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Camponeses reforçam segurança alimentar

Elautério Silipuleni | Ondjiva

A segurança alimentar e nutricional das famílias afectadas pela seca na província do Cunene vai conhecer melhorias significativas, nos próximos tempos, após terem beneficiado, ontem, de 2.500 kits de instrumentos agrícolas, entregues pelo Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).


Organizadas em associações de camponeses, as famílias receberam enxadas, catanas, ancinhos, regadores, moto-bombas com os seus respectivos sistemas de rega e outros meios para a produção, que custaram ao programa de emergência do FAO cerca de 800 mil dólares.
O responsável dos programas de emergência do FAO em Angola, Matteo Tonini, explicou que o projecto visa garantir a produção, fomentar o desenvolvimento da agricultura e melhorar as condições de trabalho no campo, assim como minimizar os efeitos da seca, que assola a região Sul, há cinco anos.
O projecto, denominado “CERF”, iniciado em Março deste ano,  dura  seis meses e tem apoio do Fundo de Emergência da Agência de Coordenação da Ajuda Humanitária, destinado a apoiar as comunidades afectadas pela seca na região sul do país.
O responsável do FAO salientou que, até ao momento, foram formados 342 tratadores de gados e distribuídos igual número de kits de instrumentos veterinários, incluindo blocos de minerais e multivitaminas.
Outras 2.500 famílias foram  formadas em técnicas culturais de cereais como massango, massambala e milho, assim como beneficiaram de formação em hortícolas básicas e em micro hortas, para o cultivo de cebola, tomate, cenoura, repolho e couve.
Matteo Tonini disse que está prevista a distribuição, nos próximos tempos, em todos os municípios, de 48 reservatórios de água, com capacidades para dez mil litros cada um, 39 motobombas com os sistemas de rega, 91 rolos de 100 metros, para permitir a produção no período seco, e de outros equipamentos agrícolas, além da criação de pequenas lavras nas comunidades.
O responsável do FAO a nível do Cunene explicou que o projecto vai expandir programas de apoio às diferentes áreas dos municípios da província, com destaque para a agricultura. Matteo Tonini, que falava durante a entrega de instrumentos agrícolas à Associação de Camponês de Shalala, disse que se inicia uma nova era para os “homens do campo” daquela localidade, uma vez que vão ser produzidos alimentos em tempo seco, com vista a garantir a segurança alimentar e enfrentar os problemas das alterações climáticas da região Sul do país.

Fases do projecto

O responsável dos programas de emergências do FAO em Angola avançou que o projecto tem outras duas fases, sendo que a segunda vai contar com a instalação dos sistemas gota-a-gota, para aumentar a eficiência da rega e melhorar e a quantidade da produção agrícola dos camponeses.
Na terceira e última fase, vai-se proceder a legalização das escolas de campo, de forma a colmatar a deficiência na organização das estruturas associativas e do baixo nível tecnológico.

Resultados esperados

O administrador municipal de Ombadja, Manuel Domingos Taby, considerou que a entrega dos meios permite que a agricultura familiar esteja reforçada, devendo os camponeses aproveitar bem as margens do rio Cunene, para garantir a segurança alimentar nas comunidades.
Manuel Taby afirmou que a administração leva a cabo acções de sensibilização às populações, para se organizarem em associações e cooperativas com vista à prática da agricultura familiar.
O administrador municipal de Ombadja disse que, além das tradicionais culturas de milho, massambala, massango e feijão, vão ser introduzidos outras novas como a batata-doce e a mandioca.
Apesar das dificuldades no escoamento dos produtos, os camponeses da municipalidade têm conseguido fazer com que parte da colheita sirva as famílias de vários pontos do Cunene, concluiu Manuel Domingos Taby.

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