao quadro crítico que a província apresentava, disse Carlos Zeca, o governador Mawete João Baptista deu instruções à Secretaria Provincial da Saúde para rapidamente instalar na cidade de Cabinda um centro de fisioterapia, o que foi feito num tempo recorde de menos de dois meses.

Doentes satisfeitos

Alcino Nunes de Oliveira, 56 anos, teve uma trombose em Abril de 2010, e ficou com os membros do lado esquerdo paralisados. Recorreu aos serviços de fisioterapia do Hospital Central de Cabinda, “mas por insuficiência de equipamentos apropriados, não tive grandes melhoras”.
Com a instalação do centro de fisioterapia no Hospital 28 de Agosto pelo governo da província, diz Alcino Nunes de Oliveira, renasceu a esperança de um dia voltar a andar, já que o local dispõe de excelentes condições técnicas para a recuperação.
“Não tenho palavras para agradecer ao governador Mawete João Baptista, por ter canalizado parte dos recursos da província para a criação do centro de fisioterapia que muito falta nos fazia”, disse Alcino Nunes de Oliveira, agradecendo ao mesmo tempo o empenho dos dois únicos médicos ali destacados e que não têm poupado esforços para a recuperação dos pacientes. “Em pouco tempo de assistência, já consigo mover os dois membros atingidos, seguro a colher para comer e faço a minha higiene pessoal”, disse.
Alcino Nunes de Oliveira conta o que lhe aconteceu: “tive uma trombose muito agressiva, fiquei uma semana internado no hospital em estado de coma, logo que comecei com as sessões de fisioterapia no centro, graças a Deus, comecei a sentir-me bem”, acrescentou.
Dados os bons sinais de recuperação que tem vindo a evidenciar, Alcino de Oliveira disse que agora só faz fisioterapia três vezes por semana, em vez das sessões diárias.

Serviço de Hemodiálise

O serviço de hemodiálise é a outra especialidade que está a ser instalada ainda este ano em Cabinda, anunciou o secretário provincial da Saúde Carlos Zeca.
Neste momento, está na forja o estudo topográfico do local onde vai ser construída a infra-estrutura que vai alojar os serviços de hemodiálise. “ O projecto já mereceu parecer favorável do governo da província, logo que se conclua o estudo topográfico, as obras começam de imediato”, esclareceu.
A situação da província em termos de casos com insuficiência renal não é grave, garante Carlos Zeca. As estatísticas dos serviços locais da saúde apontam para o registo de apenas quatro doentes, mas mesmo assim justifica-se a instalação dos serviços de hemodiálise na província.

Nova maternidade

Carlos Zeca aproveitou a ocasião para esclarecer a população sobre o andamento do projecto da nova maternidade, empreendimento há muito esperado. As mulheres grávidas estão confrontadas actualmente com sérias dificuldades por falta de um espaço com dignidade e capaz de evitar a superlotação de parturientes em enfermarias e acabar com a partilha da mesma cama entre recém nascidos.
A par dos esforços em curso tendentes à construção de um edifício autónoma dos serviços da maternidade, Carlos Zeca disse que o governo leva a cabo obras de reabilitação da maternidade do Hospital Central de Cabinda, ao mesmo tempo que está em análise a possibilidade da transformação do dispensário materno-infantil, construído de raiz, em maternidade provincial.
“Temos instruções do governador Mawete João Baptista para transformarmos o dispensário materno-infantil em maternidade, devido à sua dimensão e ao conforto que pode dar às parturientes”, disse Carlos Zeca.
O Hospital Primeiro de Maio, também construído de raiz, pelo governo local, no âmbito do Programa de Investimentos Públicos (PIP), e orçado em seis milhões de dólares, cujas obras terminaram há oito meses, mereceu também explicações do secretário provincial da Saúde, revelando que ainda não começou a funcionar devido à adenda que foi introduzida no projecto e à montagem dos equipamentos no bloco operatório.

Apelo do governador

O governador da província, Mawete João Baptista, apelou aos técnicos do centro de fisioterapia, no Hospital 28 de Agosto, para prestarem maior atenção ao tratamento de crianças portadoras de deficiências resultantes da má formação congénita, com destaque para as lesões ao nível de cérebro e às debili
Para Mawete João Baptista, apesar da província estar necessitada dos serviços de fisioterapia, o centro surgiu sobretudo para rapidamente socorrer as crianças que padecem das enfermidades, “já que o quadro é preocupante”.
Os índices de crianças com má formação congénita são elevados: “isto em parte tem origem na negligência das mães em acatar os conselhos médicos no que se refere às consultas pré natais, ou mesmo pelo facto dos pais nos momentos das relações sexuais se encontrarem no estado de embriaguez ou serem toxicodependentes”, disse o governador.
Mawete João Baptista evocou também a instabilidade social em determinadas famílias, lutas entre casais que culminam em golpes desferidos pelos maridos às mulheres em estado de gestação, como motivos para o actual quadro, daí a preocupação do governo da província em avançar com este projecto.
Mawete João Baptista pediu aos técnicos para conservarem os equipamentos instalados no centro de fisioterapia, ao mesmo tempo que anunciou a extensão do projecto nos restantes municípios da província.

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