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Valas de drenagem feitas depósitos de lixo

Bernardo Capita | Cabinda

As valas de drenagem das águas pluviais e residuais, mandadas construir pelo Governo  da Província de Cabinda, há menos de dois anos, no bairro Primeiro de Maio e na zona do Luvassa Sul, para acabar com as inundações, durante as chuvas, foram transformados em locais de depósito de lixo.  

Autoridades provinciais estão preocupadas com o estado das valas de drenagem que se encontram degradadas
Fotografia: Raul Tati|Cabinda

 
As valas de drenagem das águas pluviais e residuais, mandadas construir pelo Governo  da Província de Cabinda, há menos de dois anos, no bairro Primeiro de Maio e na zona do Luvassa Sul, para acabar com as inundações, durante as chuvas, foram transformados em locais de depósito de lixo.  
As obras, que custaram aos cofres públicos cerca de 14 milhões de dólares, são constituídas por duas estruturas diferentes, sendo uma vala a céu aberto e outra coberta, numa extensão de dois quilómetros cada. Foram mandadas construir pelo Governo na perspectiva de permitir maior fluidez das águas das chuvas para o mar, evitando assim a imundice causada pelas enxurradas nestas localidades e as inundações.
Segundo constatou o Jornal de Angola, a grande quantidade de lixo concentrada nas valas, além de constituir ameaça para a saúde pública, pode ser fonte de acidentes para muitas famílias, sobretudo aquelas que habitam na periferia das valas, já que os detritos ali depositados vão travar o curso normal das águas das chuvas para o mar, inundando habitações, como aconteceu em ocasiões anteriores.
As populações dos bairros Primeiro de Maio, Luvassa Sul, “Papá Ngoma” e a Luta Continua são as que podem sofrer em caso de transbordo das águas das valas.
João do Nascimento Sumbo e José Manuel Mbiquili, ambos moradores há mais de 20 anos nestas zonas, condenaram o acto de deitar o lixo para as valas, mas acrescentaram que a situação só ocorre por falta de contentores de lixo e devido à morosidade na recolha dos resíduos sólidos por parte das empresas de saneamento contratadas para realizar este trabalho.
Aproximando-se a época chuvosa, João Sumbo diz que já era tempo mais do que suficiente para a Administração Municipal de Cabinda fazer trabalhos de limpeza das valas, tal como tem acontecido nos outros anos.
O quadro de saneamento básico nos bairros periféricos da cidade de Cabinda é preocupante, não só pelo lixo que é depositado regularmente nas valas de drenagem das águas pluviais, mas também porque há fraca fiscalização. Nessas áreas, constatam, é comum observar-se resíduos líquidos produzidos por casas de banhos sem fossas, ao longo da via pública.
O morador José Mbiquili defende o reforço do trabalho dos serviços de fiscalização da Administração Municipal de Cabinda, com acções de inspecção em locais de residência, onde muita gente viola as regras de boa convivência.
 
Bairro Luta Continua

O coordenador do bairro a Luta Continua, Alexandre João, disse ao  Jornal de Angola estar muito preocupado com a situação do lixo nas valas da sua área de jurisdição, devido à não realização de trabalhos de limpeza por parte da Administração Municipal e com o aproximar das chuvas.
Alexandre João referiu que a coordenação do bairro tem estado a sensibilizar as populações no sentido de não deitarem o lixo nas valas de drenagem, “mas, infelizmente, nunca fomos entendidos, porque a falta de contentores tem sido a justificação apresentada”.
O coordenador pediu à empresa que tem feito a recolha de lixo naquela localidade para reforçar o pessoal de limpeza e a quantidade de contentores, porque, reforçou, “só desta maneira poderemos exigir mais das populações”.
Outra questão que preocupa Alexandre João tem a ver com o estado lastimável em que estão as vias de acesso ao bairro. Disse, por exemplo, que no tempo chuvoso “nenhuma viatura consegue circular na famosa rua quarenta”, única via que liga o bairro às restantes zonas da cidade de Cabinda.
“A situação é precária, as nossas vias de acesso estão péssimas, não temos maneira de nos deslocar de um lado para outro e mesmo com a mobilização do povo e alguns possuidores de viaturas para fazermos alguns trabalhos paliativos de tapa-buracos, não temos atingido os resultados desejáveis”, lamentou.     
A administradora adjunta do município de Cabinda, Madalena Solila David, frisou que as autoridades estão a fazer o possível no sentido de elevar a qualidade de saneamento básico na cidade e nos bairros periféricos, apesar dos equipamentos de recolha de lixo serem poucos e não convencionais.
“Estamos a fazer o possível para que tenhamos a nossa cidade sempre limpa e passarmos um cartão de vista um pouco mais atraente para quem visita a nossa província”, disse a responsável.
No tocante à limpeza das valas, trabalho que a Administração Municipal faz anualmente antes do início das chuvas, Madalena David explicou que ainda não foi executado por falta de dinheiro. “As regras de execução orçamental tendem a tomar um cariz um pouco mais rigoroso. Hoje, ninguém está autorizado a fazer gastos que não tenha cabimentação”, explicou, manifestando confiança de que logo que haja disponibilidade financeira o Governo tomará medidas em relação ao saneamento básico e à limpeza das valas.
Madalena David é de opinião que as medidas de fiscalização e punição não combatem por si só o comportamento negativo da população que insiste em deitar o lixo nas valas de drenagem, mas considera ser imprescindível uma educação moral e mudança de mentalidades das pessoas, que têm que ter consciência do que é bom e do que é mau para a comunidade.
“Quando alguém observar que o vizinho do outro lado deitou lixo na vala de drenagem que vá até ele e dê-lhe uma lição de moral, dizendo que aquilo não se faz, prejudica a saúde e a segurança de todos, incluindo dos seus próprios filhos, que afinal são o futuro que devemos preservar”, aconselhou.

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