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Cacuso dá sinais de revitalização agrícola

Adalberto Ceita| em Cacuso

Desde o inicio do mês de Novembro que os camponeses da comuna da Quizenga, no município de Cacuso, província de Malanje, têm motivos para sorrir. Com o passar do tempo, a revitalização da agricultura não passa despercebida aos olhos da população.

A camponesa Inês Miguel e companheiros semeiam agora a terra com equipamento cedido pelo Instituto de Desenvolvimento Agrário
Fotografia: Adalberto Ceita

Desde o inicio do mês de Novembro que os camponeses da comuna da Quizenga, no município de Cacuso, província de Malanje, têm motivos para sorrir. Com o passar do tempo, a revitalização da agricultura não passa despercebida aos olhos da população.
No âmbito da implementação do Programa de Extensão e Desenvolvimento Rural (PEDR), o Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), que é o principal órgão da estrutura do MINAGRI, estendeu o fomento agrícola à terra da palanca negra gigante. O projecto encontrou raízes nas quatro comunas do município de Cacuso.
Na área de 16 hectares de terra que serve de campo de cultivo para aproximadamente 56 camponeses da comuna da Quizenga já não existe espaço para a letargia.
Com o semeador e adubador manual, um instrumento agrícola com dupla função, a camponesa Inês Miguel não precisa exceder-se fisicamente para manusear o instrumento, que na sequência da sua própria especificidade regula o terreno alvo da semente, modernizando por completo o método de trabalho.
A fase actual é de lançamento da semente à terra. O chefe de departamento provincial do IDA, Isidro Jacinto, realça que os constrangimentos observados nas campanhas antecedentes, devido à chegada tardia das sementes provenientes do estrangeiro, ficam para a história.
O engenheiro mecânico explica que o terreno arável do município é tradicional na cultura da mandioca, jinguba, batata-doce e feijão. Só que a experiência do cultivo de milho, que constitui uma novidade entre os camponeses, está a ser bem sucedida. As previsões apontam para que dentro de dois a quatro meses a colheita do milho, jinguba, feijão e batata-doce sejam uma realidade. Devido à sua própria especificidade, explica que a colheita da mandioca pode levar mais tempo, ou seja, perto de dois anos para desabrochar.
Dados do IDA indicam que no âmbito do PEDR estão a ser apoiadas 99 mil famílias nos 14 municípios da província de Malanje, sendo que outra das grandes valias que o programa trouxe aos camponeses está ligada às máquinas que prestam auxílio às actividades agrícolas. Porém, o abastecimento de água para irrigação ainda é feito com dificuldades, apesar de existirem garantias do IDA em melhorar essa importante componente da agricultura. Adicionalmente, estão a ser desenvolvidas infra-estruturas físicas para armazenamento provisório das colheitas.
Apesar das dificuldades económicas provocadas pela crise financeira, Isidro Jacinto diz que “não têm faltado soluções para salvaguardar aquilo que até agora conseguimos desenvolver”.
Os camponeses da Quizenga encontram-se organizados em associações, mas o expediente que está a ser desenvolvido caminha no sentido destas evoluírem para cooperativas. Inês Miguel está convicta das facilidades que isto pode representar para os camponeses. À guisa de exemplo, tal como os demais, foi informada que fica reduzida a burocracia, no caso de necessidade de crédito bancário.

Camponeses motivados

Os camponeses deste município da província de Malanje vivem uma fase de motivação devido às condições que o IDA criou e que tem facilitado o trabalho. Tanto Joaquim Patrício como Domingos Dionísio testemunharam a inércia que caracterizou a agricultura em Cacuso e cada um deles esforça-se por contribuir para o desenvolvimento deste sector.
A naturalidade com que o camponês Joaquim Patrício, de 25 anos, se entrega ao trabalho pode ser um exemplo disso. Até pouco tempo atrás, Joaquim Patrício trabalhava como auxiliar de motorista de longo curso, depois de ter passado por uma experiência frustrada na venda ambulante.
Filho de camponeses, está no cultivo desde finais de Outubro, e confessa que ganhou gosto pela actividade agrícola, não obstante estar reduzida à agricultura de sequeiro. Um dos aspectos que mais lhe agrada é saber que do seu trabalho consegue encontrar meios para sustentar a mulher e os dois filhos.
Durante os cinco anos em que se tem dedicado ao campo, Domingos Dionísio não se recorda de ter recebido num ano tantos apoios por parte do MINAGRI. Por exemplo, tractores, charruas, irrigadores, semeadores e demais máquinas e equipamentos, que apenas eram observados à distância, agora fazem parte do quotidiano dos camponeses da comuna da Quizenga.
“O tractor tem-nos ajudado muito. Estou bastante satisfeito pelo apoio que temos recebido, pois tem sido motivador e dá-nos forças para continuar”, disse Domingos Dionísio.

Apoio repartido

Na Quizenga, o futuro é de trabalho e de desenvolvimento. Quem o diz é o director da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA) de Cacuso, Ilídio Silva, que assegura continuar a dar apoio aos camponeses quer estejam organizados em associações ou em cooperativas.
Ao longo do ano em curso, foram distribuídos 50 semeadores manuais, num apoio que se estendeu também aos agricultores. As mudanças são visíveis e “os objectivos preconizados dependem muito do esforço de todos”.
Ilídio Silva esclarece que o apoio em mecanização tem possibilitado o aumento da área de cultivo, a capacidade de produção e, consequentemente, o rendimento das famílias e a redução da pobreza.
As mudanças tecnológicas introduzidas não estão a ser feitas de forma abrupta. O director da EDA de Cacuso explica que os beneficiários directos de equipamentos modernos são submetidos à prática em dez campos de demonstração montados para o efeito.
Em avaliação está um sistema organizado de comercialização, para impedir que o camponês tenha de se deslocar com frequência à procura de potenciais clientes. O número de quadros técnicos, transporte e instrumentos de mecanização não respondem à demanda, segundo menciona Ilídio Silva, o que obriga, vezes sem conta, a que prevaleça o princípio da prioridade nas decisões.
“Há uma necessidade imperiosa de aumentar a produção. Gradualmente, estamos a criar condições para corresponder às orientações superiores”, disse.

Diversificação do cultivo

Atento aos passos que estão a ser dados a nível do sector agrícola no município de Cacuso, o administrador Furtado Azevedo  mostra-se satisfeito, e adianta que a agricultura faz parte das prioridades do Governo rumo ao desenvolvimento do projecto agro-industrial do país.
Região potencialmente agrícola e recheada de terras aráveis, o administrador municipal manifestou que na presente campanha agrícola projectou-se a concessão de 500 hectares de terra para os camponeses desenvolverem novas culturas. Dentro desde cronograma, disse, foram contempladas com hectares de terra as comunas sede Quizenga, Suqueco e Pungo-Andongo.
As dificuldades proporcionam novas oportunidades de vida e a seca vivida em Malanje, há dois anos, é disso prova, na medida em que obrigou os camponeses a adoptarem alternativas.
“No nosso município as pessoas estavam habituadas a cultivar apenas uma variedade, ou no máximo duas, por isso, estamos também a incentivar a diversificação, para que quando um produto falhe outro possa cobri-lo”, disse.
Ainda na senda do incremento agrícola, a fazenda Pungo-Andongo, cuja produção, além de Luanda, tem sido escoada para outras paragens, é motivo de orgulho para Furtado Azevedo, que vê nela uma batalha ganha contra a insuficiência alimentar.

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